Empordef acusa Estaleiros de Viana de gestão “ruinosa”

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O atual presidente da Empresa Portuguesa de Defesa (Empordef), Vicente Ferreira, acusou hoje a gestão dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo (ENVC) de praticarem uma gestão “ruinosa” e pediu mesmo que explicassem como é que se chegou à situação de falência técnica.

“A Empordef tem estado sempre do lado da solução e aquela que foi encontrada agora é a solução possível e não a melhor, mas é preciso explicar aos portugueses como é que havia asfalteiros que nunca foram construídos; como é que se aceita a devolução de um navio como o Atlântida, como é que se destruíram 300 milhões de euros que são o passivo da empresa ou porque é que compraram aço que não foi para navio nenhum e depois foi vendido em leilão.A gestão foi ruinosa”, disse esta tarde num encontro com jornalistas.

Segundo Vicente Ferreira, que só esta à frente da Empordef há dois anos, um dos casos mais graves que encontraram quando começaram a avaliar a empresa para a tentar salvar foi a questão do navio Atlântida, e cujo contrato teve de ser interrompido. “O Atlântida foi a certidão de óbito daquele estaleiro. Levou a que ficassem com 70 milhões de euros de prejuízo em cima dos 120 milhões de euros que já tinham”, comentou.

Outra questão de peso que a nova administração da Empordef encontrou e que é sinónimo da referida gestão ruinosa tem a ver com o aço não usado. “A compra foi feita de forma ilegal sem recurso à contratação pública. Foram gastos dezenas de milhões e depois 1700 toneladas foram vendidas em leilão à Martifer porque os Estaleiros precisavam de pagar salários”, comentou.

E acrescenta: “Aquele estaleiro estava obrigado a respeitar a lei, mas até 2011 não havia nenhum contrato público e, no entanto, havia compras. Isto tudo levou a que, há dois anos, a situação fosse de autêntico desespero com fornecedores na falência e penhoras. Chegámos a ter guindastes penhorados”.

Vicente Ferreira pede, por isso, que as entidades reguladoras avaliem novamente a situação – porque, repara, não cabe à Empordef fazê-lo – principalmente o caso do navio Atlântida. “Queremos que o processo todo seja reavaliado, a interrupção e o prejuízo assumido”, disse.

Vicente Ferreira destacou ainda a questão dos auxílios da União Europeia que, entretanto, foram considerados ilegais e levaram a que se optasse pela subconcessão, neste caso, à Martifer. Segundo o responsável da Empordef, os auxílios de 181 milhões de euros em causa foram pedidos mas não foram usados em qualquer construção ou obra e teriam de ser devolvidos.

Para evitar que fossem devolvidos, a empresa teria de ser extinta e os trabalhadores todos despedidos e para que isso não acontecesse o Governo decidiu avançar com a atribuição de uma subconcessão que, no final de novembro, entregou à Martifer. O problema é que, mesmo com esta nova solução, os trabalhadores serão igualmente despedidos, ainda que se mantenha a empresa.

“Como disse esta é a solução possível. Infrigimos a lei comunitária e os despedimentos são uma condição. Se tivéssemos avançado para a reprivatização não teríamos de despedir, mas não estávamos em condições para isso”, explicou.

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