Empresas portuguesas de mobiliário ganham mercado e notoriedade internacional

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As empresas portuguesas presentes na feira internacional de mobiliário Esprit Meuble, em Paris, consideram que, apesar de a internacionalização ser um caminho longo e complicado, estão a ganhar cada vez mais mercados e notoriedade ao nível internacional.

Bruno Cunha, gestor da Praddy, que emprega cerca de 30 trabalhadores, começou este ano o seu processo de internacionalização e faz um balanço, “muito positivo” desta primeira feira.

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O gestor da empresa vê com “orgulho” a representação de Portugal na Esprit Meuble face ao seu concorrente francês.

“Portugal mostra-se muito bem, tanto a nível de qualidade, como a nível de imagem, muito virado para aquilo que o mercado precisa, para as necessidades do mercado”.

Mário Brito, administrador da ABrito, empresa com cerca de 70 colaboradores, está presente no mercado externo há cerca de treze anos, seis em França.

Considera que o mercado português é pequeno para a capacidade que as empresas nacionais atingem no momento, pelo que, mesmo que não houvesse crise, acabariam por procurar o caminho da internacionalização.

“É verdade que têm desaparecido algumas indústrias portuguesas, mas mesmo assim, a capacidade portuguesa assegura um volume de produção bem superior ao que tínhamos há 15 anos, e àquilo que se pode vender em Portugal. Não nos podemos cingir ao mercado português”.

“Exportar não é fácil, mas não é impossível, é um trabalho longo”, assegura.

O setor português “tem ganho mercado e notoriedade e já não somos um parente pobre da indústria de mobiliário mundial, temos reconhecimento que advém do mérito de todos nós, em conjunto, do bem que temos vindo a fazer”,acrescentou.

Joaquim Carneiro, diretor geral da Animovel, que emprega cerca de 70 trabalhadores, está em Paris há dez anos.

Acredita que “é preciso trabalhar muito para conseguir ter alguns frutos” ao nível da internacionalização, que “é muito difícil”, mas é possível com “profissionalismo, competência e honestidade”.

“As fábricas estão a encerrar [em França] e nós estamos a aproveitar isso para nos posicionarmos no mercado e ocupar o lugar deles. Os portugueses estão a vender o que os franceses antigamente vendiam. Eles não se adaptaram ao moderno, não se adaptaram a uma série de coisas que era preciso mudar e que não mudaram, nós adaptámo-nos”, explicou.

“Os nossos clientes vêm aqui e acreditam agora no nosso produto português porque uma série de fábricas vieram cá para fora e passaram uma boa imagem”, adiantou, considerando que a imagem de Portugal “cada vez está melhor”.

Sónia Soares, comercial de exportação da DOMK, assegura que “está muito complicado vender em Portugal” e, por isso, é necessário que a empresa se vire “o máximo possível para a exportação” de forma a “tentar abrir novos horizontes e novos negócios”.

Esta é a segunda feira internacional da empresa, que conta com 60 funcionários. Sónia Soares considera que a internacionalização é “um caminho longo”, que só ao fim de alguns anos pode dar frutos.

“Temos que vir a esta feira dois ou três anos para conseguirmos ser reconhecidos no mercado. De início é difícil, cria-se uma rede de representantes, uma rede de contactos, de clientes, mas em termos de vendas é difícil no início. Daqui a dois ou três anos, se continuarmos a fazer a feira, aí sim, vai dar frutos com certeza”.

Para as empresas portuguesas presentes no certame, a internacionalização é um processo é um processo complicado, mas não impossível, que tem vindo a dar frutos, ao longo dos anos, melhorando cada vez mais a imagem de Portugal neste setor, a nível mundial.

A segunda edição da feira internacional de mobiliário Esprit Meuble decorre em Paris de 16 a 19 de novembro, com 24 empresas portuguesas presentes, mais do dobro que na primeira edição. Portugal ocupa perto de 1.900 metros quadrados de superfície de mostra nesta feira de mobiliário, que espera pela visita de cerca de 10 mil visitantes profissionais.

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