Energia

EDP contrata Schneider Electric para “dar inteligência” à rede elétrica

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Chairman e CEO da Schneider Electric, Jean-Pascal Tricoire, em Paris.

Ao Dinheiro Vivo, a EDP Distribuição confirmou a Schneider Eletric como "fornecedor de equipamentos para modernização da rede".

Depois de ter admitido ao Dinheiro Vivo falhas na tecnologia que assegura a comunicação entre os contadores inteligentes e os postos de transformação, a EDP Distribuição contratou agora a Schneider Electric, empresa de gestão de energia e automação, para “dar inteligência” à rede elétrica.

“Acabámos de ganhar dois contratos que estão ainda em fase de autorização de comunicação para automatizar as redes de distribuição de energia em Portugal”, confirmou ao Dinheiro Vivo João Rodrigues, country manager da Scheider Electric em Portugal, à margem da Innovation Summit organizada pela empresa, que teve lugar em Paris.

Ao Dinheiro Vivo, a EDP Distribuição confirmou a Schneider Eletric como “fornecedor de equipamentos para modernização da rede”.

Ambas as empresas optaram por não revelar o valor dos contratos em causa, que se inserem no pacote de investimento de mais 50 milhões de euros nos sistemas e redes inteligentes, previsto pela EDP Distribuição até 2020.

João Rodrigues garante que os trabalhos de modernização e automação da rede elétrica estarão concluídos até ao final de 2018, ano em que a empresa vai também arrancar em Portugal com projetos-piloto com a Galp e a Navigator Company ao nível da gestão de ativos.

A uma média atual de 10 mil contadores inteligentes instalados por semana, a EDP Distribuição tem como meta chegar a 100% do número de consumidores de eletricidade – cerca de 6 milhões de portugueses – até 2022, tinha já confirmado o presidente da EDP Distribuição, João Torres. “Nesta altura já estão instalados 1,3 milhões de novos contadores em todo o país”, assegurou, num investimento que ronda os 35 milhões de euros. Faltam por isso instalar ainda 4,8 milhões de contadores inteligentes em quatro anos.

Uma oportunidade de mercado que a Schneider Electric não quer perder: “Nós queremos ter aí um papel”, garantiu João Rodrigues, especificando que a empresa não vai fornecer contadores inteligentes à EDP Distribuição, mas sim “integrar todos os aparelhos e todos os sistemas” já existentes numa plataforma (equipamentos de hardware e sistemas de software) que opera com base na tecnologia patenteada EcoStruxure Grid, para “garantir uma boa gestão dos dados para os operadores de redes e distribuição de energia”.

Com isto, garante o country manager, ganha a EDP Distribuição e também os consumidores finais.

Presente em Portugal há mais de 50 anos, a Schneider Eletric tem como clientes grandes empresas do setor da energia como Grupo EDP e a Galp, e também da indústria, como a Navigator Company, entre muitas outras, sendo a sua maior área de negócio o fornecimento de equipamentos de baixa tensão para edifícios e indústria.

À EDP Distribuição, a Schneider Electric já fornece equipamentos de média tensão, tais como telecomandos de rede aérea e subterrânea (para prevenção e resolução de falhas à distância), tendo sido Portugal um dos primeiros países a comercializar este produto.

No mesmo dia em que o chairman e CEO da Schneider Electric, Jean-Pascal Tricoire, anunciou em Paris na abertura da Innovation Summit que a empresa registou receitas de 24,7 mil milhões de euros em 2017, dos quais 45% já são provenientes da área de negócios de IoT (Internet of Things), João Rodrigues garantiu que no ano passado a empresa “cresceu mais em Portugal do que na Europa”.

E garantiu que a congénere nacional “cresceu acima dos 3,2% registados pelo Grupo” Schneider Electric (apesar de “não ter duplicado a cifra”), à boleia da renovação e reabilitação urbana, do turismo, da modernização industrial (tendo em conta os programas Portugal 2020, Indústris 4.0, entre outros), aumento das exportações nacionais e do investimento privado. “O mercado nacional tem vindo a ganhar relevância”, disse o responsável, apesar do constrangimento dos preços praticados serem abaixo da média europeia e mundial.

Para 2018 e ano seguintes, garante João Rodrigues, a gestão de redes de energia será uma das principais oportunidades de negócio, num momento em que o setor energético está muito dinâmico, com a construção de novas redes e necessidades de modernização das linhas elétricas já existentes.

Do portfólio global da empresa fazem parte 20 das maiores empresas mundiais de petróleo e gás e 10 das principais empresas de comercialização e distribuição de energia. “A maioria das pessoas não conhece a Schneider Electric e ainda bem, porque estamos nos bastidores a garantir que não há falhas na energia das máquinas e dos edifícios”, disse o CEO no seu discurso de abertura.

Em Paris, e perante uma plateia de 5.000 clientes, parceiros, jornalistas e analistas de todo o mundo que durante dois dias se reuniram na Paris Expo – Port de Versailles, a Schneider Electric anunciou as principais novidades na sua arquitetura e plataforma EcoStruxure para impulsionar a economia digital. Diz a empresa que esta tecnologia já foi implementada em mais de 480.000 instalações com o apoio de mais de 20.000 integradores de sistemas, que conectam mais de 1,5 milhões de ativos.

“O mundo está em transformação a um ritmo sem precedentes motivado pelo boom da economia digital. As tecnologias como a Internet of Things (IoT), inteligência artificial e as analíticas de big data estão a tornar as empresas mais eficientes e inovadoras, promovendo a sua vantagem competitiva”, afirmou Jean-Pascal Tricoire.

Questionado sobre a recusa (por falta de informação) de alguns consumidores em França em aceitar a instalação de contadores inteligentes, tal como acontece em Portugal, o CEO da Schneider Electric afirmou: “Daqui a uns anos será impossível não estar conectado ao nível das redes de energia. Não há que ter medo da perda de privacidade. Os dados do consumo de eletricidade pertencem sempre aos consumidores”.

A jornalista viajou para Paris a convite da Schneider Electric

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