Energia

EDP nega cedência da baixa tensão a quem comprar barragens

António Mexia, CEO da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
António Mexia, CEO da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

Perante a notícia avançada pelo Cinco Días, Marques da Cruz, administrador do grupo EDP, negou que as redes de distribuição façam parte do negócio.

A EDP já está no mercado para vender os ativos hidroelétricos que detém na Península Ibérica por dois mil milhões de euros e anda à procura de possíveis compradores. De acordo com o jornal espanhol Cinco Días, que cita “fontes conhecedoras da operação”, o caderno de encargos para o negócio inclui no preço de venda das barragens a cedência das redes de distribuição de eletricidade em baixa tensão e ainda contratos de compra e vende de eletricidade a longo prazo (PPA).

Em declarações ao Dinheiro Vivo, e em reação à notícia do Cinco Días publicada esta quarta-feira, João Marques da Cruz, administrador da EDP e da EDP Distribuição, negou que a cedência das redes de baixa tensão faça parte do caderno de encargos do processo de venda das barragens que a EDP tem em curso.

Por seu lado, a Endesa já confirmou várias vezes que está no pelotão da frente para ficar não só com as barragens, mas também substituir a EDP Distribuição como operador de redes de baixa tensão nos novos concursos que o governo já prometeu para o final deste ano ou início do próximo. Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, já confirmou o interesse ao Dinheiro Vivo. Se assim for, a elétrica espanhola terá de apresentar a sua oferta até 31 de julho.

Esta referência às redes de baixa tensão no caderno de encargos, avançada pelas fontes empresariais contactadas pelo Cinco Días, vem de novo dar força à teoria da venda da EDP Distribuição pelo Grupo, já avançada ao Dinheiro Vivo por fontes conhecedoras do processo.

Ainda antes do fim da OPA, as mesma fontes falavam da possível venda de 49% da EDP Distribuição e de outras participadas do grupo, mas nessa altura o Dinheiro Vivo apurou que não seria ainda o momento, tendo em conta a realização dos concurso para renovar a licença de operador de redes de baixa tensão, entretanto congelados. Agora, o governo admite avançar com os referidos concurso depois de outubro de 2019, mas a data mais provável será no primeiro semestre de 2020.

Diz ainda o Cinco Días que a elétrica portuguesa contratou dois bancos de investimento – Morgan Stanley e UBS – para gerir a venda das barragens e mini-hidráulicas, tal como anunciado em fevereiro no plano de atualização estratégica da empresa, que terão já entrado em contacto direto com pelo menos 10 potenciais investidores. Entre eles as principais empresas energéticas espanholas e vários fundos de investimento, sendo que todos eles manifestaram interesse prévio na compra dos referidos ativos.

Na lista de empresas e fundos que já receberam a “documentação” (apresentação dos ativos e respetivo caderno de encargos enviada pelos bancos em nome da EDP) figuram nomes como a Repsol, Iberdrola, Naturgy, Endesa, Engie e os fundos Brookfield, Macquarie (através da sua participada Viesgo) e a alemã Aquila Capital.

A Bloomberg também já tinha avançado que são 10 as entidades contactadas pela EDP para tentar fechar negócio, mas o Cinco Días cita agora fontes empresariais para dizer que afinal são apenas três (e não cinco como referiu a Bloomberg) os compradores “verdadeiramente interessados” – as espanholas Endesa (filial da italiana Enel) e Naturgy, e o fundo Brookfield. O dia 31 de julho é prazo final para que os interessados apresentem à EDP as suas ofertas não vinculativas.

A alienação destes ativos hidroelétricos faz parte do plano de desinvestimento estratégico de cerca de seis mil milhões de euros até 2022. Com esta estratégia, diz o meio de comunicação espanhol, o Grupo EDP quer reduzir a dívida avaliada em 13.700 milhões de euros e reforçar a área das renováveis.

Numa fase mais precoce, empresas como a Repsol, Iberdrola e os alemães da Aquila Capital também manifestaram interesse, mas não vão formalizar qualquer oferta.

Por seu lado, a Endesa tem sido a mais vocal em manifestar o seu inegável interesse em comprar as barragens da EDP em Portugal e Espanha, e também em assumir o papel de próximo operador das redes de baixa tensão, conforme referiu o diretor-geral da Endesa em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“Estaremos atentos. Estamos na corrida para ser operadores de redes de distribuição elétricas. Poderá haver outros ativos de geração elétrica que possam vir a interessar-nos. Estamos muito envolvidos em centrais com base em energias renováveis, sejam eólicas, solares ou hídricas. A Endesa tem um programa de investimento a nível geral da Península Ibérica de cinco mil milhões, em média, por ano”, disse o responsável.

E ainda acrescentou: “Há uma operação que vai ter de ocorrer, que são os concursos das redes em baixa tensão e nós estamos interessados neste processo. É um processo que as câmaras municipais terão de orientar. E poderá haver outros ativos de produção de geração elétrica que nos possam vir a interessar”.

Com Diogo Ferreira Nunes

Notícias atualizada às 17h30 com declarações da EDP Distribuição

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