Fórum Económico Mundial

Davos debate risco de “confrontos políticos entre grandes potências”

Fotografia: REUTERS/Arnd Wiegmann
Fotografia: REUTERS/Arnd Wiegmann

O evento arranca sem os líderes de França, Emmanuel Macron, Reino Unido, Theresa May, e Estados Unidos, Donald Trump

A edição de 2019 do Fórum Económico Mundial arranca esta terça-feira em Davos e em cima da mesa estarão em análise e debate muitos dos riscos globais já apresentados este mês pelo relatório Global Risks Report, também ele apresentado na cidade suíça, com a presença do próprio presidente do Fórum Borge Brende.

Dedicado ao tema Globalização 4.0, e às respetivas consequências dessa mesma globalização, o evento acontece este ano numa altura em que a situação económica e política a nível internacional levanta dúvidas sobre o futuro, com a manifestação dos coletes amarelos em França, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (brexit) e o plano do presidente americano Donald Trump para construir um muro na fronteira com o México.

Com 3.000 participantes, entre os quais mais de 60 chefes de Estado e do governo, o Fórum de Davos também conta com centenas de líderes das empresas mais influentes em cerca de duas dezenas de indústrias. A Europa estará ainda representada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e pela chanceler alemã, Angela Merkel. O evento arranca no entanto sem os líderes de França, Emmanuel Macron, Reino Unido, Theresa May, e Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com relatório, 85% dos inquiridos esperam que 2019 envolva o aumento dos riscos de “confrontos políticos entre grandes potências”.

Uma fragmentação que comprova a principal conclusão do Global Risks Report: a fraca cooperação internacional prejudicará a vontade coletiva internacional de enfrentar riscos globais. “A capacidade do mundo em promover ações conjuntas face às grandes crises urgentes atingiu níveis críticos, com o agravamento das relações internacionais que impedem uma ação face aos graves e crescentes desafios. Enquanto isso, uma perspetiva económica sombria, em parte causada por tensões geopolíticas, parece destinada a reduzir ainda mais o potencial para a cooperação internacional em 2019”, refere a Marsh, consultora em gestão de riscos, em comunicado.

Diz o relatório que o aumento das tensões geopolíticas e geoeconómicas são os riscos mais urgentes em 2019, com 90% dos especialistas a afirmar que esperam um maior confronto económico entre as principais potências em 2019. Já a degradação ambiental é o maior risco a longo prazo, com quatro dos cinco principais riscos globais mais impactantes em este ano relacionados com o ambiente (perda de biodiversidade; eventos climáticos extremos; fracasso na mitigação e na adaptação às alterações climáticas; desastres ambientais provocados pelo homem e catástrofes naturais). Por último, surgem as ameaças cibernéticas e tecnológicas, em rápida evolução.

“O Global Risks Report aponta soluções para mitigar estes riscos. O Fórum tem de trazer à discussão uma tomada de decisão sobre as infraestruturas, por exemplo, que têm de ser reforçadas para resistir aos impactos ambientais. Outro tema em destaque são os acordos ambientais que não estão a ser cumpridos. Não podemos fugir das mudanças ambientais. As metas de Paris têm de ser cumpridas. Além disso, o debate passará também pela regulamentação do uso da tecnologia e biotecnologia. Os países já perceberam que têm de controlar as tecnologias se querem ter segurança da sua informação”, disse ao Dinheiro Vivo Fernando Chaves, consultor da Marsh Portugal.

Com a globalização em destaque em Davos, o especialista, explica que já ficou provado que “assistimos a um fracasso na capacidade de a globalização conseguir nivelar as condições de vida no mundo”.

Fernando Chaves alerta ainda para a necessidade de um investimento global e massivo em infraestruturas urbanas “sob pena de colapso das mesmas, porque não estão preparadas para o mundo moderno a nível ambiental”. “As principais cidades são à beira mar e vão sofrer com a subida do nível das águas, mas mesmo Paris, que fica no interior será muito afetada por via do Sena”, diz o especialistas. “A escassez de investimento em infraestruturas críticas, como o transporte, pode levar a avarias em todo o sistema, bem como a exacerbar os riscos sociais, ambientais e de saúde que lhe estão associados”, diz o Global Risks Report.

Global Risks Report 2019 – Top 5 Riscos por Probabilidade
1. Eventos Climáticos Extremos (por exemplo, inundações, tempestades, etc.)
2. Fracasso na mitigação e adaptação às alterações climáticas
3. Grandes Catástrofes Naturais (por exemplo, terramotos, tsunamis, erupções vulcânicas, tempestades geomagnéticas)
4. Incidentes massivos de fraude/roubo de dados
5. Ataques cibernéticos em grande escala

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