Domingues. Recapitalização da CGD foi "trabalho muito intenso"

Numa carta de despedida aos colaboradores do banco, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, presidente da CGD assume responsabilidade pela recapitalização.

António Domingues deixa a liderança da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no final do mês, depois de quatro meses conturbados à frente do banco público.

Numa mensagem aos colaboradores, Domingues assume responsabilidade pelo plano de recapitalização de 5160 milhões de euros acordado com Bruxelas, no que considerou um "trabalho muito intenso que nos ocupou nos últimos meses".

Na carta a que o Dinheiro Vivo teve acesso, o ainda presidente do banco - que será substituído por Paulo Macedo já em janeiro - admite que o banco atravessou um "período particularmente difícil e num enquadramento, no mínimo, desafiante".

Deixando uma mensagem de felicitação aos colaboradores do banco, Domingues frisa que "o plano de capitalização da CGD e o Plano Estratégico, construído pelas equipas da CGD, apresentado e negociado com o acionista e com as autoridades europeias, são os produtos visíveis de um programa de trabalho muito intenso que nos ocupou nos últimos meses, com vista a criar as condições para o crescimento sustentado da Caixa Geral de Depósitos".

O responsável frisa que foram cumpridos "os objetivos, a capitalização da empresa fora das ajudas de estado, e com os prazos definidos", referindo contudo que "o calendário final da capitalização resulta de decisão acionista".

A primeira fase de recapitalização da CGD estava prevista para 2016 mas foi adiada para 2017. A primeira fase, que consiste na conversão de 900 milhões de CoCos em capital e a passagem de 49% da Parcaixa, avaliada em 500 milhões de euros, vão ocorrer já a 4 de janeiro, noticiou o Negócios e confirmou também o Dinheiro Vivo.

A equipa de Paulo Macedo, diz ainda o Negócios, só tomará posse depois de dia 10. O Dinheiro Vivo apurou que o Governo ainda está à espera de luz verde do BCE e a administração em funções ficará no banco até chegar a nova equipa liderada por Paulo Macedo.

O mandato curto de Domingues esteve envolto em alguma polémica, desde a negociação do plano de recapitalização da CGD quando ainda era quadro do BPI, que levantou acusações da oposição, à contratação de consultoras para a elaboração de auditorias no banco. O presidente da CGD apresentou a sua demissão depois de ser obrigado a apresentar as declarações de rendimentos e património no Tribunal Constitucional.

Segundo foi noticiado, teria sido acordado entre as Finanças e a nova equipa, incluindo os administradores não-executivos, a dispensa de apresentação das declarações. Domingues vai entregar as suas declarações mas decidiu, ainda assim, sair do banco público.

O ainda presidente da CGD vai falar aos deputados da comissão de Orçamento e Finanças no dia 4, o dia previsto para a primeira fase da recapitalização do banco público e na mesma semana em que são retomadas as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito da CGD. Dia 3 é ouvido António de Sousa, antigo presidente do conselho de administração, e dia 5 Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças.

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