Tecnologia

“Quase metade do mercado premium em Portugal está com a Samsung”

Nuno Parreira Samsung

A concorrência tem aumentado, seja de marcas já com tradição no mercado, seja de novos players, mas a Samsung quer manter a coroa que conquistou.

Esta foi uma semana importante para a Samsung: os novos smartphones topo de gama, os Galaxy S9 e S9+, chegaram esta sexta-feira às lojas portuguesas. Na prática os smartphones são as novas armas da tecnológica na luta pelo primeiro lugar do mercado, uma posição que nos últimos anos tem pertencido à marca sul-coreana.

Aproveitámos o momento de lançamento dos novos equipamentos para falar com o diretor da divisão mobile da Samsung Portugal, Nuno Parreira. O novo posicionamento da empresa, os novos smartphones, a concorrência e o futuro do dispositivo móvel foram alguns dos tópicos abordados.

Confiantes com o lançamento dos Samsung Galaxy S9?

Sim, muito confiantes até. A última semana veio trazer ainda mais confiança, com os dados que temos tido dos números de pré-vendas em Portugal. Para nós tem sido realmente muito agradável de saber que, não só o nosso lançamento, como também o próprio produto, chegou aos consumidores e aos nossos consumidores principalmente.

Quer partilhar esses números?

Neste momento estamos com pré-vendas 50% acima do Galaxy S8. Estamos a falar de um produto que, em média, tem um preço médio cem euros acima do que seu antecessor, o S8. Por isso a nível de valor, poderemos ainda falar de valores acima dos 50%.

Vê algum motivo em específico que justifique esse aumento de procura, que ainda é significativo?

Primeiro pelo próprio produto em si. As vantagens e os benefícios que o produto veio trazer ao mercado, relacionados muito com a câmara e a forma de comunicação entre os utilizadores, veio preencher com toda a certeza algo que os utilizadores queriam, que era não só comunicar de forma normal por voz, mas ter ferramentas para comunicar melhor via mais fotografia, mais imagem, mais entretenimento. Esse foi um dos primeiros pontos, foi o próprio produto em si.

O segundo tema tem a ver com o próprio crescimento do mercado premium em Portugal, que neste momento está acima de toda a Europa. A Europa já chegou a uma determinada maturidade no mercado premium e a penetração dos telefones premium em Portugal ainda não atingiu esse patamar. Diria que serão estes dois factores que estão a levar a este crescimento acima das expectativas por parte do lançamento do Galaxy S9.

Quem são estes 50%? São já donos de smartphones Samsung, são donos de outros smartphones Android, vêm da Apple, tem alguma ideia?

É difícil dizer neste momento porque faltam-nos ainda alguns dados, mas posso dar alguns dados que nós planeámos, estudámos e definidos para o lançamento do Galaxy S9. De facto nós estimamos que cerca de 76% a 80% dos utilizadores do Galaxy S9 vêm de uma base Samsung, serão uma base de retenção da Samsung e esperamos, de acordo também com as nossas análises, que cerca de 20% dos utilizadores serão utilizadores de outras plataformas e de outras marcas.

O momento de lançamento tem sempre euforia, para as pessoas mais interessadas em comprar o equipamento é uma boa altura para fazê-lo, mas depois há todo um período ao longo dos restantes meses em que é preciso manter esse interesse. O facto de os smartphones serem muito semelhantes, não acha que pode afastar os consumidores do modelo mais recente? As pessoas podem querer comprar o modelo antigo mais barato.

Diria que o Galaxy S9 vem dizer que essa teoria poderá não ser bem assim. O que é que acontece: os clientes trocam em média o telefone de dois em dois anos, para não falar dos early adopters. Isso pode acontecer em early adopters, mas mesmo o próprio early adopters, mesmo que haja uma pequena vantagem, um pequeno benefício, ele quer ter sempre a última tecnologia, por isso não veria assim.

No que diz respeito ao consumidor em geral, aquele consumidor que troca o telefone em média de dois em dois anos, vê com toda a certeza um grande benefício no Galaxy S9. Estamos a falar de clientes que têm o Galaxy S7 e o Galaxy S6, são clientes que irão ver grandes benefícios além destes novos atributos do telefone ao nível da câmara, irão ver grandes vantagens em mudar para o S9.

Penso que o mercado está um pouco num ciclo de inovação de dois em dois anos, é o que estamos a denotar, mas achamos que os early adopters de ano a ano irão sempre continuar a fazer a sua nova compra.

Há pouco disse que o segmento premium está a crescer em Portugal. Os smartphones hoje têm características muito espetaculares, mas qual acha que é o elemento que mais faz a diferença entre smartphones topo de gama?

Mais uma vez vou buscar o Galaxy S9, podia ir buscar outros exemplos, mas não querendo falar de outras marcas, acho que começam a ser pequenos detalhes, porque a nível tecnológico ter vários gigabytes de RAM ou a câmara é óbvio que é importante, mas num determinado topo de gama todos eles são similares ao nível da sua performance, de usabilidade, de interface e vemos estas pequenas coisas, pequenos benefícios que vêm colmatar determinada necessidade do utilizador.

Eu diria que o ecrã continua a ser algo importante, nós viemos sempre a liderar a tecnologia Super AMOLED e inclusive até os nossos concorrentes neste momento estão a utilizar. Diria que o processador é importante, mas não é vital, mas a câmara poderá ser neste momento dos principais atributos para o utilizador premium.

À volta disso vemos a própria marca e a confiança que temos em determinada marca. Acho que a marca também é muito importante, não a marca só pela marca, mas por todo o passado, por toda a experiência que o utilizador já teve com a própria marca. A retenção é muito importante, cada vez mais os utilizadores movem-se menos entre marcas, o mercado começa a ficar maduro e serão também os temas de pós-venda e temas de engagement durante o ciclo de vida do produto, são também temas muito importantes na escolha do novo produto premium.

Queria também fazer um balanço do ano de 2017. Foi positivo, mediano, negativo?

Para nós foi muito positivo. Como sabe, há cerca de dois anos tomamos uma decisão de começar a retirar determinados patamares de segmentos de preço do mercado. Começámos pelos 100 euros, depois determinamos para 2017 que iríamos eliminar todos os terminais abaixo dos 150 euros do nosso portfólio, e isso criou-nos aqui de facto algum desafio como é natural, às nossas equipas e ao próprio mercado. Sendo os líderes a tomar esta decisão, também criou aqui alguns desafios no próprio mercado.

O que é certo é que conseguimos ter sucesso nessa estratégia e conseguimos crescer em valor, o volume de negócios em valor no ano transato, mesmo sem algumas faixas de segmento de produto.

Isso para nós foi muito importante e conseguimos também reafirmar, apesar de alguns desafios que tivemos no próprio segmento premium, conseguimos crescer cerca de três pontos percentuais na nossa quota de mercado no segmento premium. Neste momento chega perto de 50%, quase metade do mercado premium em Portugal está connosco e para nós foi realmente interessante ver, conseguimos suplantar esses objetivos que tínhamos para 2017. Por isso foi um ano positivo.

Falou na questão do volume de negócios que conseguiram gerar no ano passado. É um número que me pode especificar?

Não, não lhe poderei especificar o volume de negócios.

Está mais difícil vender smartphones em Portugal neste momento? Há muita concorrência, outras marcas têm equipamentos interessantes, estamos a ver consumidores a comprar equipamentos mais baratos diretamente da China. É mais difícil vender?

Estou na Samsung há uns tempos largos e cada ano tem o seu desafio, como já lhe falei do desafio do ano passado. Não vejo muita dificuldade, vejo que nós como líderes sem dúvida nenhuma temos que nos desafiar a nós próprios. Sabemos de antemão que temos novos concorrentes, todos os anos temos novos concorrentes, já tivemos novos concorrentes nos anos anteriores.

Não é o ser mais difícil, o paradigma mudou um pouco e temos de nos adaptar a este paradigma. Como vemos a própria mudança de mercado foi benéfica para nós em certo ponto.

Percebo a questão, temos mais concorrentes a atacar a nossa quota de mercado, mas o facto do próprio mercado também estar a vender mais premium, para nós também nos trouxe menos dificuldades. O mercado quanto mais premium for, temos uma fatia maior de mercado que nos permite consolidar mais a nossa posição. Tem os seus desafios, mas não vejo que sejam piores do que nos anos anteriores.

Uma coisa é chegar ao topo, ser a marca mais vendida, outro desafio completamente diferente é manter essa posição.

Se não me engano, desde 2011 somos líderes de mercado em Portugal. Estamos há cerca de seis anos consecutivos na liderança. Não é algo que para nós nos faça grandes dores de cabeça, porque temos de olhar para a frente, não podemos olhar para trás.

Por quantos mais anos acha que vai conseguir manter essa liderança?

Acho que por muitos anos. A Samsung tem grande inovação, para sermos líderes temos que ter inovação e nós temos essa inovação. Queremos estar próximos do consumidor, desenvolver ferramentas para estar próximo do consumidor e o nosso consumidor queira continuar a ficar connosco, falo mais na questão da retenção, é muito importante.

No futuro estamos a falar das novas tecnologias – IoT, 5G, todo o tipo de tecnologias que aí vêm – que a Samsung se posicione cada vez mais na linha da frente. Não vejo quem esteja mais preparado para a nova era de ligação entre equipamentos do que a Samsung.

Prevejo que vai ser diferente, mas vamos continuar a trazer inovação e liderar o mercado.

Já referiu várias vezes o mercado premium, mas aquilo que gostava de saber é a importância que o segmento de média gama ainda representa para a Samsung. Num mercado como o português imagino que continue a ser bastante importante.

Sim, é importante, sem dúvida nenhuma. Queremos estar com todos os nossos consumidores, mas de facto como disse há pouco, o segmento abaixo dos 150 euros que nós deixamos, passado um ano vimos esse mercado a cair para cerca de metade.

Ou seja, só o facto de o líder sair desse mercado foi benéfico não só para nós, como para o próprio mercado. O mercado cresceu o preço médio, todos os nossos concorrentes beneficiaram com esse movimento, tenho a certeza disso e achamos que cada vez mais que o segmento mais de massas tende, não digo acabar, mas tende a ter um papel um pouco insignificante neste mercado – a nível de valores, não ao nível de quantidades.

Acredito que para as pessoas este aspeto possa ser curioso. Conhecemos o poder de compra que os consumidores portugueses têm, os smartphones estão cada vez mais caros, as vendas continuam a subir. É um fenómeno interessante.

Temos a própria economia a ajudar, a confiança do consumidor também a ajudar e o que é certo é que também nós, o próprio mercado, nós os intervenientes do mercado – fabricantes, retalhistas e operadores -, temos também desenvolvido formas de venda que possam facilitar o próprio cliente a comprar premium.

O cliente quer premium, a própria dinâmica do mercado faz com que o cliente final necessite de terminais com maior performance e o que nós temos feito é tentar desenvolver técnicas e formas para que as pessoas possam ter um produto de maior gama, que é o que elas pretendem, mas que possam despender… estamos a falar de prestações, estamos a falar de seguros, estamos a falar da própria retoma, como vimos a pré-venda do Galaxy S9 teve uma componente de retoma. Estamos a tentar introduzir no mercado todas essas formas de venda que possam permitir o equipamento premium, é algo no qual temos vindo a trabalhar.

É esse o posicionamento cada vez mais flexível para tentar chegar aos consumidores que vai fazer a diferença para aquele que é o vosso grande rival, que é a Huawei? Há uma luta muito interessante e saudável no mercado português de smartphones, entre a Samsung e a Huawei. É isso que vai fazer a diferença a médio prazo entre as marcas?

Diz-me que é a Huawei, poderia dizer que seria outra marca. Neste momento nós como líderes, a segunda marca não é a Huawei em Portugal. Nós não vemos a Huawei como um direto concorrente. Nós vemos todos os concorrentes da mesma forma.

Nós queremos liderar, queremos inovar no mercado, como lhe disse, estamos a caminhar para um segmento mais premium, em que nos deixa um pouco mais confortáveis nessa concorrência que me fala. É por aí que nós queremos criar: é inovar, os concorrentes estão cá e acho que fazem muito bem em estar cá.

Temos lidado muito bem com os concorrentes nos últimos anos e isso tem-nos feito crescer e arranjar novas formas de liderar o mercado, essa é a nossa intenção.

Como é que se compara o desempenho da Samsung Portugal com uma Samsung Espanha e outras congéneres europeias? Tendo em conta a população, o desempenho é semelhante?

É difícil, porque o mercado europeu é um pouco complexo, estamos a falar de mais de 30 países que são subsidiárias na Europa. Posso dizer que Portugal está acima da média em termos de prestação de quota de mercado, de vendas e não só em notoriedade de marca.

Isto tem alguma razão de ser: somos a subsidiária mais antiga, fomos a primeira subsidiária que se fixou na Europa, fora da Coreia, foi com uma fábrica que lançámos em Sintra. A partir daí tivemos uma forte ligação à comunidade portuguesa e à sociedade portuguesa.

Temos vindo realmente a ter uma grande ligação e notámos que a marca Samsung em Portugal tem uma conotação, não estou a dizer a mais alta da Europa, mas temos uma conotação e uma notoriedade acima da média. Por isso posso-lhe dizer que em Portugal estamos um pouco acima da média, se quer ver pela proporção, sim, estamos um pouco acima dos nossos colegas.

Esta pergunta aponta mais para o futuro. Começamos a ver em mercados como o norte-americano que o smartphone está a perder um pouco de preponderância. Ainda que seja importante, o smartphone é o núcleo de tudo, está a perder preponderância. Vê isso a acontecer a curto prazo em Portugal?

A curto prazo não, não prevejo, mas percebo essa questão e entendo. Acho natural, primeiro. Acho que o smartphone, não foi dos primeiros, mas foi aquele verdadeiro equipamento conectado em que nós acreditamos e as pessoas realmente têm a primeira escolha por ser user friendly, por ser portátil.

Mas começamos a ver por exemplo televisores a aparecer com inteligência e com conexão à internet. Vemos monitores, vemos ecrãs, vemos todos os equipamentos, inclusive ar condicionado, todo o tipo de equipamentos começam a estar também conectados. O smartphone foi o precursor, foi o primeiro. Agora mais dispositivos começam a estar conectados, já falamos também de carros, já se começa a falar dos carros autónomos.

É natural que perca alguma importância. Apesar do cérebro poder ainda estar aqui dentro do smartphone, posso já consultar coisas que consultava no smartphone, posso consultar dentro do meu carro, posso ter algumas informações, contactos, notícias. Dentro do meu carro já consigo ver notícias, provavelmente já não necessito de ver notícias no meu smartphone.

Todos estes hábitos poderão começar a acontecer nas pessoas e provavelmente não iremos ter tanto contacto no futuro com o smartphone como temos agora, mas na minha opinião nos próximos dez anos ainda será o produto estrela da conectividade e de todos os equipamentos.

Noutros lançamentos grandes da Samsung têm tentado impulsionar a vossa vertente de realidade virtual. Desta vez não estou a sentir isso. Porquê?

Diria que a realidade virtual ainda não passou o segundo passo que nós achamos que vai ter, a nível de algumas limitações de tecnologia, de conteúdos. Achamos que trazer novamente a realidade virtual para algo que já tínhamos lançado anteriormente, não era uma inovação que iria fazer sentido ao consumidor final.

Quisemos trazer com o Galaxy S9 funcionalidades e benefícios que trazem para o consumidor final. Para nós a realidade virtual, dentro do patamar em que ela está, para nós já é quase uma comodidade. Estamos à espera de algo que possa crescer nessa tecnologia.

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