A&D Wines

Da vista do Vinho Verde para o Douro até ao enoturismo

28130871_GI01062017OCTAVIOPASSOS027

Um casal de engenheiros eletrotécnicos apaixonou-se pelo mundo dos vinhos e apostou na Quinta de Santa Teresa. E depois dos vinhos veio o enoturismo.

O enoturismo é a nova aposta da A&D Wines, o projeto vitivinícola que Alexandre Gomes e Dialina Azevedo estão a desenvolver na Região dos Vinhos Verdes, com três propriedades em Baião. No total são 45 hectares de vinha, mas o projeto começou com a recuperação da recém-adquirida Quinta de Santa Teresa, com o plantio de novas vinhas e a construção de uma nova adega, o que corresponde ao grosso do investimento. Até ao final do ano estará em funcionamento a nova sala de provas e uma wine shop.

Alexandre e Dialina são engenheiros eletrotécnicos e têm na sua empresa de eletrónica, na Maia, especializada no controlo de acessos e terminais biométricos a atividade principal. Só que a paixão deste casal é pelos vinhos. Uma tradição familiar, de há várias gerações, que tem em Baião o seu centro nevrálgico.

Este ano, e depois dos vinhos, a aposta recai no enoturismo: “Estamos a construir uma pequena unidade de enoturismo, com uma sala de provas e uma cozinha de apoio, para podermos receber clientes e visitantes. Sentimos crescentemente a necessidade de fazer provas e degustações, até como forma de apoio à vertente comercial dos nossos distribuidores estrangeiros”, diz Dialina Azevedo. No futuro, a empresa admite incluir estada nos seus pacotes de oferta de enoturismo, mas há que dar passos seguros: “Não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo, o nosso foco principal é o vinho. O enoturismo, para nós, é uma forma de as pessoas que nos visitam se sentirem em casa”, acrescenta. Já Alexandre Gomes sublinha que a nova área de negócios faz parte de uma “diversificação de atividades” que trarão “mais rentabilidade” ao projeto da A&D Wines.

Nova marca

Quanto aos vinhos, com a compra da nova propriedade, a empresa lançou novas referências no mercado, com as marcas Singular e Monólogo. “Os Monólogo são os nossos vinhos monocasta – arinto, avesso e chardonnay – produzidos a partir de parcelas específicas. O Singular é o nosso topo de gama. Desafiámos o nosso enólogo, o Fernando Moura, a selecionar as parcelas que mais lhe interessavam para fazer um vinho que traduza o que de melhor fizemos na vinha nesse ano. Por natureza, estes vinhos serão diferentes de ano para ano”, explica Alexandre Gomes. Logo no primeiro ano, o Singular recebeu 91 pontos pelo conceituado crítico de vinhos americano Robert Parker.

Já em 1991, quando herdou a Quinta do Arrabalde, o casal decidiu reestruturar os 5,5 hectares de vinha, apostando em castas autóctones da região: o avesso, o arinto e o alvarinho. “Não pretendíamos fazer disto uma atividade profissional, só não queríamos a propriedade abandonada e, por isso, decidimos renovar a vinha, sempre numa perspetiva de autonomia, para que cobrisse os custos de manutenção”, diz Alexandre Gomes. Em 2005, compraram a Quinta dos Espinhosos (passaram a gerir 12 hectares de vinha) e juntaram as iniciais dos seus nomes para criar a A&D Wines.

Em 2007 lançaram o primeiro vinho de marca própria, o Casa do Arrabalde, e, dois anos depois, surge o Espinhosos.

Mas foram surpreendidos pela crise. “Com restaurantes a fechar, a economia a cair, ninguém queria ouvir falar em marcas novas”, lembra Alexandre. A alternativa era chegar aos mercados externos e o casal pôs-se a caminho da Prowein, a maior feira do setor na Europa. As encomendas começaram a chegar e “os anos seguintes foram de consolidação, mas, ainda hoje, mantemos o primeiro cliente que conseguimos, na Bélgica”, conta Dialina Azevedo. Com 15 mil garrafas, o vinho não chegava para as encomendas. “Começámos a perceber que não tínhamos área produtiva suficiente para dar resposta à procura internacional, mas, ao mesmo tempo, a Adega de Baião estava ‘pelas pontas’ e não tinha capacidade para receber mais uvas”, acrescenta. Para dar mais dimensão ao projeto e ganhar massa crítica, Alexandre e Dialina compraram então a Quinta de Santa Teresa, em 2015.

A aquisição permitiu quadruplicar a área de vinha, para um total de 45 hectares. Um investimento que, a prazo, pode chegar aos sete milhões de euros. O casal de empreendedores aguarda o licenciamento da obra para poder arrancar com a remodelação e a ampliação da velha adega na propriedade.

Olhar para fora

Com uma produção de 150 mil litros, o objetivo da A&D Wines é chegar às 350 mil garrafas anuais, meta que pretendem atingir no prazo máximo de quatro anos. No ano passado, o mercado nacional representou, apenas, 5% das vendas, mas a associação à Decante, que tem agora o exclusivo da distribuição em Portugal, fez quadruplicar a quota no país.

Japão, Europa, com especial destaque para a Bélgica, e os Estados Unidos são os principais mercados da A&D Wines. Os vinhos são produzidos em modo de produção integrada e a empresa está a fazer a conversão para produção biológica. “Os mercados internacionais olham para este selo como uma mais-valia e é uma tendência crescente no mundo dos vinhos de referência”, diz Alexandre Gomes. Ao mercado chegou a última novidade da empresa, o Monólogo Essência Avesso, que resulta de uma maturação extrema das uvas, “só possível em anos de condições climáticas especiais”. Como foi 2015.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Pestana-Casino-Park

Grupo Pestana investe 50 milhões para construir “hotel sustentável” no Algarve

Foto: JOOST DE RAEYMAEKER/LUSA

Angola: João Lourenço “esquece” Portugal na lista de países importantes

Fotografia: Direitos Reservados

Uma nova aliança Portugal-Angola?

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Da vista do Vinho Verde para o Douro até ao enoturismo