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De Portugal para o mundo: Bosch investe em soluções de mobilidade

Visita de Angela Merkel à Bosch em Braga. A chanceler alemã foi
acompanhada pelo primeiro-ministro António Costa.
(Artur Machado/ Global Imagens )
Visita de Angela Merkel à Bosch em Braga. A chanceler alemã foi acompanhada pelo primeiro-ministro António Costa. (Artur Machado/ Global Imagens )

Um dos maiores empregadores especializados do país, o grupo alemão está a testar soluções de comunicação entre carros e condução autónoma.

Os investigadores da Bosch em Braga estão a testar soluções de comunicação entre carros para o futuro mercado dos carros autónomos. Carlos Ribas, o representante da empresa alemã em Portugal, explicou ao Dinheiro Vivo que estes testes têm em vista a aplicação global das tecnologias que vierem a ser desenvolvidas e testadas com sucesso.

“A Bosch adquiriu, inclusive, uma viatura de testes para instalar as soluções que está a desenvolver em Braga.” Embora as infraestruturas tenham de ser preparadas para incorporarem este tipo de soluções de conectividade e sensores, Carlos Ribas refere que “vários stakeholders estão recetivos a investir e contribuir para o futuro da mobilidade autónoma”. A unidade de Braga tem mais de 300 engenheiros e é uma das três instalações de Investigação & Desenvolvimento que a Bosch opera em Portugal.

Novas tecnologias de comunicação entre carros, cujos primeiros testes públicos foram para a estrada neste ano na autoestrada da Baviera, Alemanha, permitirão perceber quais as necessidades das infraestruturas inteligentes que irão auxiliar os carros autónomos. “O que preocupa a Bosch e o que queremos trabalhar é a possibilidade de tornar a utilização dos veículos 100% segura e autónoma (nível 5)”, explica. “Para que isso aconteça não é necessário apostar apenas nos automóveis. É necessário trabalhar no sentido de dotar esses automóveis de uma capacidade de aprendizagem, que comuniquem entre si e que comuniquem com a infraestrutura onde estão inseridos.”

Sendo um projeto-piloto pioneiro, a ideia dos testes na Baviera é demonstrar a importância e eficácia da tecnologia veicule to infrastructure e da importância de ter veículos e infraestruturas interligados. De acordo com a consultora Gartner, as soluções V2V (veículo a veículo) e V2I (veículo a infraestrutura) serão o segmento de mais rápido crescimento no que toca a investimentos em Internet das Coisas até 2022, com um salto anual de 29%.

Os resultados dos projetos-piloto servirão também para auxiliar os projetos que estão a ser feitos em Braga, visto que a mobilidade é um dos principais focos da empresa neste momento. “A Bosch em Braga é uma das unidades de referência no desenvolvimento de soluções para a área da mobilidade conectada e autónoma”, garante Carlos Ribas. Está a desenvolver sistemas multimédia conectados e sensores destinados a este segmento, que nos últimos anos se tornou uma das prioridades para construtoras automóveis e empresas de tecnologia.

A importância da unidade de Braga reflete-se na parceria com a Universidade do Minho e está a ser concretizada através do projeto Innovative Car HMI. Em julho, as duas entidades apresentaram os resultados da segunda fase da parceria, que totalizou um investimento total de 54,7 milhões de euros.
É um programa conjunto em que estão a ser investigadas e desenvolvidas soluções para a mobilidade autónoma do futuro. No ano passado, a Brisa deu luz verde à empresa para a utilização de dois carros (BMW e Renault) para testar condução autónoma em troços da autoestrada encerrados ao público. O Innovative Car HMI, que tem apoio financeiro da União Europeia, envolve cerca de 30 projetos e 400 pessoas. Vai agora para a terceira fase, com um investimento previsto de cerca de cem milhões de euros.

Num contexto mais alargado de cidades inteligentes e Internet das Coisas, a empresa concebeu algumas soluções para ligar os veículos às casas e às infraestruturas. É o caso do sistema que permite ao carro abrir a garagem, ligar o aquecimento e preaquecer o forno. Estão também a ser trabalhadas soluções de conectividade com e-bikes, máquinas de vending para bilhetes de transportes públicos, parques de estacionamento e comboios.

Visão Zero
É o que a Bosch chama à sua estratégia para o futuro da mobilidade – “zero acidentes, zero emissões, zero stress”. A Visão Zero está a ser implementada também em Portugal, onde a empresa tem em curso 14 projetos para as cidades inteligentes. De acordo com Carlos Ribas, metade destes projetos incluem soluções de mobilidade urbana: estacionamento e condução autónoma, gestão de frotas, transporte multimodal e mobilidade elétrica.

“Conseguimos rentabilizar a capacidade das autoestradas, reduzindo o espaço de circulação entre veículos, referindo-se especificamente à condução autónoma. E sublinha que, sendo o trânsito e a sinistralidade rodoviária problemas significativos em Portugal, a intenção é “reduzir drasticamente estas situações” através de tecnologia que reduza o envolvimento humano. É um propósito global, enunciado em todas as iniciativas ligadas a estas soluções, mas que ainda carece de confiança do público. Os recentes acidentes com carros Tesla em piloto automático e com o carro autónomo da Uber, que fez uma vítima mortal, não ajudaram a melhorar a perceção sobre estes sistemas.

Carlos Ribas tem noção de que este é um processo que vai demorar algum tempo “e também passa pela mudança de consciência de todos.”

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