Escândalo Volkswagen

Dieselgate. Gasóleo ainda resiste à fraude da Volkswagen

Escândalo nos EUA conhecido há um ano. Consumidores ainda não dão preferência ao impacto ambiental dos motores

As mudanças que o Dieselgate, a fraude da Volkswagen com as emissões dos motores nos EUA conhecida há um ano, provocou na indústria automóvel estão a ser lentas, mas a Renault, a marca mais vendida em Portugal, já admitiu vir a retirar grande parte dos seus motores diesel nos próximos anos. Ainda assim, a preferência dos consumidores continua a ir para carros a gasóleo, apesar de os especialistas anteciparem um aumento dos custos.

“Enquanto o gasóleo for um combustível disponibilizado a um preço mais baixo que a gasolina, os motores diesel continuarão a ter uma quota de mercado significativa, combinando o custo de combustível inferior com consumos mais baixos”, defende o departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), liderado por Helder Santos.

Isto vai acontecer “embora as restrições impostas ao nível do controlo de poluentes em carros diesel sejam difíceis de cumprir em circuitos urbanos”. Situação que “pode limitar os motores a gasóleo em veículos de gamas mais baixas, mais para circuitos urbanos”, sustenta.

Esta justificação vai ao encontro das explicações dadas pela Renault em reunião interna antes do verão. “As restrições e e os métodos de homologação vão aumentar os custos tecnológicos para que os motores a gasóleo sejam forçados a sair do mercado”, admitiu Thierry Bollore, do departamento de competitividade da marca. Os testes de homologação vão ser baseados, a partir de 2019, no consumo real e não em testes de laboratório.

Leia aqui: Mercado automóvel europeu volta a crescer em agosto

Atualmente, os números da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que vendem-se mais carros a gasolina do que a gasóleo em Portugal em dois dos segmentos do mercado mais importantes, o A e o B, que correspondem aos citadinos e utilitários; representaram 45% do mercado em 2015. Nos restantes, domina o gasóleo.

As estatísticas indicam também que a quota de mercado dos diesel em 2015 foi de 67,5%, ainda assim, a mais baixa desde 2010 (66,7%). Este combustível, além disso, também está incluído em oito dos dez modelos mais vendidos em Portugal em 2015.

É através destes números que o secretário-geral da ACAP, Helder Pedro, defende que o setor automóvel vai manter o mesmo caminho. “A indústria irá adaptar-se ao novo quadro legal, sem alteração da atual estratégia em todos os segmentos”.

As marcas enfrentam atualmente o desafio de “colocar no mercado motores diesel a preços competitivos e que cumpram os limites impostos por normas ambientais cada vez mais restritivas”. Olhando para isso, começam a surgir cada vez mais alternativas no mercado. Até no próprio grupo Volkswagen, que ambiciona vender um milhão de automóveis elétricos em 2025.

Até lá, os motores a gasóleo deverão continuar a ter um papel muito importante. Helder Pedro destaca que a indústria automóvel “continuará sempre atenta à diminuição da dependência dos produtos derivados do petróleo e às necessidades dos automobilistas no atual modelo de sociedade”.

Os especialistas do IPL notam que a tecnologia destes motores, sobretudo em percursos fora da cidade “apesar de ser sofisticada e dispendiosa, é extremamente eficaz. Os motores a gasóleo continuarão a ser bastante populares em automóveis de gamas médias e elevadas”.

O domínio do gasóleo do diesel também deverá continuar porque, “para os cidadãos, o custo de utilização de um veículo ainda pesa mais que o seu impacto ambiental e serão os clientes a definir o mercado”, concluem.

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