Empresas devem "apanhar o comboio" para o metaverso industrial

O aviso foi deixado por Peter Koerte, da Siemens, esta manhã na Web Summit, onde falou sobre o potencial transformador da tecnologia para indústrias tão diversas como a automóvel ou aeronáutica.

Há um ano, a empresa que detém o Facebook anunciou ao mundo, no palco da Web Summit, que o metaverso seria a sua próxima grande aposta. Hoje, a cimeira tecnológica recebeu Peter Koerte, líder de tecnologia e estratégia da Siemens, e Jean-Marc Ollagnier, CEO da Accenture Europe, que debateram a capacidade transformadora da tecnologia ao serviço dos negócios. "O potencial é imenso, é por isso que [as empresas] devem, definitivamente, apanhar este comboio", avisou o líder da Siemens.

Apesar de continuar a ser um bicho de sete cabeças para muitos, o metaverso não é mais do que "a evolução natural da internet", explica Ollagnier. "O metaverso é a nova internet - conecta pessoas, dispositivos e equipamento em todo o mundo. Mas está a fazer algo muito diferente, que é fazer a ligação entre a realidade física com a realidade virtual e digital", detalha o especialista da Accenture.

Ambos consideram que este é o caminho que a sociedade irá seguir, digitalizando desde ativos e infraestruturas a cidades e até "nós próprios", aponta Ollagnier. O combustível para alimentar toda esta transformação assenta, sobretudo, no blockchain, que permitirá "saber quem detém os ativos digitais", mas também a realidade virtual e aumentada.

Indústria virtual: eficiente e sustentável

O verdadeiro potencial está, contudo, na aplicação desta inovação à realidade das empresas. E isso, apontam os peritos, faz parte do esforço de transformação digital que há mais de uma década é discutida entre gestores. Peter Koerte fala no conceito de metaverso industrial, que parte dos mesmos pressupostos que o metaverso para o consumidor, mas tira partido da tecnologia para melhorar a eficiência energética, reduzir as emissões de carbono e aumentar a produtividade.

"As fábricas são responsáveis por 28% de todos os gases com efeito de estufa e, por isso, temos de torná-las mais eficientes. Podemos começar por construir gémeos digitais e simulá-los como se fossem reais", detalha o responsável da Siemens, que tem vindo a apostar na disponibilização de soluções comerciais nesta área. Embora reconheça que os gémeos digitais - que mais não são do que réplicas digitais de ativos físicos - não são uma novidade, afirma que a inovação está na capacidade que já existe de simular aspetos da física e construir modelos CAD fotorealísticos e funcionais, que podem ser alterados, personalizados e ajustados em tempo real.

Jean-Marc exemplifica com a indústria aeronáutica. "Podemos testar no metaverso, por exemplo, se um avião [que estamos a desenvolver] conseguirá voar, antes ainda de construirmos um protótipo", perspetiva. "Quanto mais pudermos desenhar no mundo virtual, melhores produtos e serviços podemos desenvolver e fazê-lo de forma mais rápida e mais barata", concretiza.

Os ingredientes necessários para avançar nesta fase da transformação digital já existem. A tecnologia está pronta, falta apenas que os gestores e as empresas procurem compreender "este novo mundo" e testar soluções aplicadas à sua realidade. Durante o período pandémico, a Accenture contratou, a nível global, cerca de 150 mil pessoas que foram integradas na empresa e formadas através do metaverso. "É preciso ter a coragem para mudar e entender o potencial das novas tecnologias", defende o CEO.

Do lado da multinacional alemã, a plataforma Siemens Xcelerator que "conecta fornecedores de boa tecnologia com bons casos de uso para diferentes indústrias" de forma aberta. O objetivo é criar um ecossistema que potencie a transição digital e apoie as empresas a abraçar as vantagens da inovação nesta área. "Não há nenhuma empresa que o consiga fazer sozinha", alerta Peter Koerte.

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