Energia

EDP: Fundo Elliot contra OPA chinesa. “Há muito potencial por explorar”

António Mexia, CEO da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
António Mexia, CEO da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

Acionista norte-americano, com 2,9% das ações, quer que a EDP comece rapidamente a criar valor para os investidores.

O fundo de investimento Elliot, acionista qualificado da EDP, está contra a OPA (oferta pública de aquisição) da China Three Gorges (CTG) sobre a elétrica portuguesa. Este mesmo fundo considera que há muito potencial por explorar na empresa liderada por António Mexia e entende que a OPA está a deixar a EDP mais fraca, de acordo com uma carta enviada esta quinta-feira ao conselho geral e de supervisão e à comissão executiva da empresa.

“Temos estado em diálogo com os acionistas da EDP e a opinião que prevalece, e com a qual concordamos, é que a maior fonte de incerteza para a empresa é a oferta da China Three Gorges. Respeitamos totalmente a posição da CTG como maior acionista. Em qualquer cenário, a CTG terá um papel importante no futuro da EDP. No entanto, é claro para nós e para alguns dos nossos acionistas que a oferta da CTG, tal como está, não serve os melhores interesses da EDP e irão torná-la mais fraca: mais volátil e reduzida a um conjunto de ativos menos atrativo e com menos oportunidades de crescimento”, refere a carta divulgada esta quinta-feira através de nota de imprensa.

Os norte-americanos acrescentam mesmo: “a oferta paralisada tem o efeito de dificultar o progresso da EDP, resultando numa cotação abaixo dos pares na indústria”.

Este acionista, que detém 2,9% das ações da EDP, acredita que “o atual impasse pode ser ultrapassado”. Deixa, por isso, cinco sugestões: investir mais nas energias renováveis; reduzir a dívida e o custo da dívida; vender a participação na EDP Brasil e a posição de 49% na EDP Distribuição e ainda vender as centrais termoelétricas instaladas na Península Ibérica.

Com o encaixe gerado por esta reorganização, a elétrica portuguesa pode tomar uma de duas opções: “reforçar os investimentos em áreas estratégias de crescimento e considerar outras formas de maximizar o capital” ou então “apostar num programa de compra de ações próprias”.

Esta e outras sugestões poderão ser consideradas pela EDP na apresentação da nova versão do plano estratégico da elétrica, que será feita em Londres a 12 de março.

Neste evento, o CEO deverá apresentar um plano de negócios atualizado e apontar o rumo da companhia para convencer os acionistas que há vida além da OPA. Como o Dinheiro Vivo escreveu no passado sábado, a estratégia a apresentar não será anti-OPA, mas complementar. Depois disso, caberá aos acionistas chineses arranjar argumentos para manter em cima da mesa uma operação que teima em não avançar.

A China Three Gorges, maior acionista da EDP, lançou uma OPA sobre a EDP e a EDP Renováveis em maio de 2018. Mas ao fim de nove meses, apenas conta com o aval do regulador brasileiro. Por cá a CMVM ainda tem de aprovar o pedido de registo de OPA, cuja análise está suspensa a aguardar que sejam preenchidas as condições de lançamento e de eficácia das ofertas sobre a EDP e a EDP Renováveis. Entre estas condições estão o OK da Direção-Geral de Concorrência de Bruxelas (DG Comp) e das autoridades nos Estados Unidos, por exemplo.

(Notícia atualizada às 9h10 com mais informação)

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