correios

CTT querem conquistar a Amazon em Portugal

Francisco de Lacerda, presidente dos CTT (Fotografia: Miguel Silva / Global Imagens)
Francisco de Lacerda, presidente dos CTT (Fotografia: Miguel Silva / Global Imagens)

"Somos um concorrente forte, capaz, com uma rede de carteiros que não há mais quem tenha em Portugal", diz Francisco Lacerda

Com a Amazon a preparar a sua entrada em Portugal – para já, o mercado nacional é servido a partir da operação da multinacional em Espanha – é natural que os CTT ambicionem ser o parceiro natural da empresa no país. Falando aos jornalistas dos planos para o futuro dos CTT e na aposta crescente no serviço de entrega de encomendas, para compensar a quebra no envio postal tradicional e dar resposta ao crescimento do comércio eletrónico, Francisco Lacerda admitiu mesmo que “ainda não somos, mas um destes dias seremos”, os distribuidores da Amazon em Portugal.

Em Espanha, os CTT já fazem entregas da Amazon, uma operação que a empresa pretende “desenvolver e robustecer”. Quanto a Portugal, “um destes dias é uma força de expressão”, reconheceu o CEO dos correios, admitindo o natural interesse no cliente. “Como qualquer atividade num mercado concorrencial, estamos permanentemente a trabalhar clientes alvo que nos parecem interessantes. Vamos conseguindo uns e outros não, e conseguindo uns agora e outros depois. É o dia-a-dia da vida de uma empresa que atua num mercado concorrencial”, defendeu. E garante: “Somos um concorrente forte, capaz, com uma oferta muito interessante e com uma integração única, com uma rede de carteiros que não há mais quem tenha em Portugal”.

Refira-se que, em 10 anos, o número de cartas distribuídas pelos CTT passou de 1.300 milhões ao ano para pouco mais de 600 milhões, uma tendência de queda que “se mantém todos os anos”. Mas como a distribuição de encomendas está a crescer, a empresa decidiu, há três anos, atribuir essa tarefa aos carteiros, aumentando o número de giros motorizados.

Lacerda falava num encontro com jornalistas, esta quinta-feira, no Porto, no qual o tema do encerramento de lojas e dos consequentes protestos das populações dominou as perguntas. Com o CEO a sustentar que o número de espaços de atendimento disponíveis ao público não diminuiu e que, em todos os encerramentos, abriu “muito próximo” uma alternativa.

“O que se passa é que se fechamos uma estação do correio no sítio xis, abrimos uma perto. Daquelas que foram amplamente noticiadas no princípio deste ano, nenhuma foi a mais de umas centenas de metros, não há quilómetros adicionais para percorrer. Muitas delas foram exatamente no mesmo sítio, depende do tipo de acordo que se fez em cada uma delas”, explicou. Segundo este responsável, os CTT dispunham, em dezembro de 2014, de 2.317 pontos de acesso (629 dos quais eram lojas próprias da empresa), número que subiu para 2.371 (584 lojas próprias) no final do primeiro trimestre de 2018.

Para este responsável, a polémica prende-se com dificuldades de comunicação da empresa. “Não conseguimos até hoje ainda comunicar desde o momento zero às populações para as tranquilizar que não sofrerão naquilo que para elas é vital e, como todos sabemos, aquilo que é vital nem sequer é uma questão de serviço do correio, é receber a pensão. Pagamos à roda de 500 mil pensões por mês em todo o país e cada uma delas é um assunto que levamos muito a sério”, garantiu.

E se, até agora, a substituição de espaços próprios dos CTT por postos geridos por outras entidades não significou uma redução no número de trabalhadores, que se manteve estável, assegura Francisco Lacerda, desde a privatização, em torno das 12 mil pessoas, já a aplicação do plano de transformação da empresa levará à saída, até 2020, de 800 pessoas. Em causa estão as projeções de queda do volume de correio, a par do aumento do volume de entrega de encomendas, mas, também, os investimentos que a empresa irá realizar em automatização crescente.

“As nossas projeções mostram-nos que estaremos em condições de funcionar, em 2020, com menos 800 pessoas do que funcionamos em 2017, mas estas 800 sairão de acordo com os modos normais como temos estado sempre a gerir as nossas pessoas, negociando acordos de saída, saídas naturais por reforma, saída porque as pessoas resolvem ir à sua vida fazer outras atividades, etc”, diz Lacerda. Que frisa “o plano de transformação compagina, também, um investimento incremental como os CTT não faziam há 20 anos naquilo que é o negócio postal, de cartas”, modernizando o parque de máquinas afeto a esta área.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Comissário Europeu Carlos Moedas
( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

“É preciso levantar a voz contra o discurso anti-empresas do PCP e do BE”

Afonso Eça e José Maria Rego, dois dos fundadores, criaram a Raize há cerca de cinco anos. ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Raize: “Pode haver parcerias com empresas grandes nos próximos meses”

Herdade da Comporta deverá conhecer um novo proprietário em breve. FOTO: Carlos Santos/Global Imagens

Comporta. Proposta de Paula Amorim e milionário francês é a única vinculativa

Outros conteúdos GMG
CTT querem conquistar a Amazon em Portugal