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Encomendas com atraso fazem subir queixas contra CTT

Pedro Granadeiro / Global Imagens
Pedro Granadeiro / Global Imagens

Só num mês reclamações dispararam 34%. Correios admitem “constrangimentos” pelo aumento do tráfego

Desde abril que 90% das compras que Vítor Sousa faz em sites chineses não lhe chegam a casa e aponta o dedo aos CTT. É uma das 3632 reclamações recebidas pelo Portal da Queixa desde o início do ano e que tornam os Correios no “campeão” das reclamações no portal do consumidor. Só num mês, de 17 junho a 17 julho, deram entrada 936 queixas, uma subida de 34% face às 699 de há um ano. Os CTT admitem “constrangimentos” com a entrega de encomendas, bem como um eventual impacto “na dimensão e estabilidade das equipas” com o período de férias.

Problemas com as encomendas internacionais representam quase metade (48%) das mais de três mil reclamações no Portal da Queixa. “Os CTT têm sentido constrangimentos devido a expedições irregulares de e-commerce, sobretudo internacional, nomeadamente com o aumento de compras realizadas em sites chineses”, admite fonte oficial dos CTT ao Dinheiro Vivo.

Encomendas da china
O número de encomendas vindas do espaço extracomunitário tem vindo a aumentar. Só no ano passado os CTT receberam mais de 15 milhões de objetos de tráfego de fora da União Europeia, tendo os problemas feito sentir-se sobretudo com as encomendas usando o método Yanwen (operador logístico chinês), com quem os CTT não têm acordo. De 17 junho até 17 de julho, este método de envio representava 10% das 936 reclamações recebidos no Portal da Queixa. Problemas com processos alfandegários representam outros 10%. Desde maio de 2018, para facilitar o processo de desalfandegamento, os CTT disponibilizam no site uma funcionalidade (processo aduaneiro) em regime de self-service, que o cliente pode utilizar para desalfandegar os seus objetos.

Mas não são apenas as encomendas internacionais que geram insatisfação. Mais de um terço (39%) das queixas registadas entre junho e julho incidia sobre falha e extravio na entrega; seguido de atraso (13%), mau serviço prestado (11%), roubo e violação das encomendas (10%), atendimento no serviço prestado (4%) e encomendas danificadas (1%). Problemas com vales postais eram 2% das queixas.

Férias com impacto?
Os CTT têm em curso um plano de modernização, no qual vão investir nos próximos dois anos 40 milhões, em equipamento para melhor eficiência, mas também para dotar a distribuição de rotas mais dinâmicas. “Algumas destas alterações estão já em marcha podendo causar algumas situações pontuais de adaptação de redes e rotas, mas com impacto na qualidade a curto prazo”, diz fonte oficial dos Correios.

Sendo este um “período habitual de férias (com) respetivo impacto na dimensão e estabilidade das equipas, além do número das encomendas”, os CTT dizem estar a fazer “um esforço adicional em reforçar as suas equipas para responder com qualidade aos clientes”.

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