e-Commerce: mercado de 4,6 mil milhões em debate na Católica

Em 2025, os portugueses deverão gastar 8,9 mil milhões em compras online.

Farfetch, Salsa, El Corte Inglès Portugal, Lemon Jelly, Sport Zone, Undandy, Havaianas, Redicom e PROF são as nove marcas que irão dar a conhecer as suas estratégias de venda online na conferência 'Tudo sobre e-Commerce'. O ponto de encontro é a Universidade Católica do Porto, no próximo dia 5 de maio, e o debate é sobre um mercado que, em Portugal, valeu, o ano passado, 4,6 mil milhões de euros.

A verdade é que Portugal está, ainda, muito aquém da média europeia no e-commerce. Embora 73% dos portugueses usem a internet (75% de média na Europa), só 36% fizeram compras online. Mas Portugal integra um mercado único de enorme potencial, com 685 milhões de habitantes com mais de 15 anos, dos quais 296 milhões de e-shoppers. "É importante atendermos aos números que espelham a realidade desta área de mercado. Estima-se que, na Europa, o comércio eletrónico represente a criação de mais de 2,5 milhões de empregos e que haja mais de 750 mil de e-commerce, com um investimento de 129 mil milhões de euros em marketing digital", diz Vera Maia, co-fundadora e CEO da plataforma 'Tudo Sobre e-Commerce' e responsável pela organização do evento. "O comércio eletrónico abre na Europa, enquanto mercado único, possibilidades de crescimento de negócio e de alargamento do número de clientes a todas as empresas nesta área geográfica, pelo que é importante que as marcas portuguesas não deixem passar esta oportunidade".

Os dados da última edição do Estudo da Economia Digital em Portugal, desenvolvido pela Associação da Economia Digital, a ACEPI, mostram que já se percorreu um longo caminho. Em 2009, só 48% dos portugueses usavam a internet e só 13% faziam compras por esta via. Números que subiram para 73% e 36%, respetivamente. As previsões são para que, até 2025, a taxa de utilizadores de internet suba para 91% e que os e-shoppers cresçam para 59%. O valor das compras online deverá quase duplicar para 8,9 mil milhões neste período. "Com as novas gerações, o comércio digital tem subido de forma muito interessante", reconhece Vera Maia.

Segundo os dados da ACEPI, 50% das compras realizadas online ainda foram feitas fora de Portugal. O que significa que "ou não temos oferta ou não é adequada ao preço que o consumidor está disposto a pagar", argumenta esta responsável. A questão é que tudo isto "leva muito tempo", mas exige, também, uma equipa dedicada. "Grande parte do trabalho que fazemos nas empresas é de evangelização, para que os gestores entendam que é muito importante ter um a boa equipa no comércio digital e que o primeiro passo é investir em recursos humanos porque eles fazem toda a diferença".

Criada em 2015, a 'Tudo Sobre eCommerce' dedica-se, essencialmente, à consultoria na área do comércio eletrónico, tendo ajudado já ao desenvolvimento "de mais de 50 projetos em Portugal". E Vera Maia acredita que já vai existindo uma consciencialização crescente para o tema. "Criar uma marca offline leva tempo e exige recursos. Online também. E é preciso mudar o mind set em relação à tentativa-erro. Há que testar as audiências, perceber para quem queremos falar, e é preciso investir em publicidade para amplificar a marca e obter as vendas", sublinha.

E é para ajudar as empresas e os empreendedores a perceber o que precisam de fazer e, sobretudo, a conhecer os casos de sucesso de grandes marcas portuguesas e internacionais, como a Farfetch, a Lemon Jelly, a Salsa ou a Havaianas, que servirá a conferência do dia 5 de maio. Ana Ribeiro, responsável de e-Commerce da PROF, destaca que, desde 2009, ano em que a marca de calçado lançou a sua loja online, a faturação cresceu na ordem dos 30%. Contratar as pessoas certas e ter uma "ótima gestão de stocks e de preços" e os "melhores parceiros a nível logístico" são, para Ana Ribeiro, os "fatores críticos de sucesso" na implementação de uma estratégia de vendas digitais.

Já a DHL Express assume-se como "o melhor barómetro de uma economia", com o seu diretor de marketing e vendas, Nuno Álvares Pereira, a assegurar que o crescimento do negócio de venda online "tem sido exponencial", com valores na ordem dos 20% em 2017. "A venda online tem a vantagem de podermos exportar para qualquer parte do mundo e isso é um driver importante para as empresas poderem crescer", argumenta.

 

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