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Dona da Makro investe 30 milhões para pôr online todos os restaurantes do mundo

Foto: Metro AG
Foto: Metro AG

Em Portugal, o projeto já conta com a adesão de mais de 50 negócios

Foi há oito anos que Ludwig Horn abriu o primeiro café em Berlim. Os bagels, iogurtes, croissants e tostas do A. Horn foram um sucesso instantâneo na capital alemã. O negócio dava lucro mas vinha com um preço.

“Éramos pequenos empresários clássicos da restauração, era tudo analógico, feito a papel e caneta. Trabalhávamos sete dias por semana, entre dez a 15 horas por dia. À medida que o negócio foi crescendo, percebemos que tínhamos de procurar soluções que facilitassem a gestão e nos permitissem mais tempo livre”, conta Ludwig ao Dinheiro Vivo.

O objetivo? Gerir reservas, funcionários, encomendas e armazenamento sem ter de passar dia e noite na coffee shop. Há dois anos surgiu a oportunidade. O grupo alemão Metro, que em Portugal detém a Makro, estava a iniciar a plataforma “Digital Club”. E o A. Horn fez parte do projeto-piloto.

Foto: A. Horn

Foto: A. Horn

A coffee shop alemã foi uma das 500 parceiras da Metro AG, que testou a fórmula que quer agora estender a todo mundo em Berlim, Paris, Milão, Viena e Barcelona.

Tendo como alvo o setor que abrange a restauração, hotelaria e catering, o “Digital Club” quer levar para a internet todos os pequenos e médios negócios que ainda escapam ao mundo digital.

A apresentação do projeto, que teve lugar esta terça-feira em Munique, ficou a cargo do CEO da Metro AG, Olaf Koch. “A digitalização está hoje em todos os momentos da nossa vida, mas a verdade é que o setor da hotelaria e restauração, que gera por ano 420 mil milhões de euros, ainda está longe dessa realidade. Reina algum cepticismo entre os empresários, porque as soluções que existem são caras. Viemos resolver esse problema”.

A primeira proposta da Metro AG é a criação “gratuita e em cinco minutos” de um website para os pequenos negócios, acessível a todos, mesmo que não sejam clientes da Metro. Localização, horário e menú são alguns dos dados que ficam visíveis.

“Em poucas semanas, e sem qualquer marketing, registámos 15 mil utilizadores em vários países da Europa”, revela Koch. Incluindo em Portugal, onde o projeto já conta com a adesão de mais de 50 negócios.

Os detalhes do “Digital Club” em Portugal ainda estão a ser afinados, mas no primeiro trimestre do próximo ano deverá ficar implementado.

Além da criação de websites, a Metro testou uma ferramenta complementar, também ela gratuita, que permite fazer reservas online nos restaurantes, e que também deverá ficar disponível em Portugal em 2018.

A terceira proposta que o gigante alemão do retalho apresentou aos empresários da hotelaria e restauração chama-se “cockpit” e permite “ter o restaurante no bolso”, explicou o responsável. O sistema, que terá um custo, funciona como um analytics e permite gerir dados como a faturação, os gastos ou os produtos mais vendidos.

“Queremos que isto seja uma coisa em grande, como nunca existiu outra no mundo. O nosso objetivo é criar a maior comunidade digital do mundo no setor da hotelaria, restauração e catering. Estamos apenas no início”, destacou Olaf Koch. Em 2018 as ferramentas vão chegar a 13 países.

O projeto custou ao todo cerca de 30 milhões de euros ao grupo Metro. O grupo espera ter conquistado 50 mil membros no final do próximo ano e 500 mil até 2020.

Na fase piloto do projeto o grupo concluiu que as novas ferramentas digitais permitiram um aumento médio da faturação de 40%, bem como uma redução do desperdício de comida em 15%. Já a poupança de tempo fica entre uma a três horas diárias.

Para Ludwig Horn, foi o suficiente para que no verão deste ano conseguisse abrir o seu segundo restaurante em Berlim.

“Muitos dos meus colegas no setor da restauração olham de lado para as ferramentas digitais, acham que com isso se perde o contacto com os clientes, acham frio. Eu acho precisamente o contrário. Estas ferramentas ajudam-nos a personalizar o contacto com o cliente, porque temos mais informação sobre ele”, afirma Ludwig.

“Algo está a mudar em Portugal”

O “Digital Club” é o resultado da iniciativa Metro Accelerator, uma aceleradora de startups que a dona da Makro criou em 2015 em parceria com a Techstars. O programa conta com duas edições anuais, uma dedicada ao retalho e outra à restauração e hotelaria.

Entre as milhares de inscritas, são escolhidas dez finalistas, que durante três meses são desafiadas a trabalhar o seu modelo de negócio num espaço de co-working em Berlim. Cada uma recebe 120 mil euros de financiamento e no final, as startups têm a oportunidade de apresentar os seus projetos a potenciais investidores.

Na primeira edição deste ano, Portugal esteve representado pela Sensei e pela Sensefinity. Na edição mais recente, a GuestU foi a grande contemplada.

Para Olaf Koch, o dinamismo das startups nacionais é um sinal de que “algo está a mudar” no país.

“O que eu observo, de longe, é que os negócios estão muito melhores. Mas também vejo que a paixão e a criatividade em Portugal estão a crescer. É visível através das startups que se candidatam ao nosso programa. Alguma coisa está a acontecer em Portugal. É muito inspirador observar isso. Tenho de ir a Portugal no próximo ano para ver o que se está a passar. A confiança e o otimismo em relação ao futuro devem ter mudado”, sublinhou o CEO do grupo alemão.

A jornalista viajou para Munique a convite da Metro AG

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