Dívida

EDP paga 1,6% para emitir 500 milhões de dívida a 10 anos

A EDP vai pagar 1,6% para emitir dívida a 10 anos no montante de 500 milhões de euros, através da EDP Finance BV

A EDP conseguiu financiar-se esta terça-feira pagando uma taxa de juro de 1,6% para emitir dívida a 10 anos, no montante de 500 milhões de euros, através da EDP Finance BV.

Foi esta terça-feira fixado o preço da emissão de obrigações com vencimento em novembro de 2027, com um cupão de 1,5%, a que corresponde uma taxa de juro de 1,59%. Esta yield é inferior aos 1,93% exigidos à República para emitir 1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 anos, na semana passada, naquela que foi a taxa mais baixa de sempre.

“Esta emissão destina-se a financiar as necessidades decorrentes da actividade normal da empresa, permitindo alongar o seu prazo de maturidade e reforçar a flexibilidade financeira”, refere a EDP no comunicado divulgado esta terça-feira com os resultados da emissão.

A operação foi coordenada pelo Barclays, BNP Paribas, CaixaBank, CaixaBI, Citi, ING, Mediobanca, MUFG e UniCredit. As obrigações serão admitidas à negociação na bolsa irlandesa.

A Galp Energia também emitiu dívida e, num comunicado divulgado dia 8 de novembro, anunciou que se financiou em 500 milhões de euros a cinco anos, com um cupão de 1%.

Empresas aproveitam contexto benigno para se financiar

“As empresas estão a aproveitar um bom momento de mercado em que coexistem várias condições favoráveis, nomeadamente taxas de juro e spreads de crédito baixos em todas as maturidades, a queda do risco-país associado a Portugal e apetite do mercado”, afirmou Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros, ao Dinheiro Vivo. “Há também algum receio que as condições de emissão se possam deteriorar no futuro, à medida que os estímulo monetários desaceleram”, adiantou.

“Explorando o actual contexto de reduzidas taxas de juro e a recente melhoria do rating de Portugal pela S&P, as empresas estão a aproveitar o momento benigno para construir uma almofada de capital”, disse Steven Santor, gestor do BiG.

 

Este tipo de investimento só pode ser atrativo para investidores institucionais, sublinhou Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa. “No caso da Galp, por exemplo, o lote mínimo para comprar é de 100 mil euros e é negociado em múltiplos de 100 mil. Não é, por isso, uma emissão que se destine ao retalho. Podem ser interessantes para os grandes investidores que não têm melhores alternativas de investimento, a médio/longo prazo”, afirmou.

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