EDP inicia terceira fase de requalificação de património em Miranda do Douro

Em causa estão as Casas dos Engenheiros, um conjunto de cinco imóveis que se distingue pelo estilo arquitetónico único e de vanguarda iniciado nos anos 50 e reconhecido como Conjunto de Interesse Público em 2011

A EDP vai iniciar ainda este ano a terceira fase das obras de requalificação do património classificado como "Moderno Escondido", no Barrocal do Douro, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, revelou a empresa.

"Esta nova fase inclui agora as conhecidas Casas dos Engenheiros, um conjunto de cinco imóveis que se distingue pelo estilo arquitetónico único e de vanguarda iniciado nos anos 50 e reconhecido como Conjunto de Interesse Público em 2011", descreve a EDP em comunicado.

Fonte oficial de EDP disse à Lusa que esta terceira fase de intervenção começa em 2021, prevendo-se a sua conclusão em 2022, sem avançar os "valores de investimentos em curso".

"As Casas dos Engenheiros fazem parte da terceira fase de um plano de requalificação deste património no Douro [Internacional] iniciado pela EDP com a reabilitação da Pousada de Picote", especificou a elétrica nacional numa nota de imprensa enviada à Lusa.

Estas cinco moradias, construídas num conceito aberto e em plena montanha, integram o complexo construído em Barrocal do Douro, entre os anos 50 e 60, para alojar os trabalhadores envolvidos na construção das barragens de Picote, Miranda e Bemposta e, posteriormente, os que ficaram para garantir a sua operação.

"Por se tratar de um património de interesse público, este projeto envolve uma exigente lista de critérios de reabilitação e será certificado pela Direção Regional Cultura Norte (DCRN)", explicou a EDP.

Quanto à futura utilização destes espaços, "será alvo de uma avaliação em parceria com as várias entidades locais de forma a que possam contribuir para uma maior valorização e atratividade da zona e beneficiar as populações locais", diz a EDP.

"Com esta iniciativa, a EDP mantém o seu compromisso com a região e com a comunidade no sentido de dar uma nova vida a um património histórico no Douro", acrescenta.

Para o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, este anúncio da EDP é " uma excelente notícia".

"A intervenção prevista poderá ser o alavancar um novo atrativo turístico no concelho de Miranda do Douro, uma vez que várias faculdades de arquitetura tomam este bairro como exemplo em Portugal", vincou o autarca.

O plano de reabilitação da EDP começou pela Pousada de Picote, um projeto a cargo dos arquitetos Michéle Catannà e Fátima Fernandes - também autores da obra de referência do Moderno Escondido' - que ficou concluído em 2011.

A obra permitiu restaurar e preservar as linhas, materiais e até o mobiliário original que o tornam num marco da arquitetura e do design com assinatura portuguesa.

"A conservação, manutenção e apoio aos visitantes da Pousada são atualmente assegurados por uma pequena empresa local", disse a EDP.

A segunda fase do plano de requalificação envolveu o restauro da Capela, outro dos imóveis classificados.

"Os trabalhos, iniciados em outubro de 2020 e que acabaram de ser concluídos, foram fundamentais para preservar as linhas originais daquele espaço religioso, bem como peças de autor - é o caso do crucifixo "O Cristo Magrinho", totalmente esculpido em madeira por Salvador Barata Feyo, um dos nomes mais marcantes da segunda geração de escultores modernistas portugueses", descreve a EDP.

A capela continua assim a ser utilizada regularmente pela comunidade local para celebração de missas, indica a empresa.

A barragem e todo o aglomerado que é hoje a aldeia de Barrocal do Douro são agora símbolo da arquitetura moderna e "Conjunto de Interesse Público", um grau imediatamente inferior ao de monumento nacional.

O empreendimento, hidroelétrico de Picote foi o primeiro a ser construído no Douro Internacional, durante o processo de eletrificação do país, é muito mais do que a barragem, já que com ela nasceu, entre 1953 e 1958, uma "cidade ideal" num lugar inóspito do Planalto Mirandês.

A barragem de Picote foi projetada por três jovens arquitetos recém-formados na Escola de Belas Artes do Porto, que tiveram a liberdade para dar azo à criatividade e transformar um morro das escarpas do Douro Internacional num local habitável e "revolucionário", numa região isolada onde faltava praticamente tudo.

Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos projetaram há mais de 60 anos a "cidade ideal", fundada a partir do nada com todas as infraestruturas e serviços, inacessíveis à maioria da população daquela das décadas de 50 e 60 do século XX.

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