Dono do SushiCafé compra participação no Mex Factory e entra na comida mexicana

Grupo dono do Este Oeste ou do Izanagi está a registar perdas na ordem dos 20% de faturação desde a reabertura do Horeca. Tem apostado nas entregas em casa e no takeaway. Abriu rooftop no Mex Factory.

O grupo dono do SushiCafé acaba de reforçar o seu portefólio com a compra de um terço do capital do Mex Factory, espaço de comida mexicana na LX Factory, aumenta para 9 marcas e 12 unidades os ativos do grupo. O valor da compra não foi divulgado.

"Tal como acontece em todas as crises, no meio do caos surgem as oportunidades, e por isso é preciso estar atento e aproveitar quando tal acontece", explica Gonçalo Salgado, um dos três sócios do grupo de restauração português, juntamente com Luís Salema e Manuel Salema. "No caso, a aquisição de um terço do Mex Factory pelo Grupo SushiCafé representa essa mesma oportunidade de construir negócios que permitam a troca de ideias e a potenciação de sinergias a diversos níveis", acrescenta.

O grupo junta assim a participação no Mex Factory às 11 unidades e nove marcas que já detinha, o Avenida SushiCafé, SushiCafé, SushiCorner, Este Oeste, Asian Lab, SOI, Mano a Mano e o Izanagi. O ano passado tinha 13 unidades, duas acabaram por fechar -dois SushiCorner, a loja do Campo Pequeno e a loja do Mercado de Algés. Neste momento, estão abertas desta insígnia a loja do C.C. Colombo, Atrium Saldanha e Expo - Parque das Nações (loja de rua).

"Dessas duas operações (do SushiCorner) Algés encerrámos antes da pandemia e o Campo Pequeno encerrámos este mês de outubro. Relativamente a este último espaço, a decisão foi motivada pela redução de fluxo de pessoas no centro e, por consequência, no SushiCorner. Este centro sempre teve o fluxo de clientes muito assente nos escritórios da zona e, principalmente, nos eventos - ambos os mercados a sofrer muito com a pandemia", justifica Gonçalo Salgado.

"O Grupo SushiCafé sempre foi uma referência para nós, sendo que com esta parceria pretendemos dar o salto, usufruindo de toda a formação, experiência e rede de contactos que o grupo, presente há vários anos no mercado, nos pode trazer. Acreditamos, também, que a visão e vontade da nossa equipa, mais jovem e igualmente ambiciosa, irão trazer bastante energia para projetos futuros - algo que já se encontra em desenvolvimento", explica Luís Roquette, o sócio que se manteve na estrutura no novo Mex Factory.

A parceria coincidiu com a abertura do novo rooftop do Mex Factory. Decorado com murais e decorações alusivas a Frida Khalo, a esplanada apresenta uma capacidade para 25 pessoas (de modo a cumprir as diretrizes impostas pela DGS) e surge numa altura em que a restauração enfrenta as limitações de lotação impostas pela pandemia.

Apesar das limitações Gonçalo Salgado faz um balanço positivo do desempenho do grupo de restauração. "O balanço é positivo mas muito diferente de operação para operação, consoante o posicionamento de cada marca e a localização do restaurante em questão", diz o sócio ao Dinheiro Vivo. "Temos sentido que as operações em zonas de lazer e com esplanadas com alguma dimensão estão com performances muito interessantes, enquanto aquelas em zonas de escritórios e em centros comerciais estão com maior dificuldade", constata.

"Sentimos também que o desempenho tem vindo a melhorar ao longo do tempo, muito embora na última semana se sinta já algum abrandamento, pensamos nós fruto das condições meteorológicas e da evolução da pandemia. Queremos no entanto reforçar o nosso empenho no estrito cumprimento das normas de saúde e higiene em todos os nossos espaços, o que permite que os nossos clientes se sintam confortáveis e seguros nos nossos restaurantes", refere.

Feitas as contas, com todos os 11 espaços de restauração abertos e - sem nenhum "colaboradores em layoff nas nossas operações, nem com horário reduzido", são neste momento 190, em novembro do ano passado o grupo tinha 260 colaboradores - "neste momento estamos com quebras globais a rondar os 20%, mas como referido anteriormente, com comportamentos muito diferentes entre operações."

Para mitigar perdas, o grupo de restauração tem apostado num "atividade comercial e de marketing e comunicação intensa, complementada com algumas outras fontes de receitas, nomeadamente através de vendas em takeaway e delivery", adianta.

"No caso do Mano a Mano, restaurante italiano do grupo no Chiado/Cais do Sodré, lançámos inclusivamente uma oferta de produtos de mercearia italianos para takeaway, mas também disponível para entrega em casa", refere.

Gonçalo Salgado não avança estimativas para o fecho do ano. "Temos muitas estimativas que têm vindo a ser atualizadas mensalmente. Tudo vai depender da evolução da situação pandémica em Portugal. Esperamos que não sejam impostas medidas adicionais que restrinjam a atividade económica, nomeadamente na restauração, pois não há qualquer indicação de que a restauração seja um foco de infeção atualmente. Na generalidade os restaurantes têm feito um trabalho extraordinário de cumprimento das normas definidas pela DGS", diz.

O grupo fechou 2019 com uma faturação líquida de 10,4 milhões, uma subida de 12,4% face a 2018. Para este ano planeava investir até dois milhões de euros em três novas aberturas. Três novas aberturas e um investimento até dois milhões de euros são os planos para 2020.

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