Gestão e RH

Digitalização: PME que apostam em ‘soft skills’

Matosinhos, 12/04/2018 - IV Conferência AEP/ISPC - Coaching "Soft Skills na Era Digital", na sede da AEP em Leça da Palmeia - Matosinhos. 
1º Painel - Gestão da mudança nas organizações: Manuela Redol, Administradora - Neutroplast. 
( José Carmo / Global Imagens )
Matosinhos, 12/04/2018 - IV Conferência AEP/ISPC - Coaching "Soft Skills na Era Digital", na sede da AEP em Leça da Palmeia - Matosinhos. 1º Painel - Gestão da mudança nas organizações: Manuela Redol, Administradora - Neutroplast. ( José Carmo / Global Imagens )

Na era da digitalização e da inteligência artificial há PME a investir no desenvolvimento pessoal dos seus colaboradores.

Quando a digitalização, as vendas online e a inteligência artificial chegam às pequenas e médias empresas (PME), o que acontece aos trabalhadores? Para algumas PME a resposta não está no despedimento ou na substituição de trabalhadores por funcionários mais novos, mas na sua adaptação à era digital. Nomeadamente, através da aposta no desenvolvimento das chamadas soft skills, determinadas por uma forma de ser e de estar no ambiente profissional. São as capacidades e atitudes que promovem uma melhor comunicação, bom trabalho em equipa e ideia de propósito.

São testemunhos de como é possível aliar o tradicional à inovação, apostando em simultâneo na manutenção de postos de trabalho. Estas empresas, em vez de despedirem trabalhadores antigos, optam por aproveitar a sua experiência e investir no seu autoconhecimento e motivação.

É o caso da retalhista de moda Marques Soares, fundada em 1960. Quando as encomendas começaram a chegar pela internet, optou por dar formação aos trabalhadores históricos na casa. “Têm muita experiência que podem passar aos mais novos”, disse Vasco Antunes, administrador da empresa, numa conferência da AEP – Câmara de Comércio e Indústria e da International School of Professional Coaching (ISPC). O tema do encontro foi “Coaching soft skills” na era digital” e reuniu responsáveis de PME que têm apostado no desenvolvimento pessoal de gestores e funcionários.

Manuela Redol, presidente executiva da Neutroplast, explicou porque vale a pena investir nos trabalhadores antigos da casa. A Neutroplast produz embalagens para as indústrias farmacêuticas, cuidados pessoais e suplementos alimentares. Segundo a gestora, a chegada da inteligência artificial aos processos de fabrico não tem de implicar despedimentos. “Não penso que as máquinas sejam uma ameaça para os trabalhadores”, afirmou. Podem substituí-los em tarefas na cadeia de montagem, mas deixam livres os trabalhadores para outras funções, defendeu.

Paulo Bessa, responsável de recrutamento do Banco Best, é também adepto da promoção do desenvolvimento das chamadas soft skills. Num setor como o da banca, altamente digitalizado e que foi manchado por sucessivos escândalos e crises em Portugal e a nível internacional, manter os funcionários motivados pode ser desafiante, referiu. Trabalhar as suas “competências humanas é a chave”, afirmou Paulo Bessa, que é também coach.

Para José Fonseca, gerente da Micro I/O e professor na Universidade de Aveiro, há que “adaptar as pessoas” e ter em conta que “todos são diferentes”.

“As nossas anormalidades são as nossas forças, as nossas diferenças são os nossos talentos”, disse Joaquim Viana Abreu, presidente da ISPC. Também organizações como a Turnaround Social e a associação Share apostam na formação voltada para a motivação e autoconhecimento. Para Maria da Saúde Inácio, managing partner da Turnaround, é importante haver um espírito de “missão, um propósito” e, numa empresa, num grupo, faz toda a diferença, disse.

A própria AEP tem vindo a incluir na sua oferta formativa cursos voltados para o desenvolvimento de competências não técnicas, centrados no talento e na motivação.

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