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Embraer revê instruções de manutenção de aviões idênticos ao da Air Astana

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Revisão e possíveis alterações devem ser feitas até 30 de setembro de 2019.

A Embraer, que se vai passar a chamar Boeing Brasil – Commercial, vai rever até setembro deste ano as instruções de manutenção dos modelos 170/190, na sequência da investigação ao acidente com o avião da Air Astana, que aterrou de emergência em Beja, no ano passado.

Uma nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a agência Lusa teve hoje acesso, explica que, “do debate entre a investigação e a Embraer, relativamente aos achados da investigação até ao momento”, resultou uma tomada de ação pelo fabricante.

“Até 30 de setembro de 2019, rever e alterar, conforme seja necessário, as instruções de manutenção dos produtos Embraer 170/190 em toda a documentação de manutenção considerada necessária e relacionada com comandos de voo, incluindo a avaliação do SB 190-57-0038 [boletim de serviço]”, pode ler-se no documento.

O SB 190-57-0038 diz respeito à instalação do sistema de cabos de comando dos ‘ailerons’, os quais controlam os movimentos de rolagem da aeronave com a atuação dos dois comandos de controlo, ou através do piloto automático.

A investigação identificou erros e falhas na manutenção do Embraer 190-100 da Air Astana, que em 11 de novembro do ano passado aterrou de emergência em Beja, após descolar de Alverca com os cabos de comandos dos ‘ailerons’, direito e esquerdo, trocados.

“Durante a fase inicial e de recolha de dados da investigação, foram examinados em detalhe os controlos de voo da aeronave, tendo sido confirmada a incorreta instalação do sistema de cabos de comando dos ‘ailerons’, em ambas as semi-asas”, concluiu o GPIAAF.

A nota informativa acrescenta que a investigação “fornece também, desde já, à Embraer, dados e factos relevantes” para que o fabricante brasileiro, se assim o entender, tome a iniciativa de atuar noutras vertentes.

“Possa alertar, pelos canais oficiais, os operadores e centros de manutenção (MROs) sobre possíveis falhas de manutenção não detetadas e após uma perturbação significativa nos sistemas de controlo de voo (…). Possa fornecer material de orientação aos operadores e MROs para identificar positivamente as possíveis falhas de ações de manutenção após as intervenções realizadas nos sistemas de controlo primários da aeronave”, salienta o GPIAAF.

O Embraer 190-100 descolou às 13:31 de 11 de novembro da base militar de Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, depois de realizar, durante 11 dias, trabalhos de manutenção programada nas instalações da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, SA, e aterrou de emergência em Beja, pelas 15:28.

O avião, com um piloto, dois copilotos e três técnicos da companhia aérea do Cazaquistão a bordo, sobrevoou a região a norte de Lisboa e o Alentejo, numa trajetória irregular e “fora de controlo por alguns instantes, em vários momentos”, antes de ter sido tomada a decisão de aterrar em Beja.

Os investigadores do GPIAAF constataram ainda a existência de incumprimentos pela OGMA em diversos níveis de controlo, que deviam avaliar e analisar os trabalhos de manutenção executados e detetar anomalias.

“Do trabalho de investigação desenvolvido até ao momento, resultou também a identificação de desvios aos procedimentos internos por parte do prestador de serviços de manutenção, que levaram a que o erro não fosse detetado nas diversas barreiras de segurança desenhadas pelos reguladores, pela indústria de manutenção aeronáutica e no próprio sistema implementado no prestador de serviços de manutenção”, sublinha o mesmo organismo público.

Na sequência da investigação e dos dados apurados até ao momento, o GPIAAF diz que “aquele prestador de serviços de manutenção [OGMA] desencadeou um plano de ação no sentido de eliminar os fatores resultantes nos desvios constatados nos procedimentos realizados”.

Da análise preliminar à condição da aeronave após o voo de 11 de novembro de 2018, foram identificados “danos estruturais importantes nas semi-asas, na fuselagem e nas superfícies de controlo de voo”, que levaram o GPIAAF a alterar a classificação inicial de incidente grave para acidente.

O GPIAAF refere que a investigação de segurança vai prosseguir “de forma a concluir a análise da totalidade dos factos relevantes e emitir as recomendações de segurança”.

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