Telecomunicações

Dense Air sobre 5G. “Não espero que as regras do leilão nos excluam”

Paul Senior, CEO da Dense Air
Paul Senior, CEO da Dense Air

Até ao final do ano, Paul Senior, CEO da Dense Air, acredita que haverá um acordo com Anacom para a reconfiguração do espectro detido pela empresa.

Há pelo menos 18 meses que a Dense Air e a Anacom têm vindo a falar sobre o espetro que a companhia controlada pela japonesa SoftBank tem licença até 2025. Uma faixa necessária para a implementação do 5G em Portugal e, cujo atraso na resolução de ‘libertação’ dessa faixa pelo regulador, motivou uma ação da NOS e da Vodafone.

Até ao final do ano, Paul Senior, CEO da Dense Air, admite que deverá haver uma resolução para o caso, estando em cima da mesa uma reconfiguração do espetro detido pela companhia. A empresa quer trabalhar com os operadores de telecomunicações nacionais, melhorando a qualidade da rede interior, em zonas onde a cobertura 5G não tem um bom desempenho.

A empresa, liderada por Tony Boyle em Portugal, promete fazer um investimento significativo no mercado nacional, “em euros será na ordem dos nove dígitos. O nosso objetivo é construir uma equipa local forte. Temos um modelo em que fazemos outsourcing do trabalho a fornecedores portugueses, então embora não tenhamos centenas de pessoas a trabalhar para nós, teremos centenas de pessoas envolvidas.”

A NOS e a Vodafone avançaram com uma ação contra a Anacom, acusando o regulador de não ter feito o seu trabalho no que toca à frequência detida pela Dense Air. Como comenta?

Obviamente, somos referidos nessa ação, por isso submetemos algumas informações aos tribunais, para clarificar alguns pontos. Mas não estamos nessa discussão.

Mas acredita que a Anacom fez o seu trabalho para o lançamento do 5G em Portugal?

Penso que é muito injusto. A Anacom emitiu uma licença (em 2010), que tem um determinado prazo (2025), não há nada de errado no processo que seguiram, não há nada de errado com essa licença. Embora perceba que a NOS e a Vodafone queiram avançar, não penso que a culpa seja da Anacom.

Referiu que têm vindo a conversar com a Anacom.

Tem havido conversas há pelo menos 18 meses, mas as negociações mais sérias têm sido este ano, porque foi este ano que começaram a ser mais específicos sobre as mudanças que querem feitas. O tema é que o espetro precisa de ser otimizado para 5G e não para tecnologias de geração anterior.

Está confortável com a proposta do regulador?

As conversas ainda não estão concluídas. Partilhamos e respondemos a muitas questões e a Anacom está a considerar.

Acredita numa resolução até ao final do ano?

Acredito que sim, para o bem de todos. O nosso modelo de negócio depende em que isto aconteça, por isso queremos fazer de tudo para facilitar o processo, mas igualmente, queremos um negócio quando este processo estiver concluído.

São um grossista. Com raras exeções, os operadores nacionais não partilham rede ou usam rede de terceiros. Quão confiante está no vosso modelo de negócio?

Fornecemos uma diferença estrutural ao custo de entregar serviço de alta capacidade no interior (indoor), porque é uma rede partilhada podemos ter um custo um terço menor do que cada um dos operadores individualmente pode fazer. Temos de ter economias de escala, e porque operamos em muitos países, obtemos a tecnologia a um preço massivamente mais baixo do que os operadores em Portugal alguma vez poderão aceder. Algumas das tecnologias foram criadas por nós, fizemos o I&D para que esta tecnologia fosse criada. Essa diferença estrutural significa que ou eles nos usam ou não o irão fazer, e nesse caso, Portugal acabará por ter uma cobertura indoor de 5G muito má. Temos a certeza que, no momento certo, irão adotar.

A mudança de frequências da TDT, para acomodar o 5G, é apontada para janeiro. Pensam começar a trabalhar seguindo esse plano?

Não estamos envolvidos com a frequência dos 700 MHz, não usamos essa frequência que é apenas usada por células macro, e é muito estreita. Penso que é útil para melhorar a cobertura móvel básica em zonas rurais, mas não irá entregar a banda larga gigabyte que requer o espetro 3.5.

Mas quando é que irá avançar com o vosso roll out?

No momento em que o plano de bandas estiver completo, e a nova configuração estiver definida, podemos começar de imediato. A tecnologia está pronta.

Não se vão focar apenas nas zonas urbanas.

Será em ambas as zonas (urbanas e rurais). Na Irlanda, neste momento, estamos a participar com uma empresa que está prestes a arrancar com plano nacional de banda larga. A empresa está a fibrar o máximo possível as zonas rurais, a determinada altura os valores económicos são muito caros e entramos nós com os nossos sistemas, fazendo a parte final com um rádio 5G. Testamos efetivamente o modelo nesse mercado e podemos trazer isso diretamente para Portugal.

Tem licença até 2025 para o espetro 3,5 Ghz. Quando houver leilão pensa concorrer para obter mais espetro?

Não colocamos nem de parte, nem decidimos se o vamos mesmo fazer. Precisamos de ver os documentos do leilão, as regras associadas.

DenseAIR-8

Suponhamos que as regras não o impedem de participar.

E se não o impedirem, como sabe temos muito espetro nas cidades, em Lisboa e Porto, mas muito menos nas zonas rurais, certamente iremos considerar se será a decisão certa para obter mais espetro nas zonas rurais.

Tomarão, então, essa possibilidade em consideração?

Precisamente, mas teremos de ver as regras, porque em outros países europeus, algumas vezes as regras são desenhadas para um tipo de modelo de negócio, se não for o nosso modelo não poderemos participar.

O antigo secretário de Estado das Comunicação, Souto Miranda, admitiu numa entrevista que preferiria um leilão apenas com operadores, grossistas, sem verticais. Seria um leilão justo?

Novamente, o nosso trabalho é complementar o que os operadores estão a fazer, precisamos de espetro para isso, se não o fizermos, as comunicações em Portugal ficarão mais pobres. Não espero que as regras do leilão nos excluam.

Operadores e fornecedores de tecnologia têm falado de um atraso no 5G em Portugal.

Não discordo que esteja atrasado, mas está atrasado quando comparado com outros países europeus? Não particularmente. Desde que o leilão aconteça rápido, penso que está bem.

O que é “rápido”?

Espero que o leilão se conclua o mais rápido possível em 2020, para que as primeiras implementações aconteçam em 2020. Obviamente, se o leilão derrapar para lá da metade do próximo ano, as pessoas poderão não ter a oportunidade de o fazer. Muitos dos lançamentos de 5G até ao momento têm sido apenas relações públicas. Não é uma implementação massificada. Em alguns países implementaram apenas sete estações base e dizem que fizeram um lançamento nacional de 5G. Não vou dizer o país, mas foi apenas marketing. Por isso, ninguém está ainda atrasado.

Diz que vão fazer ‘um investimento significativo’ em Portugal. Pode por um número no significativo?

Não posso, mas em euros será na ordem dos nove dígitos. O nosso objetivo é construir uma equipa local forte. Temos um modelo em que fazemos outsourcing do trabalho a fornecedores portugueses, então embora não tenhamos centenas de pessoas a trabalhar para nós, teremos centenas de pessoas envolvidas.

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