DBRS põe rating do Novo Banco sob vigilância com implicações negativas

Decisão da agência canadiana surge na sequência da venda do banco e do "exercício de gestão de passivos envolvendo as obrigações sénior" do banco.

A agência financeira canadiana DBRS ameaçou cortar o rating do Novo Banco, já em ‘lixo’, caso a troca de obrigações que faz parte do acordo para a venda do banco seja considerada “coerciva”. Para já, colocou o banco presidido por António Ramalho sob viligância, com implicações negativas.

O risco para os detentores de obrigações aumentou pelo facto de o acordo, de final de março, para a venda da maioria do capital do banco ao fundo norte-americano Lone Star implicar uma troca de obrigações com eventuais penalizações para os detentores dos títulos, detalha a agência.

O Banco de Portugal comunicou, a 31 de março, que, como parte do processo de venda do Novo Banco, será feito um exercício de gestão dos passivos junto dos obrigacionistas seniores com o objetivo de recapitalizar o banco em pelo menos 500 milhões de euros.

Ainda não é conhecido o que implicará a troca de obrigações, cuja proposta será feita aos detentores de 3000 milhões de euros destes títulos ‘vivos’ no balanço do Novo Banco, podendo ser proposto um corte de juros ou aumento de maturidades dos títulos ou até uma solução que implique as duas modalidades. Ou, também, uma redução do preço da obrigação.

Os obrigacionistas serão confrontados com o dilema de, caso não aceitem a solução proposta, o Novo Banco poder ser liquidado, com implicações também para os seus investimentos. Esta semana, o ministro das Finanças disse que a transformação de dívida dos obrigacionistas do Novo Banco será “voluntária”, mas admitiu que perdas são uma peça do acordo com a Lone Star.

A DBRS, a única agência financeira que não classifica o rating de Portugal de lixo, é clara: durante o período em que a classificação do Novo Banco estará sob vigilância, e que “não pode exceder os três meses”, irá focar-se nos termos e condições do exercício de gestão de passivos envolvendo as referidas obrigações sénior. Depois, pode baixar o rating de CCC para D’ caso a “metodologia da oferta seja considerada coerciva para os detentores das obrigações”.

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