Encontros 560

De esgotos das cidades a combustíveis limpos

Fotografia: Arquivo/Global Imagens
Fotografia: Arquivo/Global Imagens

A Dourogás está a investir 1,5 milhões de euros na produção de biogás que pode ser usado por veículos pesados

O gás natural não é um recurso renovável, apesar de ser uma fonte de energia limpa. É extraído de jazidas de metano, mas não é inesgotável, tal como o petróleo. Uma empresa portuguesa nascida há 23 anos no Douro pelas mãos de dois engenheiros do Porto descobriu uma forma de produzir gás natural a partir de fontes renováveis como os esgotos das cidades. Falamos da Dourogás, empresa de distribuição de gás natural e que também comercializa eletricidade através da Goldenergy. A empresa portuguesa está a apostar em dois projetos na área do biogás e prepara-se para exportar os seus serviços de venda de eletricidade e gás natural no mercado liberalizado espanhol.

Durante os Encontros 560 desta semana, organizados pelo Ministério da Economia com parceria com o Dinheiro Vivo, o presidente executivo da Dourogás e CEO da Goldenergy, Nuno Afonso Moreira, explicou que o grupo está a fazer um investimento de 1,5 milhões de euros no aproveitamento de metano de uma central de valorização orgânica de resíduos sólidos urbanos. Usando o metano dos resíduos (cerca de 99%) e submetendo-o a uma pressurização, a Dourogás tenciona gerar gás natural renovável para usar como combustível nos camiões que fazem a recolha dos resíduos urbanos. Apoiado pelo Fundo de Apoio à Inovação, o Biogás Move em Mirandela começou há cerca de um ano e deve estar concluído até final de 2017, disse o responsável ao Dinheiro Vivo.

Outro projeto em investigação, mas ainda sem data para arrancar, é o Bio-Hytech que está orçado em 3 milhões de euros. A ideia é dar continuidade ao ciclo de biogás criado com o Biogás Move. “A partir do biogás, a Dourogás pretende gerar hidrogénio, que, por sua vez, irá gerar eletricidade”, explica Nuno Moreira, engenheiro mecânico e especialista em energia. Foi o primeiro colaborador da Dourogás em 1994 e seis anos depois viria a entrar no grupo como sócio.

O combustível do futuro

Além da aposta no biogás e na expansão da rede de distribuição de gás natural para que chegue a mais concelhos, que no período de 2016-2020 deverá receber um investimento de 58 milhões de euros, a empresa de Vila Real acredita no gás natural para veículos como o combustível do futuro. “Somos o principal operador para Portugal de gás natural para veículos”, disse o orador convidado durante o debate moderado por Paulo Baldaia, diretor do Diário de Notícias. “O GNV tem um custo de consumo 40% inferior ao diesel e é menos poluente.” Como esta energia tem um papel determinante na redução de custos de transporte de mercadorias, que têm um impacto direto no custo das nossas exportações, Nuno Moreira alerta para a necessidade de rever o valor do imposto sobre este combustível que, em Portugal, é três vezes superior ao de Espanha e cinco vezes ao de França.

Graças ao mercado liberalizado da eletricidade, a empresa prepara-se ainda para a expansão internacional da Goldenergy, passando a vender eletricidade e gás natural em Espanha. Mais um passo arrojado, mas assegurado já que a operação em Portugal, segundo a mesma fonte, foi bem-sucedida – “em 2016, 60% dos clientes que mudaram de comercializador escolheram a Goldenergy”- e que ganharam novos sócios com a entrada da empresa pública suíça Axpo no capital (25%) da Goldenergy.

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