Descobrir o próximo unicórnio português e pôr a inovação a potenciar a economia

Inovar é essencial para ganhar competitividade e diferenciar o país e as startups de base tecnológica são essenciais nesse processo. Para garantir que as melhores têm a visibilidade e o financiamento de que precisam para se afirmar, está aí o Global ​​​​​​​Tech Innovator.

Empresas com baixa produtividade, falta de competitividade internacional, fraco crescimento económico nacional e uma pesada dívida pública. Este é há demasiados anos o retrato de Portugal.

E a única forma de ultrapassar este pesado histórico é investir, de forma elevada e contínua, na inovação. "Só a inovação permite a um país como o nosso competir internacionalmente", resume Pedro Santa Clara, professor da Nova SBE e fundador da Escola 42 Lisboa. O também membro do júri do KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator acrescenta que só através da inovação é possível ao país alterar o statu quo e apresentar algo novo que seja valorizado. Inovar em produto, na comunicação, na venda, na organização do trabalho. Inovar em tudo, permanentemente.

É verdade que nos últimos anos tem havido, por parte das empresas portuguesas e até do governo, um maior apoio nesta matéria. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no triénio 2016-2018 houve uma clara evolução da atividade de inovação, com especial ênfase nas empresas com 250 ou mais pessoas, que revelaram o maior peso na dinâmica da inovação empresarial (61,5%), com os setores da Informação e Comunicação (57,4%), Atividades Financeiras e Seguros (45,4%) e Indústria (37,8%) a serem mais ativos.

A revolução tecnológica, porém, não se restringe a um par de setores, tem de abarcar toda a economia. Até porque, como refere o também professor da Nova SBE, a revolução tecnológica em curso está a alterar profundamente todas as indústrias, incluindo as mais tradicionais. "Sem inovação, as empresas instaladas não vão sobreviver." Isto é algo que as pessoas, e nomeadamente os decisores, têm de apreender: a inovação é determinante para a sobrevivência dum país, é o que o diferencia dos outros, num mercado globalizado.

Se a palavra inovação está intimamente ligada ao setor das Tecnologias da Informação, não se esgota nele. E os Tech Titans, como refere Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec, são uma "montra" de grande visibilidade para startups tecnológicas de base nacional, podendo conferir acesso a recursos de networking e colocá-las no radar de investidores globais. Por outro lado, como frisa Nasser Sattar, head of Advisory da KPMG, o crescimento global de qualquer startup faz-se muito mais através da exportação de produtos e serviços, da conquista de clientes estrangeiros e da capacidade de criar uma rede internacional de stakeholders, fornecedores, universidades e aceleradoras tecnológicas, do que através da criação sucursais em outros países. E mais do que o impacto direto na economia, os Tech Titans têm a consequência virtuosa de fomentar a inovação das empresas e o aparecimento de mais startups.

Se, por um lado, como lembra Pedro Santa Clara, este impacto ocorre em todo o ecossistema empresarial, com as economias locais a terem de se adaptar para melhor colaborarem com os novos players, por outro, estas empresas apresentam-se como role models para uma nova geração que ambiciona novas oportunidades num país estagnado há mais de duas décadas. Sintetizando, "os Tech Titans criam um ciclo virtuoso de inovação e desenvolvimento", resume.

E é por isso mesmo que a KPMG reconhece a incrível importância de apoiar este tipo de empresas. "Promover o apoio aos Tech Titans de amanhã, a nível nacional e internacional, como faz a KPMG, é servir as comunidades onde as melhores ideias nascem ao mesmo tempo que aumentamos significativamente a probabilidade de estas mesmas ideias se consolidarem e crescerem até se materializarem em verdadeiro avanço tecnológico global, simplificando a vida aos cidadãos, minimizando o impacto da intervenção humana no planeta ou resolvendo limitações que só a mais disruptiva tecnologia é capaz de ultrapassar", explica Nasser Sattar. Destinado "a empresas tipicamente em fase de startup e que possuem tecnologias inovadoras, modelos de negócio robustos, capacidade de demonstrar tração nas suas atividades e potencial para escala global", o KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator pretende precisamente conhecer (e dar a conhecer) "os principais inovadores tecnológicos e os futuros Tech Titans".

Concursos promovem a inovação
Não é fácil, num mercado global, conseguir ganhar a atenção de investidores. Não basta ter "a" ideia que vai revolucionar o mundo. Qualquer projeto tem de apresentar soluções para problemas reais presentes ou futuros e conseguir apresentar alguma prova de que é uma ideia com "pernas para andar". E muitas vezes a dificuldade passa por conseguir visibilidade, a nível mundial, junto dos investidores. Esta é, talvez, a maior vantagem de participar em concursos ou projetos que visem a promoção da inovação. A visibilidade junto de stakeholders importantes de todo o mundo". Como refere Nasser Sattar, "esse é o grande estímulo das empresas que estão a concorrer, porque muitas delas sabem que para se afirmarem verdadeiramente precisam muito mais do que de um investidor local ou prémios monetários". Aliás, o verdadeiro "prémio" da competição criada pela KPMG não é monetário, mas sim em todo o networking associado - a competição é a nível internacional -, nomeadamente a visibilidade junto da comunidade KPMG e seus clientes, sem esquecer o público da Web Summit, onde serão conhecidos os vencedores. Basta referir casos como a Revolut, nascidos de iniciativas semelhantes e que hoje são empresas conhecidas a nível mundial e com provas dadas.

"Os grandes exemplos de sucesso ensinaram-nos que, mais do que dinheiro, as boas ideias que inovam pela tecnologia precisam de montra, precisam que as conheçam e que olhem para elas. Até que alguém veja nelas uma solução para o seu negócio ou setor e lhes reconheça valor para justificar o investimento necessário e sustentado capaz de fazer crescer o projeto à escala global", conclui o head of Advisory da KPMG Portugal.

As dificuldades das empresas portuguesas
Quando se fala de inovação, Portugal parte ainda com défice, fruto, como lembra Soumodip Sarkar, da cultura de inovação do país. Como refere o presidente do PACT (e também jurado), o país tem apostado na digitalização de processos, mas "é preciso reforçar a literacia tecnológica das empresas, principalmente naquilo que está relacionado com as competências de gestão que podem potenciar a implementação de oportunidades da indústria 4.0.". Não basta dizer que se vai investir em inovação e startups. Esse investimento tem de ser "orgânico e sustentável", ou "corremos o risco de fazer investimentos que não se materializam na verdadeira democratização desta inovação". A solução, segundo Sarkar, passa por empresas e governo trabalharem em conjunto para estabelecer uma agenda concreta, com objetivos e metas realistas e reforço do apoio por via de capital de risco. Não basta apelar à inovação, é urgente fazer que esta seja acolhida e utilizada.

Convém não esquecer ainda que a transição digital é uma "faca de dois gumes". Se por um lado traz inovação às empresas e à economia portuguesa, também "tem permitido reduzir as barreiras à entrada de novas empresas nos mercados internacionais". O que torna cada vez mais "pertinente a diferenciação e a especialização para que estas empresas possam conquistar novos mercados". É neste cenário que o presidente do PACT vê duas dificuldades para as empresas: encontrar modelos de inovação internos que estejam adequados às suas estruturas; e conseguir antecipar-se à inovação implementada por economias mais dinâmicas do que a nossa. Face a isto, Soumodip Sarkar considera altamente pertinente melhorar a performance do país em matéria de transferência de conhecimento. "Isso permitirá pôr-nos lado a lado com as principais potências mundiais", conclui.

Apesar de tudo, o maior desafio talvez sejam mesmo as pessoas, nomeadamente a atração e retenção de talento. "Numa área em que a engenharia e as tecnologias da informação são cruciais, Portugal produz poucos talentos nesta área", lamenta o presidente do PACT, acrescentando que se para empresas internacionais o recrutamento é facilitado face aos salários praticados em Portugal, para uma empresa portuguesa de tecnologia grande parte do esforço orçamental tem de ser dedicado a estes profissionais.

Sobre o tema da educação, Pedro Santa Clara é perentório: escolas e universidades que não saibam aproveitar a tecnologia para melhorar a experiência de aprendizagem dos alunos estão condenadas por obsolescência.

Excelência ao serviço da seleção dos melhores
O diagnóstico deixado por Nasser Sattar, Jorge Portugal, Pedro Santa Clara e Soumodip Sarkar é um excelente ponto de partida para o que se espera mudar através do KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator. Os quatro destacados representantes de diferentes áreas da nossa economia estão entre os nomes de excelência escolhidos para o júri desta iniciativa da KPMG Portugal - cujas candidaturas estão abertas há uma semana e se prolongam até fins de setembro. Do júri, que reúne as principais entidades nacionais relacionadas com inovação, fazem ainda parte o secretário de Estado da Transição Digital, André Azevedo, o diretor executivo de Marketing & Operações da Microsoft, Andrea Rubei, o presidente executivo da Fundação José Neves, Carlos Oliveira, bem como Joana Mendonça, presidente da Agência Nacional de Inovação, João Freire de Andrade, head da BiG Start Ventures, José Costa Rodrigues, fundador de Forall e Relieve e Paulo Calçada, CEO da Porto Digital - Porto Innovation Hub.

A escolha dos nomes não é casual, antes foram selecionados com extremo cuidado - não apenas pela competência como pela relevância que podem aportar aos concorrentes. Como refere Jorge Portugal, "o júri dos Tech Titans poderá ajudar os participantes trazendo para a avaliação diferentes perspetivas decorrentes dos percursos e experiências profissionais, conhecimento de mercado e análise crítica dos méritos e riscos dos projetos".

Ser avaliado por entidades como a Cotec, a Agência Nacional de Inovação, PACT, entre outras, significa "aumentar e promover a transferência de conhecimento e fazer com que este conhecimento chegue mais rapidamente às empresas, aumentar a eficiência e eficácia das estratégias de inovação das empresas. E potenciar a afirmação nacional e internacional através de uma rede de contactos robusta e do mapeamento de oportunidades de financiamento são algumas das mais-valias de se trabalhar com entidades como as que fazem parte do júri desta competição", constata Soumodip Sarkar.

A isto Pedro Santa Clara acrescenta três vantagens (notórias): a oportunidade de receber feedback, discutir ideias de desenvolvimento e encontrar novos parceiros; a visibilidade e a notoriedade que a empresa passa a ter junto de potenciais colaboradores, parceiros, clientes e investidores, mas também a exposição que os participantes têm a uma amostra do que de mais inovador está a ser feito, podendo tirar ideias para os negócios.

O que é preciso para entrar no KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator

- Ser uma empresa registada em Portugal;
- Estar a operar no máximo há cinco anos (na forma atual);
- Gerar receitas de 850 mil euros a 12,750 milhões ou ter captado pelo menos 425 mil em equity;
- Dedicar-se à tecnologia, ser tech-enabled, led ou tech-driven;
- Não ter participação maioritária de grandes empresas;
- Estar disponível para apresentar um pitch (em inglês) diante dos elementos dos júris nacional (1.ª fase) e internacional (Web Summit), se apurado;
- Estar disponível para apresentar o pitch de forma virtual num evento nacional, de acordo com o cronograma estabelecido;
- Estar disponível, se for selecionado como finalista, para apresentar o pitch na final mundial, que decorre em novembro, na WS.

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