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Dona do Meo vai investir até 500 milhões ainda neste ano

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Altice deverá ligar cerca de 5 milhões de casas com fibra em 2019. Venda da rede está em fase de “negociações exclusivas”.

Ao segundo dia de périplo pela região centro fez-se fusão de fibra. Fios de várias cores, com o diâmetro de cabelos, eram manuseados com cuidado pelos dois técnicos do Meo que, em Tentugal, avançavam com os trabalhos de preparação para ligar os cerca de 2300 moradores da freguesia à rede de fibra ótica, tecnologia com que a Altice Portugal quer cobrir 75% da população do concelho de Montemor-o-Velho “nos próximos meses”.

Foi apenas um de 12 concelhos visitados pela comissão executiva, que em dois dias percorreram 1400 quilómetros para anunciar a cobertura adicional de 6873 quilómetros de rede de fibra nos concelhos de Coimbra, Góis, Mealhada, Mangualde, Pombal, Batalha, Leiria, Marinha Grande e Montemor-o-Velho. “Só nos distritos de Coimbra e Leiria estamos a falar de um investimento superior a dez milhões de euros. Se juntarmos os restantes, será um valor superior”, adiantou Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, a caminho de Leiria, onde foi anunciar que 95% da população iria ficar coberta com rede de fibra. No total, cerca de 300 mil habitantes de cinco distritos passarão a ter fibra.

“Uma fábrica num centro empresarial não consegue captar investimento estrangeiro com rede de cobre.”

Cinco meses depois de ter assumido o controlo da antiga PT Portugal, a Altice anunciou em novembro de 2015 o objetivo de, em cinco anos, ter 5,3 milhões de casas ligadas no país. Alexandre Fonseca acredita que esse objetivo será antecipado. A dona do Meo deverá fechar o ano com cerca de 5 milhões de casas ligadas. “As 400 mil casas finais facilmente serão atingidas em 2020, cumprindo e provavelmente até antecipando o compromisso que tínhamos.”

Ao atingir este nível de cobertura de fibra ótica, Portugal é “provavelmente um dos primeiros países da Europa, se não o primeiro, com esta taxa de penetração, com uma taxa de adesão também extremamente elevada”, destaca Luís Alveirinho. O chief technology officer (CTO) da Altice Portugal andou por Mangualde, Pombal e Batalha, onde 75% da população irá ter rede de fibra.

Com dois anos de périplo pelo país, mais de 15 mil quilómetros percorridos (os suficientes para dar a volta à Lua), a malha de cobertura está a ficar ao nível da célula. “São municípios com uma dimensão não muito significativa, mas isso também transmite o posicionamento que a Altice tem em relação a todo o Portugal. Não queremos portugueses de primeira e de segunda, mas que, independentemente do sítio onde estão, tenham acesso às grandes vias de comunicação digital. Hoje em dia quem não tem acesso é um infoexcluído ou um digitalmente excluído da sociedade”, frisa Luís Alveirinho.

Dar acesso a uma fibra igual à de Lisboa e Porto foi uma das mensagens que Alexandre Fonseca repetiu ao longo do périplo aos autarcas e empresários. E no sábado passado anunciou em Castro Daire que cem freguesias de 16 concelhos de cinco distritos vão ser completamente ligadas com rede de fibra, contribuindo para os 4,8 milhões de lares que já estão ligados pela rede de fibra do Meo.

Desde o ano passado que o número de clientes de fibra superou o de clientes de rede de cobre. A mudança para fibra permite aos clientes fazer upgrade de serviços (potencial nova receita para a operadora), dando “em particular ao tecido empresarial outros argumentos de captação de investimento que o cobre não permitia”, justifica Alexandre Fonseca. “Uma fábrica num centro empresarial não consegue captar investimento estrangeiro com rede de cobre.”

Roubos, vandalismo e destruição acidental da rede de cobre tem custos anuais de 20 milhões

Investir em fibra tem uma vantagem adicional. “O cobre é um metal com valor e os vandalismos e roubos acontecem todos os dias”, constata. E com uma fatura elevada: entre roubo, vandalismo e acidentes (como tiros acidentais em época de caça), a Altice tem um custo de 20 milhões por ano neste tipo de manutenção.

Ao mesmo tempo que lança fibra e que corre o país em périplos – em dois anos, este foi o 14.o e em outubro-novembro vai realizar um novo, no Minho -, ao nível da holding, Alexandre Fonseca está envolvido na negociação da venda da rede de fibra.

“A rede, sendo um ativo importante, é cada vez menos um ativo diferenciador do ponto de vista de capacidade de crescimento”, justifica o CEO. A Altice, frisa, é uma empresa de serviços. “O processo de venda continua a ser gerido com muita tranquilidade. Acredito que dentro de três a quatro semanas poderemos vir a ter novidades. Estamos já numa fase de negociação exclusiva”, adianta ainda o CEO da empresa.

Com as cem freguesias a 100%, a empresa vai injetar até oito milhões de euros, elevando para 18 milhões o valor de investimento anunciado em três dias. “Somos o maior investidor em Portugal. Investimos nos últimos quatro exercícios fiscais cerca de dois mil milhões de euros. E neste ano vamos investir outra vez, entre 450 e 500 milhões no país”, garante.

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