Depois dos Açores, Pestana vê 50% do condomínio na Madeira vendido até ao fim do ano

Negócio principal do Pestana continua a ser a hotelaria, mas o imobiliário tem vindo a crescer. Grupo estima necessidade de mais 800 pessoas a partir de março.

O ano de 2020 foi de má memória para o turismo. No caso do grupo Pestana, e apesar dos prejuízos devido à pandemia, houve uma surpresa positiva: o imobiliário. Após o primeiro confinamento de 2020, venderam 80 imóveis no Tróia Eco Resort e terminaram as vendas "porque não havia mais inventário", dizia em maio, José Theotónio, CEO do grupo. Tendo "visto a importância da área imobiliária", que representava 10% do volume de negócios antes da pandemia, o grupo definiu uma ambição: fazer crescer esta componente para 20% em três anos. E está a dar passos para acelerar em direção a essa meta. Um condomínio nos Açores já está vendido, adquiriram um projeto imobiliário na Madeira - e pretendem ter comercializado uma fatia até ao fim do ano -, têm dois projetos na Comporta e dois no Algarve, que ainda não estão aprovados.

O grupo concluiu no verão a compra do Madeira Palace por 45 milhões de euros, segundo noticiou o jornal Eco na altura. Em relação a esta operação, não se trata de uma aquisição para um hotel, mas para dois projetos imobiliários, explica José Theotónio ao Dinheiro Vivo. "O Madeira Palácio tinha três componentes: o antigo Madeira Palácio que vamos transformar em imobiliário; tinha, ao lado, já umas residências, que estamos a vender, e tem uma terceira componente que é um terreno junto à Praia Formosa. Nesse ainda não tocámos, mas provavelmente não será para imobiliário", diz.

As pessoas com ligações à Madeira, como elementos das comunidades espalhadas pelo mundo, representam alguma da procura pelos espaços, mas não só. Há também muitos madeirenses a comprarem. Em termos de negócio, o objetivo é claro: "esperamos vender mais de 50% até ao final deste ano. Já temos muitas vendas". Por outro lado, o grupo quer também captar os cidadãos de Portugal continental para a segunda fase. "Estamos a iniciar uma campanha junto de continentais que querem ter uma residência lá, porque na segunda fase - transformação do hotel na parte imobiliária - uma das componentes que podemos ter é uma parte de arrendamento turístico".

O grupo Pestana é originário da Madeira mas está longe de se limitar geograficamente. Os cem hotéis que tem estão espalhados por 16 países e no segmento imobiliário o grupo está na Madeira, mas também em Tróia, Algarve e Açores. Em Ponta Delgada, em São Miguel, o Pestana tem o condomínio Coliseu Residences, com 56 apartamentos - de T2 a T4. "Estamos a fazer toda a parte das escrituras que tem a ver com o projeto dos Açores - também já foi todo vendido", diz. "Estamos com dois projetos na área da Comporta, um mesmo na zona da Comporta, onde estamos a acabar de aprovar o projeto para começar as obras no próximo ano", acrescenta. Além disso, há dois projetos no Algarve, sendo um deles na zona de Ferragudo.

800 pessoas
A escassez de mão-de-obra não é um problema novo no turismo. A pandemia escondeu-o mas, com a retoma, a questão voltou a emergir. Recentemente, a Associação da Hotelaria de Portugal estimou que faltariam cerca de 15 mil pessoas na hotelaria. O Pestana conta necessitar de algumas centenas a partir de março, com a retoma, e o reabrir de resorts, que estão fechados por ser época baixa. "Temos unidades, como a pousada de Estremoz e a de Marvão, que estão fechadas por falta de pessoas. Não conseguimos encontrar. Quando retomar [a operação] em março vamos precisar de 800 a mil pessoas", diz.

Uma das vias para colmatar o problema, apontada pela AHP, passa por ir buscar trabalhadores ao estrangeiro, a países como Cabo Verde e Filipinas. O líder do grupo Pestana admite que ir buscar trabalhadores ao estrangeiro "vai ter de ser uma opção". "Há emigrantes que querem vir para Portugal. Muitos saíram por causa da crise pandémica. E se conseguirmos atraí-los novamente é positivo, mas temos de olhar para dentro. E atrair os portugueses e jovens. Para isso, é preciso valorizar os profissionais do turismo", salienta.

Além da valorização das profissões, é preciso dar boas condições aos trabalhadores do setor. Isso passa pelas remunerações, mas não só. "É salário, mas também seguros de saúde, a possibilidade de - em empresas como a nossa - dar formação em que aqueles que gostam de ter mobilidade não trabalham sempre na mesma unidade. Dando oportunidades de carreira, mas também para se valorizarem como pessoas", remata.

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