Retalho Alimentar

Digital alimentar. “Empresas instaladas não têm interesse em fazer explodir”

Carcavelos, 10/10/2019 - Realizou-se esta manhã a Conferência (Des) Codificar o Futuro da empresa GS1 na Nova SBE em Carcavelos.
Pedro Cid, AUCHAN Portugal; Rui Miguel Nabeiro, DELTA;
Manuel Sousa Pinto, SOGRAPE; José Fortunato SONAE MC; António Casanova, UNILEVER FIMA;
Luis Mesquita Dias, VITACRESS
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Carcavelos, 10/10/2019 - Realizou-se esta manhã a Conferência (Des) Codificar o Futuro da empresa GS1 na Nova SBE em Carcavelos. Pedro Cid, AUCHAN Portugal; Rui Miguel Nabeiro, DELTA; Manuel Sousa Pinto, SOGRAPE; José Fortunato SONAE MC; António Casanova, UNILEVER FIMA; Luis Mesquita Dias, VITACRESS ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Retalhistas e produtores discutiram o O Consumidor no Centro da Transformação Digital, no debate do congresso da GS1, na Nova SBE em Carcavelos

António Casanova não tem dúvidas sobre as razões para as quais as vendas online de produtores alimentares em Portugal não crescem mais. “As empresas instaladas não têm interesse em fazer explodir a não ser de forma defensiva”, defendeu o CEO da Unilever, FIMA e GALLO, no debate “O Consumidor no Centro da Transformação Digital”, do congresso da GS1, na Nova SBE, em Carcavelos.

“Uma das razões pelas quais os retalhistas não aderem mais é porque não há um pure player, como em Espanha, com a Amazon”, disse o CEO da Unilever em Portugal. “Não é razoável acreditar que exista em Portugal um pure player nos próximos anos”, diz no debate, com moderação de Rosália Amorim (diretora do Dinheiro Vivo), que contou com a presença de dois dos maiores retalhistas alimentares do país, a Sonae MC e a Auchan.

Carcavelos, 10/10/2019 - Realizou-se esta manhã a Conferência (Des) Codificar o Futuro da empresa GS1 na Nova SBE em Carcavelos. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )


( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

O Continente deu os primeiros nas vendas online há 15 anos. “Um canal que tem vindo a crescer a dois dígitos nos últimos anos”, assegura José Fortunato, administrador da Sonae MC, sem adiantar valores. Mais de 90% dos clientes que compram no Continente online são clientes das lojas físicas e “são aqueles com maior envolvimento connosco e que mais gastam com as nossas marcas”.

A cadeia tem desde o final do ano passado vindo a testar, em Lisboa com a Glovo e no Porto com a SendEat, um serviço de entregas rápidas ao domicílio, da qual o administrador faz um balanço positivo, no sentido de dar uma maior oferta de conveniência aos clientes. Em Lisboa, em 20 lojas, é ainda possível o cliente fazer as compras com a aplicação Continente Siga. José Fortunato não adianta para quando uma extensão à rede total de lojas, mas os números indicam que, em certas lojas, as compras via app já representam 5% das vendas.

Mas se os clientes valorizam a conveniência, não parecem estar dispostos a pagar pela entrega, tornando a operação mais desafiante para o retalhista. “Os clientes não valorizam o tempo que gastam no supermercado a fazer compras”, diz Casanova, defendendo que o sistema que acaba por ser mais sustentável para os retalhistas é o pick and pay, mais disseminado em França, em que há um picking feito em loja e o produto é recolhido pelo consumidor. Em França, três quartos das entregas em casa é através deste sistema e, no Reino Unido, já é cerca de 25%. “É o modelo que mais cresce”.

“Mas representa muitos desafios”, admite Pedro Cid, diretor-geral da Auchan Retail Portugal. Este sistema representa cerca de 8 a 10% das vendas, mas o sortido oferecido ao cliente é consideravelmente mais reduzido, entre 3 a 4 mil referências face às mais de 45 mil no online. “É bom para a compra de conveniência, para compras mais reduzidas”, diz, mas o talão médio é menor: em média 40 euros vs os 140 a 150 euros de uma compra fora deste sistema.

“Não tenho uma resposta definitiva. Para nós a experiência com a Uber Eats ainda está numa fase experimental”, diz Luís Mesquita Dias, diretor-geral da Vitacress Portugal, quando questionado sobre se a taxa cobrada pelos serviços de entregas não tornava a operação insustentável.

Já nos vinhos vendas online só faz sentido para um segmento mais premium de oferta, defende Manuel Sousa Pinto, administrador da Sogrape Distribuição SA. Uma garrafa de 0,75 cl custa em média 1,83 euros.”Só é sustentável quando entregamos em casa uma gama de produto premium, de outro modo, o custo de entrega seria insustentável”.

“É uma aprendizagem”, disse Rui Miguel Nabeiro, administrador do Grupo Delta, sobre a presença da marca de cafés no AliExpress, do site chinês Alibaba, onde entrou há dois anos. Inovação e diversificação foi a opção da marca para crescer.

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