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Digitalização chega a mais de 50 mil empresas até 2020

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A esmagadora maioria das empresas portuguesas ainda não têm presença online, “é como se não existissem”, avisa a ACEPI.

Serão mais de 50 mil as empresas portuguesas que nos próximos dois anos vão começar a dar os primeiros passos no mundo digital, no âmbito de uma nova parceria entre a Associação da Economia Digital (ACEPI) e a Confederação de Comércio e Serviços (CCP).

A iniciativa, anunciada esta semana no Portugal Digital Summit, abrangerá, sobretudo, empresas do setor do comércio e serviços (muito ausentes do mundo online) e deverá chegar ao terreno já em 2018, com recurso a fundos europeus, dando acesso às ferramentas básicas de digitalização (site próprio e redes sociais) mas permitindo ao mesmo tempo evoluir para comércio eletrónico.

A medida tem como objetivo tentar reverter o cenário traçado pela edição de 2017 do estudo Economia Digital em Portugal, que dá conta de que a esmagadora maioria das empresas portuguesas (61%) ainda não está online. “A digitalização da economia não é uma escolha que podemos fazer ou não fazer. Está a acontecer, é uma revolução que está a mudar todos os setores da economia. Ou a abraçamos e estamos na linha da frente ou nos deixamos levar e somos arrastados, vendo as nossas empresas a ficarem para trás”, avisou o ministro da Economia, Caldeira Cabral, na abertura da conferência promovida pela ACEPI.

Uma fragilidade do tecido empresarial para a qual Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI, também deixou um alerta. “A verdade é que mais de 60% das empresas não estão online. É uma fraqueza muito grande de Portugal e é um dos indicadores que mais nos preocupa. Hoje em dia, uma empresa que não está online é como se não existisse.”

Caldeira Cabral sublinhou ainda que “o desafio da digitalização é o de chegar a todos os setores e a todo o ciclo de vida dos produtos”. “Turismo, moda, setor automóvel, agricultura e agroalimentar, em qualquer uma destas áreas o digital está a mudar tudo.” Prometendo novos apoios para digitalização para pequenas e médias empresas, o responsável da pasta da Economia rematou: “Temos de estar um passo à frente. Se estivermos um passo atrás podemos ver empresas serem varridas porque não se digitalizaram a tempo. O mundo digital tem de puxar pelo mundo empresarial.”

Também em fase de arranque está o projeto Norte Digital, da ACEPI e AICEP, que visa desenvolver cerca de 50 projetos-piloto com PME do Norte do país, para ajudar estas empresas industriais a ter uma presença digital para venderem os seus produtos e serviços fora de Portugal. Apresentado em detalhe no painel Norte Digital: Oportunidades de Internacionalização das PME Através do Comércio Eletrónico, o projeto pretende guiar as empresas identificando as suas necessidades, qualificando-as para marketplaces digitais de forma a aumentar as vendas, apostando na divulgação online e através da análise dos resultados do comportamento online.

“É um apoio à internacionalização. São empresas com grande potencial mas que ainda não estão a usar o comércio online para fazer chegar os seus produtos e serviços a outros mercados”, explicou ao Dinheiro Vivo o presidente da ACEPI, Alexandre Nilo Fonseca. “Não estamos a aproveitar uma oportunidade ao nosso dispor: uma empresa portuguesa pode vender para todo o mundo, pode internacionalizar-se sem grandes custos. Há mais de 1300 mil milhões de pessoas a comprar online em todo o mundo, dos quais 3 milhões são portugueses”, avisa.
Da mesma forma, Luís Castro Henriques, presidente da AICEP, afirmou na sua intervenção que “o comércio eletrónico deve ser uma prioridade para as empresas que se querem afirmar internacionalmente”, dando conta que o e-commerce cross border vai triplicar até 2021, dos 300 mil milhões de dólares para os 900 mil milhões, com um total de 900 milhões de consumidores internacionais online.

Por cá, só 39% das empresas portuguesas têm presença online, seja com site próprio (84%) ou páginas em redes sociais (67%), revela o estudo Economia Digital em Portugal. Levado a cabo pela ACEPI e o IDC, o estudo mostra que apenas 27% das empresas nacionais efetuam negócios online, com 54% das grandes empresas já dedicadas ao e-commerce, enquanto apenas 25% das pequenas empresas e 9% das micro o fazem.

Uma oportunidade perdida, já que em 2017 os portugueses se preparam para gastar quase 5 mil milhões de euros em compras online, uma fatura que poderá subir para os 8,9 mil milhões em 2025. Às empresas e ao Estado, é expectável que gastem perto de 70 mil milhões online em 2017 e 132 mil milhões em meados da próxima década.

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