Elon Musk

A vida de Elon Musk. O visionário que quer morar em Marte

Gagueja, hesita, faz piadas nervosas. Mas, o CEO da SpaceX e da Tesla tem um plano: organizar a expansão dos humanos para outros sistemas solares.

“Se uma pessoa puder escolher onde vai morrer, então Marte não é uma má escolha.” Matt Damon (“Perdido em Marte”) poderia discordar, mas Elon Musk tem tantos projetos ambiciosos que é difícil defini-lo apenas com este – o de colonizar o planeta vermelho e um dia morrer por lá. É, sem dúvida, o que levanta mais sobrolhos. E Musk ainda nem sequer pôs os pés no espaço.

O “problema” de caracterizar este visionário é que ele está a tentar o mundo em várias frentes. É o fundador e CEO da SpaceX, a base da aventura marciana, que está a desafiar as normas de construção e lançamento de foguetões.

É CEO e diretor de tecnologia na Tesla, a empresa que tornou os carros elétricos num bem de luxo desejado.

“Se as coisas correrem como planeado, deveremos poder enviar pessoas em 2024, com chegada em 2025”, explicou o excêntrico empresário.

Criou o conceito por detrás da Hyperloop One, que está a construir um comboio tubular de ar comprimido que pode ir até aos 1300 quilómetros por hora.

Musk, aos 44 anos, atingiu o estatuto estratosférico de um mito em Silicon Valley – talvez comparável apenas a Steve Jobs, da Apple, e a Mark Zuckerberg, do Facebook.

SpaceX CEO Elon Musk speaks after unveiling the Dragon V2 spacecraft in Hawthorne, California May 29, 2014. Space Exploration Technologies announced April 27, 2016, it will send uncrewed Dragon spacecraft to Mars as early as 2018, a first step in company founder Elon Musk's goal to fly people to another planet. REUTERS/Mario Anzuoni/File Photo

Elon Musk, CEO da SpaceX,ao lado da Dragon Version 2. Fotografia: REUTERS/Mario Anzuoni

“Se as coisas correrem como planeado, deveremos poder enviar pessoas em 2024, com chegada em 2025”, explicou o excêntrico empresário na semana passada, durante a conferência tecnológica Codecon. Prometeu mais pormenores para setembro, quando fizer uma apresentação na maior conferência da indústria espacial do mundo, IAC, em Guadalajara.

Musk parece ser alguém que vive perpetuamente no futuro, não só porque dele brotam as ideias mais extraordinárias, mas também porque constrói as tecnologias que permitem chegar a elas.

Será mais ou menos nessa altura que a SpaceX, a empresa que criou em 2001 para tornar mais fácil e barato o lançamento de foguetões, vai começar a reutilizar os quatro que detém. Cada um custa entre 30 e 35 milhões de dólares, daí a importância de conseguir a reutilização, algo em que a empresa tem sido pioneira.

E não se trata apenas de uma excentricidade megalómana. A SpaceX tem vários clientes e prepara-se para lançar a nova constelação Iridum, constituída por 70 satélites, que melhorará a cobertura de banda larga global. No próximo ano, vão lançar o Dragon Version 2, que consegue levar até 7 astronautas e carga à Estação Espacial Internacional.

Depois, a aventura marciana deverá começar já dentro de dois anos. Musk parece ser alguém que vive perpetuamente no futuro, não só porque dele brotam as ideias mais extraordinárias, mas também porque constrói as tecnologias que permitem chegar a elas.

O Dragon Version 2 vai começar a fazer missões regulares até Marte já em 2018, mas sem passageiros: haverá uma missão de transporte de carga de 26 em 26 meses, até ao início da colonização.

“Não tenho um desejo de morte marciano”, brincou Elon Musk na conferência, aludindo às muitas vezes em que disse que não se importava de morrer em Marte – apenas não o queria fazer durante a aterragem.

“A visão é sermos uma espécie multi-planetária, ter a civilização e a vida como a conhecemos expandir-se além da Terra para o resto do sistema solar e eventualmente para outros sistemas solares”, estabeleceu. É isso que é excitante e inspirador. Precisamos de coisas assim para acordar de manhã.”

“Resumindo, o plano é: construir um carro desportivo. Usar esse dinheiro para construir um carro mais barato. Usar esse dinheiro para construir um carro ainda mais barato… Não digam a ninguém.”

Não que Elon Musk durma muito: cerca de seis horas por noite. Passa a semana dividido entre as instalações da SpaceX, no norte da Califórnia, e a fábrica da Tesla, em Fremont (no sul). Às vezes dorme por lá, algo que tenderá a acentuar-se à medida que avançam os planos de produção do Model 3, o primeiro carro elétrico de luxo desenhado para as massas, com o preço de 35 mil dólares.

Desde que foi apresentado, em março, a Tesla já recebeu 400 mil reservas de mil dólares cada – uma procura impressionante, que excedeu as expectativas até do próprio Musk. A intenção é agora produzir meio milhão de carros em 2018 e um milhão em 2020.

Pode parecer que demorou bastante tempo; afinal, a Tesla foi fundada em 2003 e só agora vai ter produção capaz de a transformar numa marca global. Mas era precisamente este o calendário de Elon Musk.

Em agosto de 2006, o empreendedor descreveu-o no site da construtora. “Resumindo, o plano é: construir um carro desportivo. Usar esse dinheiro para construir um carro mais barato. Usar esse dinheiro para construir um carro ainda mais barato… Não digam a ninguém.” Foi o que fez: primeiro o Roadster, depois os Model S e X, agora o Model 3.

Musk parece exibir algumas características contraditórias. É um visionário como Steve Jobs, mas falta-lhe a mestria nas apresentações públicas – gagueja, hesita, faz piadas nervosas.

O sucesso da empresa inspirou dezenas de outras. Só nos Estados Unidos, há quatro ou cinco startups de carros elétricos financiadas aos milhões por empresários chineses. A Google trabalha em carros autónomos há anos, mas Musk considera que a gigante não irá ser uma concorrente direta, devendo ao invés disso licenciar a tecnologia. Já a Apple sim: o CEO acredita que o primeiro carro da maçã chegará em 2020.

Por essa altura, já haverá grande disseminação de carros autónomos e a indústria terá abraçado fontes de energia sustentáveis em grande escala. Musk diz que não merece o crédito integral por tudo o que a Tesla tem feito, mas certamente cumpriu parte do desígnio a que se propôs nos anos de faculdade, quando identificou as três áreas de atuação fundamentais que teriam o maior impacto sobre a Humanidade: a Internet, a energia sustentável e a expansão da vida além da Terra.

O seu trabalho tocou em todas. Começou pela Internet, ficando rico quando criou a Zip2, uma fornecedora de guias de cidades online para jornais, e a vendeu à Compaq por 10 milhões. Depois, fundou a PayPal, a empresa que revolucionou os pagamentos online e acabaria por ser vendida à eBay em 2002, por 1,5 mil milhões.

A Tesla, a Hyperloop e a SolarCity (produção de painéis solares, da qual é chairman) giram em torno da sustentabilidade energética, e a SpaceX é o pináculo das ambições espaciais. A sua fortuna está avaliada em 13,2 mil milhões de dólares (11,6 mil milhões de euros), segundo a Forbes, o que o torna o 37º mais rico dos EUA.

Em certa medida, Musk parece exibir algumas características contraditórias. É um visionário como Steve Jobs, mas falta-lhe a mestria nas apresentações públicas – gagueja, hesita, faz piadas nervosas.

epa05270687 CEO of Tesla Motors Elon Musk attends an environmental conference at Astrup Fearnley Museum in Oslo, Norway, 21 April 2016. EPA/HEIKO JUNGE NORWAY OUT

Elon Musk, CEO da Tesla Motors. Fotografia: EPA/HEIKO JUNGE NORWAY OUT

É um geek como Mark Zuckerberg, mas tem ambições muito diferentes, que passam por salvar o planeta dos combustíveis fósseis e criar um “backup” da Humanidade noutros planetas.

No dia do primeiro casamento, disse à mulher Justine Musk que ele era “o alfa desta relação.” Nascido na África do Sul, foi criado numa cultura dominada por homens. O primeiro filho morreu de morte súbita infantil, e o casal acabou por ter cinco filhos: primeiro gémeos, depois trigémeos.

Em 2008, Elon entrou com um pedido de divórcio e seis semanas depois enviou uma mensagem à ex-mulher, dizendo que estava noivo de uma atriz, Talulah Riley. Casou-se com ela em 2010. Divorciou-se em 2012. Voltaram a casar em 2013, e em março deste ano ela pediu o divórcio.

No meio de uma vida pessoal atribulada, com a custódia conjunta dos trigémeos, Musk também tem uma fundação, para a qual direciona os seus esforços filantrópicos. No final do ano passado criou a Open AI, uma organização sem fins lucrativos dedicada a garantir que a evolução da inteligência artificial não acaba com a Humanidade.

“Não tenho medo de robôs”, declarou na Codecon, só para afastar a ideia de que ele e Stephen Hawking, os maiores profetas do apocalipse da inteligência artificial, têm medo da inovação. “Estou preocupado com algumas direções que a IA pode tomar que não são boas para o futuro. Se criarmos uma superinteligência que nos supera bastante, é importante que seja benigna”, reforçou. “A intenção é democratizar o poder da IA.”

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