Efacec com retoma contida pela escassez de materiais 

Com o regresso do EBITDA a terreno positivo, no 1.º trimestre, a empresa espera uma "clara consolidação" na trajetória de crescimento e "normalização" em 2021.

Depois de em 2020 ter vivido "o ano mais desafiante" dos seus 72 de história, a Efacec retoma a normalidade e conseguiu já fechar o primeiro trimestre de 2021 com um EBITDA positivo. A empresa registou, em março, um recorde de faturação na sua história recente, diz Ângelo Ramalho, CEO da companhia, mas a falta de matérias-primas tem sido um problema.

"As exportações começaram a aumentar, mas temos sido confrontados com alguns condicionalismos como a escassez e inflação das matérias-primas e o aumento do preço do transporte, que estão a refrear a retoma", diz Ângelo Ramalho, que sustenta: "Um dos desafios principais é a imprevisibilidade do abastecimento associada ao preço e disponibilidade de produtos. As cadeias de abastecimento "trabalham hoje à semana", condicionadas ainda pela evolução "ao minuto" da pandemia". Em contrapartida, quanto aos transportes, o responsável reconhece que essa foi uma dificuldade sentida "severamente" durante 2020 e no início de 2021, mas admite que já se caminha para uma normalização.

A empresa, que está em fase de reprivatização, depois da nacionalização dos 71,7% detidos pela Winterfell, de Isabel dos Santos (ver texto secundário), fechou 2020 com receitas de 216 milhões de euros, 39% inferiores ao ano anterior, e prejuízos de 73,3 milhões de prejuízos, um aumento de 159%. No entanto, destaca o CEO que as receitas do último trimestre foram já de 91 milhões, mais do dobro da média dos trimestres anteriores. E o EBITDA recorrente também já foi positivo. "Embora 2020 tenha iniciado com quebras, a Efacec conseguiu, contra todas as expectativas, arranjar fôlego e recuperou nos últimos seis meses do ano, alavancando-se numa forte aposta em inovação tecnológica neste período", frisa Ângelo Ramalho, que classifica de "muito animadores" os números do primeiro trimestre de 2021. Não só o EBITDA foi positivo entre janeiro e março, em 1,5 milhões, como este último mês marca um recorde de faturação: 33,4 milhões, o segundo valor mais alto em 15 meses. Já em dezembro de 2020, com 38,2 milhões de vendas, a empresa teve "o valor mais alto em 12 meses".

Para 2021, a Efacec espera uma "clara consolidação" desta retoma e a "normalização" da sua atividade. "Espera-se um crescimento significativo das novas encomendas para níveis próximos dos obtidos em anos anteriores e, apesar dos condicionalismos ainda existentes relacionados com a evolução da pandemia, perspetiva-se o retomar do crescimento das receitas, através da execução da sólida carteira de encomendas existente desde final de 2020, e do EBITDA", salienta o gestor.

Em 2018, as novas encomendas da Efacec totalizaram 533 milhões de euros, valor que caiu para 355 milhões no ano seguinte e para 240,6 milhões em 2020. Transformadores, energia e transportes foram segmentos responsáveis por mais de metade das receitas. Até março, as encomendas totalizaram 63,4 milhões.

Prémios de design

Quanto a investimentos, Ângelo Ramalho admite que "não se estimam necessidades significativas" em 2021, atendendo aos "elevados investimentos" verificados em 2018 e 2019. Recorde-se que, em 2019, o grupo 30,1 milhões, a que acrescem mais 9,4 milhões em 2020. Em 2018 inaugurou, na Maia, uma nova unidade de Mobilidade Elétrica, com a aplicação de 2,5 milhões de euros e o objetivo de aumentar a sua capacidade de produção de carregadores rápidos para veículos elétricos, "segmento em que a Efacec é líder mundial".

A aposta em inovação é uma constante no grupo - valeu 4% das vendas em 2020 -, constituindo uma das linhas de orientação estratégica da Efacec para 2021, a par da recuperação da sustentabilidade financeira e da otimização da performance operacional, entre outras.

E a distinção, já neste ano, com dois prémios Red Dot na categoria de design de produto permite validar a "capacidade de inovação e o pioneirismo permanentes" do grupo. Prémios que Ângelo Ramalho acredita irão "fortalecer a credibilidade internacional da marca, podendo atrair novas oportunidades e desafios".

Sem esquecer que o efeito "motivador para toda a equipa que vê reconhecido o trabalho realizado e o compromisso assumido". O XBarrier100, o mecanismo de barreira de passagens de nível, e o Transformador Modular foram os produtos premiados na mais prestigiante competição de design do mundo, organizada pelo Design Zentrum Nordrhein Westfalen, na Alemanha.


Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de