DIA fecha 41 lojas Clarel e reforça no alimentar. Minipreço ganha 12 novos super

Colaboradores da Clarel deverão ser integrados na estrutura do Minipreço. Rede de supermercado absorve parte das 71 lojas existentes no país.

O DIA vai descontinuar a cadeia Clarel em Portugal e apostar no retalho alimentar. Quarenta e uma das 71 lojas Clarel no país encerram imediatamente, com 12 lojas da cadeia produtos de cuidado pessoal, perfumaria e para o lar a serem transformadas em novos Minipreço. Esta mudança estratégica, que abrange apenas a operação em Portugal, já foi anunciada aos colaboradores pelo retalhista, sabe o Dinheiro Vivo.

A decisão marca o fim da cadeia Clarel em Portugal, cerca de sete anos depois de entrar no país, e uma mudança na estratégia do retalhista espanhol que concentra assim recursos na área alimentar. O Minipreço adiciona 12 novos super à sua rede, reforçando a capacidade de resposta do grupo no setor alimentar, num momento de procura do consumidor. O retalho alimentar é, de resto, um dos poucos setores a manter as portas abertas, embora com algumas limitações, durante o novo confinamento imposto pela pandemia.

A estratégia do DIA passa igualmente pelo reforço da estrutura para servir o online do grupo, que tem vindo a registar procura dos consumidores com o eclodir da pandemia: 9 lojas Clarel irão funcionar como "dark stores" para apoiar a expansão do comércio online do Minipreço que, no verão do ano passado lançou a sua loja online, abrangendo neste momento já a região da Grande Lisboa e Grande Porto. Neste campo o serviço de entregas rápidas já foi implementado em 100 lojas, tendo o grupo fechado acordo com plataformas de entregas como a Glovo e ainda começado a vender produtos Minipreço e Clarel no marketplace Dott.

Nove Clarel permanecem abertas para escoar stocks, mas 41 das 71 lojas Clarel, em zonas onde o DIA já tem forte oferta do Minipreço, encerram.

Os colaboradores Clarel, de acordo com a informação recolhida, deverão ser totalmente integrados no Minipreço, reforçando a capacidade de resposta online e offline da cadeia.

Clarel chegou a estar à venda

Em setembro do ano passado, o fecho da Clarel - cuja venda chegou a ser equacionado pelo DIA, mas foi abandonada em setembro de 2019 - não parecia estar em cima da mesa.

Os números eram positivos, garantia Miguel Guinea, CEO da DIA Portugal, em entrevista ao Dinheiro Vivo, e havia planos para fazer crescer a rede. "Temos 71 lojas Clarel em Portugal e os números que temos são positivos. Em 2019, cresceu quase cinco pontos numa base comparável. Este ano, vai com crescimentos muito positivos. A pandemia veio potenciar a procura de produtos de higiene e isso tem beneficiado a Clarel. O potencial de crescimento nas grandes cidades é imenso e estamos numa fase onde o foco é detetar oportunidades que estão a surgir para aumentar lojas ou para mudar para melhores localizações".

Os resultados do grupo no ano passado só serão conhecidos a 26 de fevereiro, mas no quarto trimestre a operação em Portugal - onde o retalhista detém as insígnias DIA, Minipreço e Clarel - cifravam-se nos 157,7 milhões de euros, uma subida de 7,6% face à um ano e um crescimento de like for like (LFL) de 5,2%.

Globalmente, o grupo registava venda de 1,688 mil milhões, uma quebra de 5,6% e um crescimento de 6,9% no LFL. As lojas globalmente reduziram 6,9% para 6.196, um ano antes eram 6.626. Ou seja, reduziu em mais de 400 supermercados a rede existente em Portugal, Espanha e Brasil.

No total do ano, o DIA obteve 6,8 mil milhões de euros em vendas líquidas, uma subida de 0,2% na comparação homóloga e de 7,6% no LFL.

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