Energia

Endesa de olho nas barragens da EDP, confirma CEO da elétrica espanhola

José Bogas, CEO da Endesa
José Bogas, CEO da Endesa

A Endesa vai analisar a compra de ativos da EDP, nomeadamente centrais hidroelétricas.

Tal como o diretor-geral da Endesa em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, já tinha confirmado em entrevista ao Dinheiro Vivo, a elétrica espanhola está atenta ao anunciado plano de venda de barragens da EDP na Península Ibérica e interessada em comprar “centrais com base em energias renováveis, seja eólico, solar ou hídrico”. “Estamos atentos”, disse o responsável, confirmando que a empresa está também na corrida aos concursos para a operação de redes elétricas, assim que o governo decida avançar com o processo, para já congelado.

“Há uma operação que independentemente de decisão de venda ou não da EDP vai ter de ocorrer, que são os concursos das redes em baixa tensão e nós estamos interessados neste processo. É um processo que as câmaras municipais terão de orientar. E poderá haver outros ativos de produção de geração elétrica que nos possam vir a interessar”, disse Nuno Ribeiro da Silva ao programa A Vida do Dinheiro.

O responsável confirmou que a Endesa tem um programa de investimentos a nível geral da Península, que em média, por ano, andará na ordem dos cinco mil milhões, dividido em vários domínios. “Em Portugal estamos muito interessados em desenvolver investimentos na área do solar fotovoltaico” no sul do país, garantiu ainda.

Esta quarta-feira, foi a vez de José Bogas, presidente executivo da Endesa, confirmar precisamente as mesmas intenções, à margem da apresentação dos resultados trimestrais da empresa: a Endesa vai analisar a compra de ativos da EDP, nomeadamente centrais hidroelétricas.

“Vamos analisar o plano de desinvestimentos da EDP à procura de eventuais ativos de produção [elétrica], como hidroelétricas em Portugal, que se podem encaixar na nossa posição estratégica”, disse o CEO, citado pela Lusa, numa reunião com analistas durante a apresentação dos resultados trimestrais.

José Bogas considerou que as centrais hidroelétricas da EDP, em Portugal, podem “encaixar estrategicamente” nos planos da Endesa: “Já estamos expostos a este mercado que está integrado com o mercado espanhol”.

Tal como Nuno Ribeiro da Silva já tinha garantido, o presidente executivo da energética acrescentou que a Endesa está “mais interessado” em ativos de distribuição e renováveis, descartando completamente a compra de centrais de ciclo combinado.

A EDP pretende vender ativos no valor de 2.000 milhões de euros nos dois países ibéricos nos próximos anos, segundo o plano estratégico da empresa portuguesa.

A Endesa é o maior operador de centrais de energia nuclear em Espanha e as declarações do executivo máximo da empresa estarão relacionadas com o acordo promovido pelo Governo espanhol sobre o encerramento escalonado de todas as centrais nucleares espanholas entre 2027 e 2035, o que terá um impacto direto negativo nas contas da elétrica.

A empresa anunciou hoje lucros de 363 milhões de euros durante o primeiro trimestre de 2019, menos 2,4% do que no mesmo período do ano passado.

Segundo a informação que enviou ao mercado, esta evolução foi influenciada pela diminuição da procura de eletricidade, devido às altas temperaturas e a desaceleração económica no consumo das grandes empresas.

A Endesa é uma das três empresas líderes no setor elétrico em Espanha, conjuntamente com a Gas Natural e a Iberdrola.

Com Lusa

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