Turismo

Empresas abrem as portas a um Turismo industrial

Antiga fábrica de colchões de molas da Molaflex
Antiga fábrica de colchões de molas da Molaflex

Turismo industrial de S. João da Madeira arranca em maio. As empresas acreditam que haverá um reforço das marcas

As empresas que em maio irão aderir aos roteiros do Turismo Industrial de S. João da Madeira atribuem a decisão à vontade de afirmarem as suas marcas na história local, proporcionando também um novo incentivo aos seus trabalhadores.

“Nunca fechámos a porta a quem quis vir conhecer o nosso trabalho e até por isso já tínhamos criado na empresa uma sala-museu, mas esta é uma forma de nos darmos a conhecer melhor aos profissionais da área e também ao público em geral”, explicou hoje Alberto Bulhosa, administrador da Bulhosas (Irmãos), SA, que fabrica etiquetas em papel e autoadesivas, e será uma das fábricas a acolher visitas guiadas durante o seu horário de laboração.

Além disso, a abertura da empresa aos turistas “é sempre um novo incentivo para os funcionários da casa, que vêm o seu trabalho reconhecido por mais gente e ganham assim um novo estímulo para o desempenho das suas funções”, declarou o empresário à Lusa.

Nessa unidade de artes gráficas fundada em 1935 e hoje com 3.800 metros quadrados, o público vai ter oportunidade de apreciar o trabalho desenvolvido por 44 trabalhadores em espaços como a gráfica com diferentes sistemas de impressão, as oficinas de serigrafia e offset, e as áreas de estampagem a quente, rebobinagem e controlo de qualidade.

Da empresa saem sobretudo rótulos, embalagens, etiquetas, códigos de barras e outros meios de identificação gráfica para diversos produtos, mas a fábrica também tem como atividade secundária a injeção de plásticos para artigos como cabides, grampos e porta-copos.

A empresa conta com uma carteira de 500 clientes e 40% da produção é encaminhada para o mercado externo, sobretudo na Europa. “Mas, se se considerarem as vendas para entrepostos isentos de IVA, como acontece com o vinho do Porto, a exportação já passa a ser de 60%”, realçou Alberto Bulhosa.

Na Flexitex – Fábrica de Tecidos SA, por sua vez, a adesão ao programa de Turismo Industrial também é uma questão de brio. “Devido ao barulho dos teares, não acredito que sejamos dos locais mais visitados, mas participamos no projeto porque ele é relevante para a cidade e, sobretudo, porque ajuda a aumentar a autoestima do nosso pessoal”, defende Domingos Leite Castro, administrador da empresa com 82 trabalhadores e que ocupa uma área de 4.000 metros quadrados.

O ruído deve-se ao funcionamento contínuo de vários teares com 7.000 fios e ainda dois teares circulares com 2.376 agulhas, todos eles dedicados exclusivamente à criação de revestimentos para colchões.

Com recurso a esses mecanismos, a empresa criada em 1964 produz diariamente 5.000 metros quadrados de malha e 10.000 de tecido jacquard (com padrões complexos de entrelaçamento).

Poliéster, algodão, viscose, liocel e amicor são alguns dos materiais utilizados nessas telas, que podem incorporar fragrâncias relaxantes, tratamentos antiácaros ou antifúngicos, acabamento antifogo e até dispositivos eletrónicos para monitorização terapêutica.

Quanto ao destino da produção, a Flexitex reparte os seus tecidos entre a indústria nacional de colchoaria e o mercado externo, sobretudo Espanha, Reino Unido, países africanos e sul-americanos.

A terceira empresa que passará a acolher turistas nas suas instalações é a Molaflex, SA, que nasceu em 1951 e, segundo o seu diretor-geral, Victor Marinheiro, “lidera o mercado nacional com uma quota de 27%” e é “um dos grandes ‘players’ mundiais” em sistemas de descanso para hotelaria.

Dos 13.500 metros da fábrica saem diariamente 1.400 colchões, selecionados num catálogo que reúne 440 modelos, cada um dos quais disponível em 36 dimensões diferentes. E se em 2016 a produção total foi de 270.000 unidades, 70% das quais para o mercado externo, o objetivo atual é que os quase 300 funcionários da casa cheguem aos 300.000 colchões até final de 2017.

“Temos muito orgulho na história da Molaflex e aqui dentro somos como uma família”, disse Victor Marinheiro. “Por isso é que vamos ter todo o gosto em receber cá quem nos venha visitar e queira descobrir mais sobre este universo maravilhoso que é a indústria do descanso e toda a ciência aplicada num colchão”, concluiu.

 

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