Dar a volta ao desemprego: Como financiar uma ideia

Crowdfunding financiou 100 mil projetos
Crowdfunding financiou 100 mil projetos

Com a crise económica a agudizar, os bancos estão cada
vez mais a apertar o financiamento às empresas, e muitos
empreendedores estão a
ficar com cada vez mais dúvidas sobre como angariar dinheiro
para abrir o seu
negócio.

Os
business angels são investidores individuais de capital de risco e “investem, diretamente ou através de sociedades veículo, no capital de empresas com potencial de crescimento e valorização. Além do investimento monetário, contribuem, também, com conhecimentos técnicos ou de gestão bem como redes de contactos”, segundo o Guia Prático do Capital de Risco do IAPMEI.

Estes investidores podem ser uma alternativa viável de
financiamento aos bancos e o Dinheiro Vivo foi falar com Francisco Banha,
presidente da Federação Nacional de
Associações de Business Angels, Gonçalo Moreira Rato da
Associação Portuguesa
de Business Angels e Ricardo Luz da Invicta Angels para saber
tudo sobre como
os empreendedores podem financiar o seu negócio.

Tenho
uma ideia de negócio, uma micro empresa, mas os
bancos estão a cortar o financiamento. Quais são as
alternativas?

A
primeira pergunta que um
empresário deve colocar-se quando quiser abrir um negócio é qual
o tipo de empresa
que pretende abrir, explica Francisco Banha, presidente da
Federação Nacional
de Associações de Business Angels (FNABA). “Diferentes fontes de
financiamento
aplicam-se a diferentes tipos de negócio. Temos actualmente um
mercado
amadurecido que disponibiliza financiamento praticamente sob as
mais diversas
formas. Por vezes a oferta pode não corresponder à procura mas
essa é a falha
que devemos procurar colmatar ao chamar a atenção para as
medidas que devem ser
implementadas”.

Ricardo
Luz, presidente da
Invicta Angels, afirma que a situação económica actual não está
a ajudar porque
“os bancos estão a cortar o financiamento às empresas, em geral
e em especial
às empresas de menor dimensão, e entre estas as start-ups que
têm ainda maiores
dificuldades, pois não tem histórico de negócio nem resultados
passados que
garantam alguma segurança às entidades financiadoras”. O
responsável pela
associação portuense aponta que a “solução terá que vir, cada
vez mais, dos
promotores, que terão que ser capazes de atrair capital para o
seu negócio,
seja o seu próprio ou de familiares e amigos, ou de terceiros,
onde se incluem
os business angels”.

“As
alternativas são obter
um financiamento através dos business angels ou de empresas de
capital de
risco. Para uma ideia de negócio ou uma start-up os business
angels são a
melhor alternativa até porque podem ajudar na gestão da empresa
ou do negócio”
explica ao Dinheiro Vivo o presidente da Associação Portuguesa
de Business
Angels (APBA), Gonçalo Moreira Rato.

Francisco
Banha diz também
que além do financiamento bancário existem outras ferramentas
que podem
constituir uma solução: O leasing que “pode assumir um papel
muito importante
na flexibilização de custos de viaturas, equipamento informático
ou outros
equipamentos, como o software; o micro-crédito é adequado para
empreendedores
que pretendem criar o seu posto de trabalho e faz parte da
oferta de muitos bancos,
estando disponível para quem mostrar competências na área de
actividade que
quer implementar; e o capital de risco faz também parte do leque
de opções,
nomeadamente os investimentos de baixo montante que são
disponibilizados pelos
mais de 500 business angels portugueses. Esta é uma opção
limitada a um grupo
muito restrito de empresas que apresentam um potencial de
crescimento que
compensa o risco do investimento em fases muito iniciais (e
imprevisíveis) de
desenvolvimento”.

Existem linhas de crédito do Governo?

“As iniciativas de que tenho melhor conhecimento são
especialmente
dedicadas à criação de emprego e visam sobretudo desempregados e
jovens que procuram
criar o seu posto de trabalho e que acreditam nas suas
competências”, começa
por explicar o presidente da FNABA que aponta duas soluções:

1
– A linha protocolada
entre a Caixa Geral de Depósitos, o Instituto de Emprego e
Formação
Profissional (IEFP), as Sociedades de Garantia Mútua (SGM) e a
Sociedade de
Investimento (SPGM) que permite financiamentos bonificados de 7
anos até 100
mil euros, Microinvest e Invest+.

2 – O FINICIA Jovem, do Instituto Português da Juventude que
“permite a concessão
de micro crédito até 25 mil euros com taxas de juro atractivas a
jovens
desempregados ou “sub-empregados” que preenchem uma série de
requisitos que
infelizmente correspondem a muitos jovens portugueses”.

Gonçalo
Moreira
Rato explica que “através
do COMPETE/QREN existem
linhas de apoio ao financiamento dos business angels e do
capital de risco”.

Ouço falar de business angels. Mas onde é que estão? Como é
que consigo lá
chegar?

“Se há 5 anos podíamos considerar os business angels quase como
um “mito”, tão
difícil era encontrar investimentos onde estes estivessem a
participar, hoje só
não os vê quem não os procurar”, afirma Francisco Banha,
acrescentando que “o
fundo de co-investimento criado para business angels e dotado de
42 milhões de
euros está particularmente a mudar o comportamento destes e a
fazê-los dar um
destemido passo em frente, o que é visível nos 6 milhões de
euros já investidos
em 2011”.

O
responsável da FNABA revela que os business angels que
representa estão a
investir “em diferentes sectores e regiões e com 36 milhões de
euros para
aplicar até 2013” e espera garantir “que todos os projetos que
sejam
apresentados a qualquer uma das sociedades veículo que foram
criadas, 54 no
total, ou às associações de business angels – ambas listadas no
site da FNABA – e que apresentem uma equipa competente e uma
proposta de
investimento credível e ambiciosa tenham a oportunidade de obter
o
financiamento de que necessitam”.

O site da Invicta Angels é ideal para começar a
procurar mais
sobre business angels, afirma Ricardo Luz.

“Os business angels
estão hoje
espalhados pelo pais, muitos deles organizados em associações,
como é o caso do
Invicta Angels, onde quarenta business angels seus associados,
empresários e
quadros superiores das principais empresas da região, em
parceria com a Caixa
capital – Sociedade de Capital de Risco e o Compete, gerem
actualmente oito
fundos de investimento, no total de seis milhões de euros,
destinados a
investir em empresas com elevado potencial de crescimento”.

Gonçalo Moreira Rato aponta o site
da APBA
“onde podem ser incluídos
os projectos ou
ideias de negócio no programa que temos específico para o
efeito. Posteriormente
o projecto será analisado pela Comissão de Gestão de
Candidaturas e contactados
os empreendedores”.

O responsável da FNABA, Francisco
Banha, deixa também
um conselho para os empresários que procuram este tipo de
financiamento porque
o mesmo “não se aplica a todas as empresas”. “É preciso ter uma
proposta forte
e um modelo de negócio adequado ao que estes investidores
procuram. Por esse
motivo o acesso a serviços profissionais proporcionados por
empresas privadas,
universidades, centros de empreendedorismo ou agências de
desenvolvimento podem
fazer a diferença não só no apoio na preparação do plano de
negócios mas também
na identificação do tipo de financiamento ou até dos
investidores mais
adequados a abordar”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Dar a volta ao desemprego: Como financiar uma ideia