Tecnologia

Dell Technologies: Uma empresa à procura do próximo bilião de dólares

Dell Technologies World
Michael Dell, chairman e CEO da Dell Technologies, no evento organizado pela empresa em Las Vegas, EUA, em 2018. Foto: Dell

A empresa sabe que a procura por serviços e infraestrutura tecnológica é maior do que nunca. Equipa da Dell vai crescer em Portugal.

Durante a apresentação principal do evento Dell Technologies World, o diretor executivo da empresa, Michael Dell, usou um número redondo para chamar a atenção de todos o que estavam a ouvi-lo. “Até à data já faturamos mais de um bilião de dólares”. Não são todas as empresas que se podem gabar de fazer um bilião de dólares em vendas ao longo da sua história, mas o facto de a Dell já ter quase 35 anos de existência ajuda a contextualizar melhor o número.

O que se seguiu foi um verdadeiro ato de confiança: “Penso que o nosso mercado vai crescer até aos quatro biliões, cinco biliões, até aos oito biliões de dólares”, disse o CEO da gigante norte-americana. O que é que leva o executivo a fazer previsões tão ambiciosas? Toda a transformação tecnológica que está a acontecer e que vai precisar de uma gigante infraestrutura de suporte – com a Dell a ser um destes fornecedores -, e o facto de a empresa estar a crescer acima do antecipado.

Em 2015 a Dell anunciou a aquisição da EMC e o resultado gerou aquela que é uma das maiores empresas privadas de tecnologia do mundo. Se muitos previam uma integração difícil entre as partes, o mercado reagiu de maneira diferente. No ano fiscal de 2018 a Dell atingiu os 78,7 mil milhões de dólares em receitas, cerca de 65,7 mil milhões de euros, uma subida significativa face aos 61,6 mil milhões de dólares registados no ano fiscal de 2017.

“As nossas receitas são vários milhares de milhões de dólares superiores ao que planeámos, estamos a crescer mais rápido do que o planeado. (…) Os últimos 35 anos não são nada comparado com aquilo que nos espera à frente. Pensamos muito no futuro”, explicou Michael Dell.

A Europa Ocidental tem contribuído para este crescimento acelerado, como notou o O vice-presidente de negócio empresarial para a região, Stephane Pate. “Podemos dizer que o negócio na Europa Ocidental está ainda melhor do que a nível global. Há otimismo nas empresas privadas e também no sector público”.

Há ainda uma outra grande razão, segundo o executivo: na prática as empresas têm medo de ficar para trás caso não consigam integrar a economia digital nas suas estratégias.

Como um bom momento de mercado não se desperdiça, Nicolai Moreto, o vice-presidente e diretor-geral regional da Dell EMC para sete países europeus, incluindo Portugal, disse que a empresa está a contratar fortemente na Europa. Ao Dinheiro Vivo, o responsável adiantou que a equipa da Dell Technologies no mercado nacional cresceu 25% nos últimos 12 meses e que há outras contratações a caminho, sobretudo para reforçar a vertente de servidores.

O responsável disse ainda que esteve recentemente em Portugal, há duas semanas, para falar com o Governo Regional dos Açores sobre o seu processo de transformação digital. Por agora o encontro entre as partes é apenas classificado como uma negociação em curso, mas é um exemplo das oportunidades que a tecnológica tem desbravado na Europa.

Mudança de tom
Para suportar a ambição quase desmedida traçada por Michael Dell, a tecnológica apresentou em Las Vegas várias novidades que vão ajudar a cimentar a Dell como uma das referências na área dos servidores, armazenamento e virtualização. Já lhe falámos das novas estrelas da companhia, os servidores PowerEdge R840 e R940xa, talhados para projetos de inteligência artificial e aprendizagem automática, mas houve mais.

Uma das subsidiárias da Dell, a Vmware, está a fazer uma grande aposta no conceito de virtualização transversal – na prática tem uma ferramenta, a Vmware Workspace One, que permite aceder a aplicações e programas de calibre empresarial a partir de qualquer dispositivo, bastando para isso uma ligação à internet. Se instalar o Vmware Workspace One num iPhone, por exemplo, depois de feita a devida autenticação o utilizador pode ver e aceder no telemóvel às mesmas ferramentas com que trabalha no computador da empresa.

A estratégia da tecnológica passa cada vez mais por dar visibilidade às várias marcas do grupo, como a Vmware. Foto: Dell

A estratégia da tecnológica passa cada vez mais por dar visibilidade às várias marcas do grupo, como a Vmware. Foto: Dell

O exemplo da Vmware não foi escolhido ao acaso – é também um exemplo da nova postura que a Dell Technologies tem assumido perante os seus parceiros e clientes. Em vez de assumir-se como uma única e gigante empresa onde é possível encontrar quase todos os tipos de soluções de infraestrutura de TI, a Dell Technologies está a posicionar-se mais como uma empresa-mãe, um pouco à semelhança do que acontece com a Alphabet e a Google, por exemplo.

Durante o evento organizado pela tecnológica em Las Vegas, nos EUA, o nome Dell Technologies World apareceu dezenas de vezes a ‘sobrevoar’ um conjunto de outros sete nomes – Dell, Dell EMC, Pivotal, RSA, SecureWorks, Virtustream e Vmaware -, todas subsidiárias que fazem parte da família Dell.

A Pivotal, por exemplo, é a nova menina dos olhos de ouro da gigante norte-americana. A Dell Technologies acredita que o futuro da infraestrutura tecnológica será definido por software – ou seja, o cliente muda a estrutura mediante as suas necessidades através de software – e a Pivotal é uma das empresas direcionada para este mercado.

Pense na Pivotal como alguém que ajuda outras empresas a transformarem-se em empresas de software. Num estudo conduzido junto dos seus clientes, a Dell Technologies descobriu que dentro de cinco anos 80% das empresas querem ser “organizações de software”.

O consumo ainda importa
Apesar de estar ‘all in’ no mercado empresarial, a Dell Technologies continua a ter uma presença importante no mercado de consumo, sobretudo através das suas linhas de computadores portáteis e de gaming.

“Passaram quase 20 anos desde que a IBM disse que estávamos na era pós-PC. Desde então já foram vendidos mais de quatro mil milhões de computadores”, disse Michael Dell, num tom com alguma ironia à mistura. O executivo sabe em primeira mão que os relatórios sobre a morte do PC falharam por completo – em 2017, segundo dados da consultora IDC, foram vendidos 262 milhões de computadores, dos quais 39 milhões pertencem à Dell, o que torna a empresa na terceira maior marca de computadores a nível mundial.

A linha de computadores Dell XPS 13 tem ajudado a empresa a ganhar destaque no já maduro mercado dos computadores pessoais. Foto: Dell

A linha de computadores Dell XPS 13 tem ajudado a empresa a ganhar destaque no já maduro mercado dos computadores pessoais. Foto: Dell

Não há como negar que o mercado dos PC está em declínio e que quando falamos em plataformas de computação há cada vez mais opções a ter em conta: smartphones, tablets, relógios inteligentes, equipamentos de realidade aumentada ou realidade virtual.

O vice-presidente de engenharia, Ed Ward, confirmou em entrevista ao Dinheiro Vivo que a empresa está a “trabalhar com os fornecedores em novos formatos”. Em causa está um equipamento que foi mostrado num vídeo no evento Dell Technologies World – um tablet que os utilizadores podem dobrar ao meio. Sem confirmar especificamente que é este o novo produto em cima da mesa, o elemento da área de engenharia disse que “a ideia de teres alguma coisa dobrável, como um caderno, muda as regras do jogo, podes trazer sempre contigo”.

“Se conseguires um dispositivo daquele tamanho, mas que também tenha aquela sensação de papel, se juntares isso, tens um êxito. Os empresários querem algo que possam abrir, ter um grande ecrã e quem sabe um teclado. Os clientes estão interessados”, disse, referindo-se especificamente ao conceito de um tablet dobrável.

Um equipamento assim poderá não estar muito longe do mercado. Há inclusive rumores de que a Microsoft pode apresentar ainda em 2018 um dispositivo dentro desta linha de pensamento. “Aquilo que vamos ver daqui a cinco anos não terá nada a ver com aquilo que tínhamos há dez anos, mas ainda lhe chamaremos PC”, salientou.

Mesmo que este conceito inovador se materialize, para Portugal poderá não representar uma grande diferença. A Dell Technologies tem uma presença residual no mercado de consumo de computadores pessoais e o pouco que existe é sobretudo através de parceiros de canal. Nicolai Moreto explicou ao Dinheiro Vivo que isto deve-se acima de tudo a uma estratégia global definida pela empresa e que está focada essencialmente em dez grandes mercados.

“Portugal seria um mercado muito difícil”, concluiu o executivo.

O jornalista viajou a convite da Dell Technologies

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