Energias Renováveis

EDP. Fotovoltaico flutuante “superou as expectativas”

Central fotovoltaica flutuante da EDP na Barragem do Alto Rabagão. Fotografia: Rui Oliveira / Global Imagens
Central fotovoltaica flutuante da EDP na Barragem do Alto Rabagão. Fotografia: Rui Oliveira / Global Imagens

EDP "está atenta às oportunidades" e procura, para já, reduzir os custos de investimento das centrais fotovoltaicas flutuantes

Os resultados da Central Solar Fotovoltaica Flutuante que a EDP instalou na barragem do Alto Rabagão, um projeto-piloto que cumpriu, a 30 de novembro, o seu primeiro ano de testes, “superaram as expectativas”.

A tecnologia, pioneira a nível europeu, já que testa a complementaridade entre a energia solar e a hídrica, “revelou uma eficiência maior do que as soluções em terra”, garante Miguel Patena, responsável da área de inovação da EDP Produção.

“Beneficiando de um ano bastante favorável no que respeita à radiação solar, a plataforma gerou uma produção líquida 5% acima do previsto, o que representa um acréscimo de 15 megawatts/hora”, explicou ao Dinheiro Vivo Miguel Patena, lembrando que foram instalados, em Montalegre, 840 painéis solares, que ocupam uma área de 2500 m2, e que têm uma potência instalada de aproximadamente 0,2 megawatts e uma produção anual estimada de cerca de 300 megawatts/hora.

Em termos líquidos, os resultados foram 5% acima da expectativa inicial, o que aponta para um resultado bruto tenha sido sensivelmente o dobro. “Além de a produção ter ultrapassado as previsões iniciais, foi possível constatar que estas plataformas são mais eficientes do que as instalações convencionais em terra”, sublinha Miguel Patena, que destaca, ainda, as vantagens ambientais, relacionadas com a proteção da radiação solar no meio subaquático, “com menor proliferação de algas e a redução do consequente efeito eutrofizante, com diminuição de emissões de gases de efeito estufa, particularmente em zonas de climas quentes”.

E o que se segue? “Não temos, ainda, um plano concreto de investimento. O projeto, tal como está, não é economicamente viável, pelo que temos, ainda, um caminho a percorrer para reduzir os custos de investimento e aproximar esta solução dos custos das opções convencionais em terra”, diz Miguel Patena, sublinhando que estão já em curso estudos de otimização da plataforma em que assentam os painéis e da solução de amarração (ao leito do rio).

O responsável do projeto reconhece, no entanto, que apesar das suas vantagens, o fotovoltaico flutuante “será sempre uma solução de nicho, mais cara do que as soluções em terra, mas viável, por exemplo, para regiões onde não haja disponibilidade de terras”. O objetivo é reduzir o diferencial de custo de investimento entre o fotovoltaico flutuante face ao tradicional, o que a EDP acredita que venha a ser possível “num prazo não muito distante”.

A empresa mantém o interesse em expandir o projeto. “A conversão de energia solar em eletricidade por via da tecnologia fotovoltaica tem vindo a evoluir de forma acelerada no sentido de menores custos e de melhor eficiência. Portugal dispõe de uma quantidade muito apreciável de recurso solar, dos mais altos nos países europeus. A utilização deste inesgotável recurso energético requer, porém, a ocupação de áreas significativas. A superfície ocupada por aproveitamentos hidráulicos, sejam de natureza hidroelétrica, de regadio ou de fins múltiplos, constitui uma oportunidade para ocupação de áreas significativas sem colidir com outras utilizações de reconhecida utilidade”, destaca a EDP.

E a empresa já recebeu “manifestações de interesse” de quem quer participar “em futuros desenvolvimentos” do fotovoltaico flutuante. “Há um caminho ainda a fazer, do ponto de vista regulatório e de licenciamento para que se possa vir a apostar numa produção em larga escala em países da América do Sul e de África, mas a EDP está atenta às oportunidades”, frisa Miguel Patena.

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