Energia

EDP vale menos 270 milhões que preço da OPA

António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

EDP reviu em baixa os lucros após decisão do governo sobre as rendas e as ações valem menos do que 3,26 euros.

A EDP negoceia abaixo do preço da oferta pública de aquisição da China Three Gorges (CTG) desde que reviu em baixa os lucros deste ano devido a “alegadas sobrecompensações” com as rendas da energia. A EDP vale menos 270 milhões de euros do que a avaliação feita pela empresa estatal chinesa. O preço de 3,26 euros por ação proposto por Pequim implica um valor de mercado de 11,92 mil milhões de euros da empresa. O mercado avaliava-a em 11,65 mil milhões na passada sexta-feira.

Desde a revisão em baixa dos resultados, a 27 de setembro, a empresa liderada por António Mexia cedeu mais de 370 milhões de euros em capitalização bolsista. As ações desvalorizam mais de 3%. E começam a surgir dúvidas sobre se a CTG manterá a OPA sobre a elétrica portuguesa. O Caixabank/ /BPI referiu numa nota a investidores, citado pela Reuters, que “não podemos descartar que a decisão do governo português pode ter impacto no interesse da CTG em ir em frente com a proposta atual pelo controlo da EDP”. O Conselho Geral de Supervisão da elétrica, de que os investidores chineses também fazem parte, decidiu mesmo avançar para a arbitragem internacional contra a decisão do governo.

No anúncio preliminar da OPA, feito em meados de maio, a empresa chinesa advertiu que a oferta tinha como pressuposto que não ocorreria “qualquer evento com impacto significativo na sociedade visada numa base consolidada, incluindo, sem limitações, na situação patrimonial, económica ou financeira”. A 29 de agosto a elétrica foi notificada da decisão do secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, que “quantifica em 285 milhões de euros a alegada sobrecompensação da EDP”. Existem ainda mais 72,9 milhões de euros que podem ser exigidos à empresa.

A elétrica, argumentando com “o princípio da prudência”, reviu em baixa a estimativa para o lucro deste ano de 800 milhões para um valor entre 500 milhões e 600 milhões. O Capital Group, que era o segundo maior acionista da empresa, baixou a participação na empresa de quase 10% para pouco mais de 2%. Contactada pelo Dinheiro Vivo, a gestora de ativos americana não prestou declarações sobre os motivos e de que forma foi feita a venda daquela posição. Do lado da CTG também não houve comentários sobre se a decisão do governo põe a oferta em risco.

No entanto, António Mexia disse em Londres, citado pela Bloomberg, que a OPA está “a decorrer como era esperado”. Mas salientou que a saída do Capital Group se deveu “a medidas recentes que afetaram a estabilidade da empresa”.

 

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