Recursos Humanos

Dados são a nova bola de cristal para o recrutamento

Gonçalo Vilhena, chief information officer (CIO) da Randstad.
(Diana Quintela / Global Imagens)
Gonçalo Vilhena, chief information officer (CIO) da Randstad. (Diana Quintela / Global Imagens)

Randstad fez chegar ao mercado ferramenta que pretende ajudar as empresas no processo de recrutamento, tirando partido de todo o potencial dos dados.

Todos os meses, os 350 consultores da Randstad em Portugal fazem 11 mil entrevistas a possíveis candidatos, que podem ser distribuídos por 79% dos setores de atividade para quem a empresa faz recrutamento. Os números são partilhados por Gonçalo Vilhena, chief information officer (CIO) da Randstad, enquanto mostra ao Dinheiro Vivo a nova solução desenvolvida pela empresa.

“Chamamos-lhe xPT por trazer a nossa experiência de dados sobre pessoas e recursos humanos em Portugal. Temos experimentado muito ao longo dos anos e decidimos transformar a solução num produto, porque já víamos o impacto que tinha nos clientes em que estamos a usar esta abordagem, que passaram a tomar decisões estratégicas mais informadas.”

Desenvolvida internamente, recorrendo a uma equipa de data scientists, só agora é que a empresa de recursos humanos descreve a solução como “madura” para chegar ao mercado.

A plataforma é alimentada por dados da própria Randstad, resultantes das candidaturas e contactos com os candidatos, mas também “bebe” de fontes de informação como o INE, IEFP ou até dados da APESPE RH, a associação do setor dos recursos humanos em Portugal, que trabalha para elaborar um barómetro sobre o trabalho, em parceria com o ISCTE.

Na plataforma, que pode ser personalizada à medida dos desejos da empresa recrutadora, é possível visualizar vários vetores, desde as ofertas de emprego disponíveis em Portugal, valores médios de salário por trabalho, formação ou até que aspectos são mais valorizados pelos candidatos em determinadas faixas etárias. A partir destes dados, a empresa aponta que é possível trabalhar outros conceitos, como a comunicação adaptada para determinado tipo de candidatos, tendo já em conta as condições mais valorizadas.

Esta não é a única previsão possível da xPT. Para Gonçalo Vilhena, qualquer transformação, inclusive a digital, obriga a perceber que tipo de perfis é que estão disponíveis no mercado e que tipo de profissionais serão precisos no futuro. Por isso, com os dados sobre a formação, que incluem números sobre quantos profissionais estão a ser formados em instituições de ensino e a que velocidade chegam ao mercado, as empresas podem alinhavar estratégias para apostar no conceito de requalificação, por exemplo. “Conseguimos ver quais são as áreas que têm muita procura mas em que não há praticamente oferta”, avança Gonçalo Vilhena, recordando casos em que já foi possível apostar na requalificação. “Já fizemos, por exemplo, [requalificação] para programadores de OutSystems”, a linguagem de low-code que permite o desenvolvimento rápido de aplicações. Também aqui a Randstad fala em futuro. “A requalificação é um conceito muito importante. Fala-se muito dos 900 mil postos de trabalho que vão desaparecer devido à inteligência artificial e automação, mas também é preciso ter estratégias para reconverter as pessoas”, sublinha o CIO da Randstad.

“Até agora, ligávamos a oferta e a procura. No futuro, vamos ser muito mais decisivos naquilo que é este encaixe, vamos ter a noção perfeita sobre aquilo que é o potencial da oferta e da procura.”

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