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EDP sobe lucros em 45% – ainda quase sem covid

António Mexia, CEO da EDP. (Fotografia: Sara Matos / Global Imagens)
António Mexia, CEO da EDP. (Fotografia: Sara Matos / Global Imagens)

Até março, a elétrica nacional conseguiu lucros de 146 milhões de euros, que representam uma subida de 45% face ao primeiro trimestre de 2019, revela hoje a EDP em comunicado aos mercados, onde recorda que foi aprovada a distribuição de dividendos em Assembleia Geral, a 16 de abril, no valor de 0,19 euros por ação. “Este dividendo representa um payout de 81% sobre o resultado líquido recorrente, com pagamento previsto a 14 de maio”, junta a empresa. A EDP vai distribuir quase 700 milhões (leia mais aqui), incluindo ao acionista Estado, que vê com bons olhos essa entrada de capital.

Os resultados do último ano da elétrica haviam sido fortemente penalizados “por um volume de produção de energia hídrica anormalmente baixo” – recorde-se que a seca tinha deixado as barragens sem água, logo sem capacidade energética, levando a uma produção 48% inferior à média histórica. E, naturalmente, ainda não refletem os feitos da covid e do confinamento, tornado obrigatório pelo decreto do estado de emergência a 22 de março.

“Este primeiro trimestre teve um impacto reduzido do período de confinamento associado à pandemia covid-19, que teve início nos nossos principais mercados em meados de março”, justifica a elétrica, acrescentando que na área das energias renováveis, “nos últimos 12 meses, a EDP instalou +0,8 GW de capacidade eólica e solar nos EUA, Europa e Brasil”.

Já esta manhã, a Renováveis apresentara contas, revelando um aumento de 2% nos lucros até março, para 62 milhões de euros (Leia aqui).

Ainda assim, de acordo com a EDP, o resultado líquido foi penalizado pelo impacto negativo não-recorrente da recompra da obrigação híbrida executada no período (-45 milhões). “Excluindo este efeito e a contribuição extraordinária sobre o setor energético em Portugal (- 61 milhões), o resultado líquido recorrente apresenta um crescimento de 51%, para 252 milhões”, sublinha a elétrica, explicando que este resultado inclui o impacto positivo da gestão proativa da dívida, “num contexto de taxas de juro baixas e trajetória descendente das mesmas no Brasil no último ano, que contribuiu para uma redução do custo médio de dívida para 3,4% (-60pb em termos homólogos)”.

O EBITDA subiu 6%, equivalendo a 980 milhões neste primeiro trimestre, com o segmento renováveis, a beneficiar da recuperação dos recursos hídricos na Península Ibérica, o que “contribuiu para o incremento de 87% na produção” até março – ainda assim, 9% abaixo da média histórica em Portugal – representando um aumento de 65 milhões no EBITDA. Na energia eólica e solar, “a desconsolidação de ativos eólicos no âmbito das transações de asset rotation do ano passado (contributo de 49 milhões até março), em conjunto com os baixos recursos eólicos (10% abaixo da média histórica), justificam o decréscimo na produção de 8%”, explica a companhia.

Na atividade de redes, os resultados foram penalizados pela desvalorização do real face ao euro em 13%, junta a EDP, acrescentando que no segmento de clientes e gestão de energia, os resultados foram marcados pela boa performance da atividade de gestão de energia na Península Ibérica e pela política de cobertura de risco em mercados energéticos, que mitigou os impactos da deterioração das condições de mercado para as centrais de produção a carvão (-77% de produção em termos homólogos).

Conforme explica a companhia relativamente à melhor gestão da dívida, esta foi reduzida em 8% até março, para 12,7 mil milhões, “o valor absoluto mais baixo dos últimos 13 anos (desde 2007)”. “O rácio de endividamento Dívida Líquida Ajustada/EBITDA melhorou de 3,6x a Dez-19 para 3,4x. O cash flow recorrente orgânico cresceu 51% para 0,7 mil milhões no primeiro trimestre de 2020, impulsionado pela evolução do EBITDA.” Em março, a liquidez financeira da companhia era de 6,9 mil milhões de euros, que a EDP considera suficientes para fazer face às necessidades de refinanciamento para além de 2022. Mas ressalva: “Em abril de 2020, em pleno período de confinamento covid-19, a EDP emitiu 750 milhões em obrigações green com maturidade de 7 anos a uma yield de 1,7%.

Leia também: Renováveis assegura contrato de 15 anos na Califórnia

“De acordo com o nosso plano estratégico, desde o início de 2019 a EDP celebrou contratos a longo prazo para venda da energia a produzir por 5,9 GW de novos projetos de energia eólica e solar com entrada em operação prevista entre 2019- 2022, cobrindo 83% do objetivo de crescimento para este período. Destes projetos, 1,3 GW encontravam-se em fase de construção a Mar-20. Na energia eólica offshore, a Jan-20 foram acordados os termos da nova joint-venture 50/50 entre a EDP e a Engie. Nas redes de eletricidade, o crescimento concentra-se no Brasil: na transmissão, atingimos 63% de execução do investimento, com a entrada parcial em operação em janeiro de 2020 de uma segunda linha de 203 km, a linha do Maranhão, 19 meses antes do prazo regulatório. Na comercialização, manteve-se o foco na qualidade de serviço, que suportou a estabilidade do portefólio de clientes de eletricidade e crescimento na atividade de prestação de novos serviços fornecidos”, junta a companhia.

Veja aqui o comunicado da EDP à CMVM

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