Contas de 2016

Efacec quebra três anos de prejuízo com 4,3 milhões de lucros

Vanessa Loureiro (vogal) e Ângelo Ramalho (CEO) apresentaram resultados de 2016 da Efacec.
Foto: Global Imagens
Vanessa Loureiro (vogal) e Ângelo Ramalho (CEO) apresentaram resultados de 2016 da Efacec. Foto: Global Imagens

Reestruturação permitiu melhoria operacional e diminuição de custos de produção que se traduziram nos primeiros resultados positivos desde 2012.

O ano passado foi o primeiro, depois da crise, em que a Efacec conseguiu resultados positivos: as receitas aumentaram 15,5 milhões para 431,5 milhões de euros e o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) subiu 25% (7,1 milhões de euros) para 34,9 milhões de euros. Depois de 20,5 milhões de prejuízo em 2015, a empresa fechou 2016 com 4,3 milhões de euros de lucro. “O pior já passou”, garantiu Ângelo Ramalho, CEO da empresa, na apresentação dos resultados, esta terça-feira, à imprensa.

O aumento de 23% nas encomendas, o que equivale a mais 77,1 milhões de euros, para um total de 406,2 milhões de euros, é “para repetir este ano”, dado que o plano estratégico da empresa ambiciona atingir 700 milhões de euros de receitas já em 2020. Para isso, e porque trabalha com projetos de médio e longo prazo, a empresa terá de assegurar o crescimento das encomendas já este ano e atingir um volume de negócios “próximo dos 500 milhões de euros e melhorar os níveis de rentabilidade”.

No ano passado, os melhores mercados da empresa, que exportou 76% da produção, foram Portugal (103,1 milhões de euros), América Latina (55,6 milhões), Reino Unido e Irlanda (54,2 milhões), Angola (48,5 milhões) e Europa Ocidental (32,2 milhões), seguindo-se alguns dos mercados onde estão previstos os maiores crescimentos: América do Norte (22,8 milhões de euros) e Médio Oriente e Ásia (24,2milhões de euros). As áreas de negócio responsáveis pela maioria das vendas foram os transformadores (146,3 milhões de euros), a energia (90,9 milhões de euros), a aparelhagem (61,8 milhões de euros) e ambiente e indústria (46,5 milhões de euros).

Em 2016, a Efacec diminuiu o rácio de dívida líquida/EBITDA para 2 (era 4 em 2015) e o CEO assegura que tal foi atingido devido aos processos de melhoria contínua implementados que permitiram também otimizar toda a cadeia de fornecimento, assim como a renegociação de dívida e prazos de pagamento e a diminuição dos custos de produção introduzidos pela inovação.

Em inovação e desenvolvimento, a empresa investiu 2,3% dos resultados em 2016 e, este ano, pretende aumentar essa percentagem para 3%, nomeadamente apoiando a incubação de startups nas áreas de energia, sistemas e mobilidade. A Efacec quer rejuvenescer a empresa, que comemora 70 anos no próximo ano, atraindo mais recém-licenciados, sobretudo de áreas de engenharia, gestão e marketing.

Com prejuízos de 90,3 milhões de euros em 2013, a Efacec encontrava-se “numa situação de falência técnica” quando, em outubro de 2015, a sociedade controlada por Isabel dos Santos adquiriu 66% da empresa e deu início a um processo de reestruturação. Segundo o relatório de contas hoje apresentado, a 31 de dezembro de 2016 a sociedade Winterfell 2 Limited é detentora de 72,63% do capital do grupo Efacec Power Solutions e os restantes 27,37% são detidos pela MGI Capital SGPS (anteriormente denominada Efacec Capital SGPS).

Há um ano, o grupo deu início a uma ronda de “rescisões amigáveis com funcionários, na sua maioria, mais antigos e em final de carreira”. Ao todo, 175 pessoas saíram da Efacec e, entretanto, sublinhou a administradora Vanessa Loureiro, “outras 100 foram contratadas”.

“A empresa não pode dar-se ao luxo de deixar de usar tudo o que tem ao seu alcance para melhorar no futuro, por isso mantém o estatuto de empresa em reestruturação, mesmo que esteja lá para trás [o momento de rescisão de contratos], mas nunca deixará de se ajustar à realidade do mercado”, justificou Ângelo Ramalho, que não quis adiantar o desenvolvimento do litígio com os engenheiros que prometeram processar a empresa pela retirada de carros, gasóleo e portagens no âmbito do mesmo processo de reestruturação.

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