Custos travam transferências imediatas

Banco de Portugal considera que as comissões que os bancos começaram a cobrar pelo serviço que permite transferir fundos entre contas bancárias, até 15 mil euros, no prazo de 10 segundos, explica a quebra em número e valor destas operações desde o início do ano.

O serviço foi anunciado como uma grande inovação pelo Banco de Portugal. Mas as transferências imediatas, disponíveis desde setembro de 2018, depressa encontraram um obstáculo: as comissões aplicadas pelos bancos.

Segundo dados divulgados ontem pelo supervisor bancário, as transferências imediatas registaram uma forte procura entre setembro e o final de dezembro. No último mês de 2018, foram realizadas operações num montante de 267 milhões de euros. Mas em janeiro o número de operações realizadas e o respetivo valor caiu para metade.

As transferências imediatas efetuadas no primeiro mês de 2019 ficaram-se pelos 179,4 milhões de euros. A explicação do Banco de Portugal para esta descida prende-se com a aplicação de comissões por parte dos bancos.

O serviço de transferências imediatas permite enviar ou receber fundos até 15 mil euros, no prazo de 10 segundos. Ao contrário do serviço da SIBS, o MB Way, que permite a transferência de dinheiro imediata entre cartões bancários, o serviço de transferências imediatas ocorre entre contas.

Nos quatro maiores bancos em Portugal, o valor cobrado por cada transferência imediata online vai de 1,5 euros por operação – na Caixa Geral de Depósitos – a 2 euros – no Banco BPI - segundo os respetivos preçários disponíveis online. No total, desde que o serviço foi lançado, registaram-se 1,2 milhões de operações num montante global de 1,2 mil milhões de euros. O valor médio das operações foi de 1.000 euros. Em 2018, foram realizadas 7.170 operações destas por dia, no valor de 800 euros cada uma.

No final do ano, mais de 95% das contas de pagamento em Portugal estavam cobertas pelo serviço.

Segundo o Banco de Portugal, “em novembro, o Eurosistema passou também a oferecer um serviço pan-europeu para a liquidação de pagamentos imediatos, o TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), que, à data de lançamento, permitia operações entre as instituições aderentes de três países (Alemanha, Espanha e França)”.

O Banco de Portugal espera que ainda em 2019 haja novidades sobre a possibilidade dos portugueses poderem começar a fazer transferências imediatas para outros países europeus.

Portugueses têm em média dois cartões

Os pagamentos de retalho em Portugal cresceram 7,3% em 2018, tendo sido realizadas operações num valor global de 491,5 mil milhões de euros. No total, foram registadas 2.735 milhões de operações, a maior parte relativas a operações com cartões, o que corresponde a um aumento de 7,6% face a 2017. Segundo o Relatório dos Sistemas de Pagamentos do Banco de Portugal, divulgado esta segunda-feira, 98,9% das operações foram efetuadas com instrumentos eletrónicos. Os dados incluem os pagamentos com cheques mas excluem as transações com numerário.

Os cartões representaram 86,6% dos pagamentos de retalho. Foram feitas 2.368 milhões de operações com cartões em Portugal em 2018, no montante global de 125,3 mil milhões de euros. A utilização de cartões teve um aumento de 8,4% em número e 8,9% em valor. Em média, foram realizadas por dia 6,5 milhões de operações com cartões.

As principais operações realizadas com cartões foram as compras e os levantamentos. As transferências com cartões aumentaram 27,7% em número graças ao lançamento do serviço MB Way da SIBS, que permite transferências imediatas entre cartões.

Cada português tem em média dois cartões. O valor médio de pagamento com cartões foi de 53 euros. Os débitos diretos foram o segundo instrumento de pagamento mais usado em Portugal em 2018, tendo registado um crescimento de 0,5% em número de operações.

O numerário continua a aumentar, mas a um nível muito abaixo do crescimento da utilização de cartões. Os dados relativos a utilização de numerário serão divulgados no final de maio. No entanto, segundo dados do Banco de Portugal, cerca de 70% das operações nos pontos de venda são efetuadas com numerário.

As transferências a crédito registaram a maior subida, crescendo 9% em quantidade e 12,1% em valor. A tendência é explicada pelo pagamento de salários por parte de empresas e pagamentos com cartões. Os pagamentos com cheques desceram 12,2% em quantidade e 6,3% em valor. Apesar da descida, ainda foram realizados em média 120 mil pagamentos por dia. As compras efetuadas online representaram 3,8% do total de compras realizadas com cartões nacionais, uma descida face ao peso de 3,9% que registaram em 2017. Também em valor sofreram uma descida de 5,9% para 5,7%.

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