Transformação digital

Empresas em Portugal têm sites quatro vezes mais lentos

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O tempo médio de carregamento dos sites empresariais em Portugal, no mobile, é de 11 segundos. A Google recomenda três.

Alguns segundos apenas de atraso no tempo de carregamento de um site no mobile causam um nível de stress no utilizador semelhante ao de assistir a um filme de terror ou à espera na fila de supermercado. Uma conclusão surpreendente do Ericsson Mobility Report de 2016 que ajuda a compreender o impacto da análise feita agora pela Karma Network, agência de estratégia e execução digital, a 34 grandes empresas em Portugal (ver infografia abaixo): os seus websites demoram em média 11 segundos a carregar na rede móvel.

Um estudo da Google, de fevereiro de 2018, revelou que 53% das visitas eram abortadas se um site mobile demorasse mais de três segundos a carregar e vai piorando à medida que o tempo aumenta.

Rui Correia Nunes, CEO da Karma Network, considera que “não há um entendimento compreensivo por parte das empresas em Portugal das implicações concretas que ter um site lento acarreta para os seus negócios, o que é preocupante, tendo em conta que, no mercado globalizado dos dias de hoje, a concorrência está, literalmente, a um clique de distância”.

Mais exigência

“Os consumidores estão mais exigentes do que nunca e quando avaliam a experiência num website mobile de uma empresa não estão apenas a compará-lo com os respetivos concorrentes mas também com os melhores tipos de serviços e de experiências a que recorrem todos os dias”, explica ao Dinheiro Vivo Frederico Costa, Head of Agencies & Branding da Google Portugal. “E no que se refere à experiência de utilização, a velocidade é muito importante.”

Ponto de vista partilhado também por Alexandre Nilo Fonseca, presidente da Acepi, uma associação dedicada à digitalização das empresas e ao comércio eletrónico, para quem a “expectativa elevada do consumidor” deveria ser motivo de “preocupação para as empresas oferecerem um nível de resposta adequado”.

Nesta análise às empresas portuguesas, os setores do turismo e transportes (com 8,99 segundos de espera), e da moda e retalho (9,96), são os que apresentam menor tempo médio de carregamento. No extremo oposto estão as telecomunicações e energia (12,96 segundos), os seguros (12,8) e a banca e crédito (10,55). A análise decorreu entre setembro e outubro e foram feitas três medições do índice de velocidade da página inicial de cada site, através da ferramenta Google PageSpeed Insights. Os valores resultam da média de tempos de cada empresa, agrupados depois por setor.

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Frederico Costa, da Google, explica que “os atrasos causados pela velocidade no mobile não são apenas frustrantes, mas podem também ter um impacto negativo nos resultados dos negócios. Verificamos, por exemplo, que um atraso de um segundo nos tempos de carregamento no website mobile pode ter um impacto de até 20% nas taxas de conversão.”

“Ao longo dos últimos anos, as marcas e as diferentes indústrias têm vindo a fazer esforços para reduzir estes tempos de carregamentos”, avalia o Head of Agencies & Branding da Google Portugal. “Mas ainda têm muito trabalho pela frente, muitos motivos para melhorar a velocidade do mobile e imensas oportunidades para aproveitar e capitalizar.”

As últimas estimativas do Ecommerce Europe Report, revelam que o volume de receitas geradas pelo e-commerce em Portugal em 2019 deverá crescer 9,73%, representando 2,78% do PIB. Dados da União Europeia indicam que 44% dos portugueses com mais de 25 anos fazem compras online e 41% entre os 16 e os 25 anos.

Para o CEO da Karma Network, os gestores das empresas tendem ainda a “desconhecer o verdadeiro potencial de valor acrescentado do digital, de um modo transversal, para o seu negócio. São os especialistas digitais quem possui este conhecimento técnico, sendo depois incapazes de o traduzir para a linguagem de negócio dos decisores. O derradeiro desafio passa por aproximar estes dois grupos”.

Sobre o problema da velocidade, Rui Correia Nunes aponta tecnologias como as AMP (Accelerated Mobile Pages), que permitem que um site demore menos de um segundo a carregar em dispositivos móveis.

A experiência do utilizador

A exigência dos consumidores é crescente, até porque o acesso em Portugal à internet fixa é dos mais rápidos, com uma velocidade média de download de 96.54 megabits por segundo (Mbps), estando nós em 24.º lugar entre 175 países do ranking Speedtest, produzido pela empresa de mediação de redes Ookla. Já no mobile, com 35.84 Mbps, ocupamos o 42.º lugar em 140 países. Mas há outro fator a considerar, considera o presidente da Acepi: ao comparar com sites internacionais, “há atividades [comerciais] em que as pessoas têm a expectativa de não esperar muito tempo” – é o caso do e-commerce e da banca online. E “mesmo alguns serviços públicos têm de ter um nível de resposta rápido”.

O Head of Agencies & Branding da Google Portugal explica que o tráfego na internet é cada vez mais realizado a partir de dispositivos móveis. “Neste sentido, o desempenho dos websites mobile tem um papel crítico no sucesso de qualquer experiência online, já que websites mobile com elevado desempenho envolvem e retêm mais utilizadores do que aqueles que têm um baixo desempenho. De acordo com um estudo da Google, websites mobile que carregam em 5 segundos conseguem obter duas vezes mais receitas de publicidade mobile do que os websites que têm tempo de carregamento de 19 segundos. Têm também, por exemplo, sessões 70% mais longas. A velocidade de carregamento de um website é por isso particularmente importante.”

“A criação de uma experiência de utilizador com padrões mínimos é fundamental para que uma marca possa ser considerada pelos potenciais clientes”, acrescenta o CEO da Karma Network. “Essa consideração é, cada vez mais, ditada pela primeira impressão com que se fica e que muito tem a ver com a velocidade de carregamento das páginas, influenciando diretamente as intenções de compra.” Rui Correia Nunes explica que um utilizador não está, hoje, disponível para esperar 11 segundos para que um site carregue. “O que funciona como referência acaba por ser definido pelas expectativas dos consumidores, que são, invariavelmente, criadas pelos grandes players do mundo digital, como o Google, o Facebook, a Amazon ou o Alibaba, entre outros. Atualmente, há um grande fosso entre estes players mais sofisticados e os restantes sites, mesmo fora de Portugal. Quando comparamos a realidade nacional com o panorama global, o que acontece é que este desfasamento se agudiza.”

A Anacom revela que os utilizadores efetivos do serviço móvel de acesso à internet atingiram os 7,8 milhões no final do primeiro semestre, uma subida de 8,6% face a igual período de 2018, o que corresponde a 75,9% dos portugueses.

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