Despedimentos

CTT quer reduzir até 800 pessoas em três anos

Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens
Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

Os CTT querem reduzir até 800 trabalhadores na área operacional em três anos, no âmbito do plano de reestruturação que a empresa liderada por Francisco de Lacerda acaba de anunciar. Até ao final do ano a companhia pretende reduzir em 200 o número de colaboradores, tendo os primeiros 140 já fechado acordo. Ou seja, feitas as contas o operador postal conta reduzir até 2020 cerca de mil trabalhadores.

Otimização da rede de lojas, venda de ativos e redução nas remunerações fixas e variáveis da administração da empresa são outras das medidas contidas no plano, bem como o alinhamento do dividendo aos acionistas com base nos resultados líquidos da empresa.

Em novembro os CTT anunciaram o convite a rescisões e reformas antecipadas a 300 colaboradores, com o objetivo de atingir 200. Destes, 140 já aceitaram. Com esta vaga de saídas os CTT admitem, para os 200, ter um custo de 14 milhões já este ano.

Os CTT têm um total de 12 mil colaboradores, dos quais 6700 na área operacional, sendo 6200 efetivos e 500 têm contratos a termo. O corte dos 800 colaboradores no triénio 2018-2020 é justificada com a redução do tráfego de correio. Esta medida terá um custo estimado não recorrente de 25 milhões de euros, informa a empresa.

Administração dos CTT com redução nos vencimentos

Os cortes não se ficam por aqui. A administração dos CTT vai ter ainda um corte na remuneração fixa de 25% para o presidente do conselho de administração e para o CEO, e 15% de redução para os restantes membros executivos e não executivos do conselho em 2018.

Não vai haver ainda lugar a remuneração variável para a comissão executiva em 2017 e 2018.

Os salários, na parte variável, dos trabalhadores também serão afetados com uma “forte redução” dessa componente este ano, dizem os CTT, mas sem precisar valores. Haverá ainda uma “limitação dos aumentos salariais não obrigatórios para os colaboradores em 2018”.

Rede de lojas será otimizada

O plano prevê ainda uma otimização da rede de lojas. Prevista esta a conversão de lojas em postos de correio ou “fecho de lojas com pouca procura por parte dos clientes”, diz os Correios sem precisar números. Mas, refere Ainda, que o objetivo é a “manutenção do número de pontos de acesso, assegurando a proximidade com os cidadãos, qualidade de serviço e as obrigações regulatórias”. Os Correios referem ainda a vontade de “continuar a desenvolver o modelo de postos de correio explorados por terceiros”.

Com isto a empresa conta ter um custo estimado de 15 milhões não recorrentes e uma poupança anual até 2020 de entre 6 a 7 milhões de impacto no EBITDA recorrente.

Venda de ativos terá continuidade

Os CTT que acabaram de fechar a venda da antiga sede na Rua de São José em Lisboa por 25 milhões de euros, o que vai ter uma mais-valia de 16 milhões nas contas já deste ano, vai dar continuidade à venda de espaços.

No plano está prevista a venda de até 30 “ativos não estratégicos”, poupando nos gastos associados, esperando a companhia um encaixe de entre 12 a 13 milhões de euros.

Globalmente, com estas medidas os CTT estima que o plano de transformação operacional tenha uma “contribuição positiva de até 45 milhões de euros para o EBITDA recorrente a partir de 2020 e ajudar
a contrariar a contínua queda estrutural do negócio de correio”.

O volume de correio endereçado tem estado em queda contínua desde 2001, sendo hoje cerca de metade: de 1,4 mil milhões em 2001 para 0,7 mil milhões nos últimos 12 meses até setembro de 2017. Situação que acelerou nos últimos trimestres, com uma queda de 6% nos primeiros 9 meses de 2017 (versus quedas médias de cerca de 4% entre 2014 e 2016).

(notícia atualizada precisando o número global de saídas do operador postal)

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