OE2020

Da encomenda até à linha, “novos comboios demoram quatro anos”

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos (E), acompanhado pelo ministro presidente da CP, Nuno Freitas (D), na assinatura do contrato de serviço público entre o Estado e a CP, na Estação do Rossio, em Lisboa, 28 de novembro de 2019. (Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA)
O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos (E), acompanhado pelo ministro presidente da CP, Nuno Freitas (D), na assinatura do contrato de serviço público entre o Estado e a CP, na Estação do Rossio, em Lisboa, 28 de novembro de 2019. (Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA)

Pedro Nuno Santos reconhece que recuperação de comboios é insuficiente para responder ao aumento da procura de 40% na CP.

Pedro Nuno Santos admite que a recuperação de comboios que estiveram encostados nos últimos anos não chega para o aumento da procura de 40% nos comboios urbanos da CP. O ministro das Infraestruturas admite, por isso, que será necessário avançar para a compra de novos comboios. Só que entre a encomenda da empresa e a entrada do novo material na linha, são necessários quatro anos, assumiu Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação.

“A recuperação de carruagens está longe das necessidades de material circulante da CP. É um parque antigo, que representa custos elevados de utilização para o país”, respondeu Pedro Nuno Santos à pergunta da deputada do Bloco de Esquerda Isabel Pires, no âmbito da audição, na especialidade, do Orçamento do Estado para 2020.

O ministro lembrou o exemplo da linha de Sintra. Serão recuperados oito comboios que tinham sido encostados no tempo da troika e que vão permitir o aumento da oferta de 8000 lugares para os utentes. Só que este acréscimo é insuficiente, reconheceu o governante.

“Temos expetativa de em 2020 termos mais oito comboios para a linha de Sintra. Apenas vai permitir regularizar a operação e deixar de ter atrasos e supressões nas linhas suburbanas. Não vai dar o aumento de oferta que corresponderia ao aumento de procura. Isso só lá vai com comboios novos. E a contratualização vai demorar tempo. Demora pelo menos quatro anos até chegar um comboio novo. Quanto mais tarde demorarmos a fazer a encomenda. Mais problemas teremos.”

Além da recuperação de 70 comboios até ao final de 2022, a CP tem tentado reforçar o aluguer de material circulante à espanhola Renfe, a única que tem comboios compatíveis com as linhas portugueses, de bitola ibérica, ao contrário do que acontece na restante Europa, em que existe a bitola europeia. Só que Espanha não tem dado resposta às pretensões portugueses.

“Não é um problema de resolução rápida. Estamos muito limitados por causa da bitola. Estamos limitados no aluguer de material circulante, só em Espanha. Aparentemente, não há mais disponibilidade. Continuamos à procura para saber se há mais disponibilidade”, respondeu Pedro Nuno Santos. Atualmente, a CP aluga um total de 24 automotoras a gasóleo à Renfe, da série 592, com quase 40 anos, e que circulam, sobretudo, na linha do Douro e do Minho.

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