Emprego

Empresa portuguesa que mais contrata já recrutou 500 pessoas desde janeiro

João Cardoso, CEO da Teleperformance em Portugal
(Diana Quintela / Global Imagens)
João Cardoso, CEO da Teleperformance em Portugal (Diana Quintela / Global Imagens)

São perto de 11 mil os trabalhadores da Teleperformance em Portugal. 80% dos funcionários do 'contact center' são efetivos.

A Teleperformance é a empresa que mais cresce em Portugal, ao nível da criação de emprego. No final de 2018, a empresa de ‘contact centers’ tinha mais 2.500 funcionários face ao final do ano anterior. Desde janeiro deste ano, já foram feitas 500 contratações, conta João Cardoso, CEO da Teleperformance em Portugal, ao Dinheiro Vivo.

Das 100 mil pessoas que o setor emprega no país, segundo um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC), perto de 11 mil trabalham na Teleperformance, distribuídos pelos centros de Lisboa, Porto, Covilhã e Setúbal. “Nós procuramos talento um pouco por todo o lado”, diz o responsável da empresa que, garante, “está sempre a recrutar”, dentro e fora de Portugal.

Português, inglês, francês, espanhol, árabe, sueco e norueguês são apenas algumas das línguas que ecoam nos centros de contacto da Teleperformance. Ao todo, existem 86 nacionalidades. E para quem vem de fora, a empresa oferece alojamento. Ao longo dos anos, a Teleperformance criou uma rede de proprietários, considerados “parceiros de negócio”, com o objetivo de providenciar alojamento aos colaboradores que recruta no estrangeiro.

“Nós facilitamos tudo à relocalização. A esse nível, penso que a empresa foi completamente inovadora. Montámos um modelo que não existe a esta escala na Europa. Facultamos todo um pacote de relocalização que inclui inclusivamente o alojamento, as viagens e tratamos de toda a burocracia em Portugal. Para uma pessoa que queira entrar em Portugal, mesmo vinda da União Europeia, pode enfrentar bastantes dificuldades”, explica João Cardoso.

O líder da Teleperformance em Portugal lamenta a ainda fraca resposta por parte do Governo no que diz respeito à entrada de pessoas qualificadas. “Penso que a máquina burocrática ainda não está adaptada a essa necessidade. Durante vários anos, lamentámos muito que estávamos a perder cérebros. Hoje vemos a situação inversa”.

Estigma do trabalho temporário
Associar os ‘contact centers’ a trabalho temporário é comum. Mas o estudo da APCC indica que, em 2018, eram apenas 7% os trabalhadores em situação de trabalho temporário e 3% aqueles que estavam a recibos verdes. Dos mais de 37 mil colaboradores analisados – o estudo incidiu sobre 143 empresas nacionais -, o número de contratos sem termo subiu de 32% em 2017 para 49% em 2018.

João Cardoso explica que também recorre ao trabalho temporário, para “endereçar projetos que têm esse caráter”. Na Teleperformance, 80% dos trabalhadores têm um contrato efetivo.

Mas há mais, adianta o CEO. No ano passado foram promovidos 466 trabalhadores. “Como temos crescido tão rapidamente, isso tem-nos permitido criar oportunidades de carreira incríveis. Temos aqui pessoas que estão na administração da empresa, que começaram a carreira na gestão de interações com clientes há relativamente pouco tempo. Fizeram carreira na empresa e em 7 ou 8 anos já fazem parte da comissão executiva”, conta.

Quanto a salários, estes dependem da função desempenhada. Aqueles que ganham mais são os engenheiros de software que prestam suporte técnico e que podem levar para casa cerca de 1.700 euros ao final do mês. Mas os salários começam nos 720 euros para outras funções de apoio ao cliente.

João Cardoso acredita que aqueles que trabalham na empresa que lidera estão satisfeitos e isso deve-se à “liderança orientada à motivação e ao desenvolvimento das pessoas”.

“Quando olhamos para os resultados das avaliações de clima, de satisfação dos colaboradores, vemos que temos estado sempre melhor dentro de todos os setores de atividade. Quando o Great Place to Work avalia as empresas em Portugal com o melhor nível de satisfação dos colaboradores, fazem-no com base em inquéritos que eles próprios controlam dentro das empresas. Todos os anos temos cerca de cerca de 1.500/2.000 colaboradores que são inquiridos de forma aleatória, dentro da organização. Aqueles resultados não são manipulados e refletem a realidade”, salienta.

Ao longo dos últimos nove anos, a Teleperformance tem sido considerada uma das melhores empresas para trabalhar, de acordo com as avaliações do Great Place to Work, que a coloca este ano novamente no Top 25. Por essa razão, João Cardoso revela não se identificar com a “imagem negra” dos ‘contact centers’.

O futuro
“Há uma série de fatores multiplicativos que têm feito disparar a necessidade deste tipo de serviços”, aponta o CEO da Teleperformance em Portugal. João Cardoso refere-se, por exemplo, à crescente variedade de novos produtos no mercado, à digitalização ou à passagem da economia de um modelo de aquisição para um modelo de subscrição. Considera este último como um “fenómeno da década”. As relações entre empresas e clientes estão agora a prolongar-se no tempo com estes novos modelos.

“Os grandes utilizadores dos nossos serviços foram sempre empresas que também têm uma relação continuada no tempo com os seus clientes – serviços de telecomunicações e a banca. A questão é que com a passagem para o modelo de subscrição, todas estas empresas passam a ter uma relação prolongada no tempo com os seus consumidores. E isso significa que elas vão ter de prestar um serviço de excelência para não os perder”.

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