Deco Proteste pede intervenção do Ministério do Ambiente. Há uma pandemia de embalagens desnecessárias

Excesso de embalagens e materiais de acondicionamento, muitos não recicláveis, foram alguns dos problemas detetados pela Deco Proteste.

Comprou um artigo online e a sua casa chegou uma embalagem com tamanho XXL ou com muito papel e plástico a acomodar o produto. A Deco Proteste testou 18 lojas online, nacionais e internacionais, e não ficou satisfeita. É "indispensável que o Ministério do Ambiente intervenha e regule as questões associadas ao excesso de embalagem, abrangendo igualmente o comércio online".

A Deco Proteste comprou 25 produtos - uma Pen USB e uma frigideira - em mais de uma dezena de lojas online e analisou as embalagens usadas no transporte. "Mistura de diferentes materiais - cartão, papel e plásticos -, alguns sem possibilidade de reciclar, e em demasiada quantidade, bem como caixas muito volumosas foram os principais problemas detetados".

Peso, volume e materiais usados foram os elementos analisados e a maioria das lojas não passa bem no teste. "O envio das frigideiras revelou maior quantidade de maus exemplos, e nenhuma embalagem se aproximou do ideal. Em geral, não estavam adaptadas às medidas e ao formato do produto e incluíam muitos materiais complementares desnecessários. As melhores soluções foram apenas aceitáveis e metade foi considerada má", diz a Deco Proteste.

No caso da frigideira das 12 lojas analisadas - AliExpress, Amazon.es, Bestprice, El Corte Inglês, Jom, Pollux, Digital Place, Ebay.es, Ikea, MBIT, Rádio Popular e Euronics - apenas 6 obtiveram três estrelas em cinco possíveis na avaliação global da Deco Proteste. A Euronics é a que apresenta o pior desempenho.

No caso da pen USB três lojas online - Amazon.es, Rádio Popular e Worten - registaram a pontuação máxima, com 7 a receberem três estrelas, e duas lojas apenas duas estrelas. O pior desempenho é da MBIT.

O ano passado as compras online aumentaram na ordem dos 40%, segundo os dados da SIBS, com a pandemia a empurrar as compras online. Foram milhões de encomendas transportadas, sobretudo entre novembro e o Natal.

"É necessário melhorar as embalagens usadas no comércio online. A maioria apresentava dimensões demasiado elevadas para o produto que envolvia; foram usados materiais de enchimento que apenas serviam para preencher espaços vazios; foram coladas bolsas de plástico para documentos que poderiam vir dentro da embalagem; e recorreu-se a materiais que eram difíceis de separar ou nem sequer se podiam reciclar", descreve a Deco Proteste.

Um excesso de embalagens, com materiais muito deles excessivos com impactos ambientais. Uma situação que não só penaliza os consumidores, "obrigando-os a maior produção de resíduos e a deslocações mais frequentes aos ecopontos", como são igualmente prejudiciais para as autarquias - "alguns destes resíduos acabarão em aterros" - e para os produtores e distribuidores "que têm mais despesas decorrentes de embalagens desnecessárias e mais pesadas e volumosas", alerta a Deco Proteste.

"E existe o impacto acrescido para o ambiente resultante de não-otimização das embalagens, o que significa que são utilizados mais materiais do que os indispensáveis, passa a existir a necessidade de encher as caixas de cartão com plásticos ou outros materiais para acondicionar melhor o produto, são necessários mais circuitos de entregas, aumenta a frequência de circulação e, consequentemente, a pegada ambiental", sintetiza.

Agrupar as compras feitas pelo mesmo cliente, para fazer apenas um envio, optar apenas pelas embalagens recicláveis e necessárias, manter uma publicidade responsável que não incite as compras por impulso são algumas das recomendações feitas pela Deco Proteste às plataformas de venda online. Mas também às transportadoras. Estas "devem melhorar a gestão da frota, otimizando as deslocações, como fazer recolhas em locais próximos das entregas", mas também "optar por veículos com baixas emissões ou elétricos" e criar "sinergias com outros operadores com vista a uma gestão de encomendas conjunta, dentro das cidades."

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