Imobiliário

Era Imobiliária cresceu 37%. Reformados franceses ajudaram

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Mediadora volta a ter, em 2015, o melhor ano de sempre em Portugal. Faturação cresceu 37% e o número de casas vendidas subiu 33%.

A Era Imobiliária vendeu mais de 10 mil casas no exercício do ano passado, um aumento de 33% face a 2014, anunciou a empresa esta quarta-feira, acrescentando que foi a primeira vez que atingiu este marco desde que entrou em Portugal em 1998.

Estes imóveis estão avaliados em 1,2 mil milhões de euros, o que representa uma subida de 20% face ao ano anterior e que se explica com o aumento do preço médio de cada uma das casas vendidas, que foi de cerca de 120 mil euros.

“O valor médio foi puxado para cima por causa das vendas que fizemos a estrangeiros ao abrigo do Regime Fiscal para residentes não habituais, em que os preços das casas compradas rondam os 250 mil euros”, disse ao Dinheiro Vivo o diretor-geral da Era, Miguel Poisson.

Este crescimento no volume e valor das vendas ajudou a que a faturação da empresa, o equivalente às comissões angariadas com todas as transações, incluindo vendas e arrendamentos, tivesse um aumento de 37% em 2015, fazendo dele “o melhor ano de sempre desde que a Era chegou a Portugal”.

A Era não divulga este valor, como já vem sendo hábito, mas nota que o crescimento registado está muito longe do que esperavam.

“Tínhamos perspetivado um aumento de 20% e nunca de 37%. Foi de facto um ano muito bom”, adiantou Miguel Poisson.

A explicar este crescimento estão quatro fatores, diz o mesmo responsável. O primeiro está relacionado com a existência de “uma confiança generalizada no mercado, tanto do lado do vendedor como do comprador”.

Já o segundo diz respeito ao preços que deixaram de cair e começaram a recuperar e fez com que s compradores aproveitassem para investir. “De facto, esta é uma boa altura para comprar, porque nota-se já um aumento de preços nos centros de Lisboa e Porto e no Algarve, que é onde tem havido mais procura, e a estimativa é que os preços subam mais e em 2016 cheguem aos valores de 2011 e 2012, antes da crise”, adiantou Miguel Poisson.

O terceiro tem a ver com a entrada dos investidores estrangeiros no mercado e os apoios criados para eles, como os vistos gold e o regime de isenção de impostos para cidadãos europeus.

E por fim, a quarta razão para o crescimento do negócio da Era em 2015 está relacionado com a transferência de investimento do sistema financeiro para o imobiliário. “Na banca não se consegue taxas suficientemente atractivas, algumas são de apenas 1%, e por isso as pessoas estão a retirar as suas poupanças e a comprar casas para depois arrendar. Não só conseguem rentabilidades mais altas, de 4%, 5% ou até 7%, como daqui a uns anos vão conseguir ganhar dinheiro com a venda da casa”, explicou Miguel Poisson.

Estrangeiros ganham força

As vendas feitas a estrangeiros ajudaram muito a que a Era atingisse o melhor ano de sempre em Portugal. Aliás, eles já representam cerca de 20% das vendas da rede.

Mas neste caso não se tratam de vistos gold, cujas casas têm de custar 500 mil euros ou mais. A mediadora trabalha mais com ingleses e franceses, muito deles reformados, que procuram Portugal ao abrir do regime de isenção de impostos e que procuram todo o tipo de casas e não apenas as que custam mais de 500 mil euros.

“Os franceses, por exemplo, gostam muito de imóveis reabilitados nas zonas históricas, como o Chiado”, comentou Miguel Poisson.

As transações com estrangeiros já representam 20% das vendas da rede Era. A maior parte é com franceses e ingleses.

O problema é que começa a escassear este tipo de oferta nova em algumas zonas, como Lisboa e Porto ou mesmo no Algarve, e é por isso que o diretor-geral da Era espera que comecem a surgir novos empreendimentos para satisfazer este aumento da procura.

“É provável que se assista à entrada de mais fundos estrangeiros em Portugal que poderão ter um papel importante na compra de empreendimentos semi acabados que, depois de terminados, poderão colmatar a falta de imóveis novos que já se faz sentir nas principais cidades e em particular no Algarve”, repara ainda.

As casas dos bancos também tiveram peso relevante na atividade da Era no ano passado, uma vez que as vendas deste tipo de imóveis cresceu 40% face a 2014, mas é um negócio que apenas representa 7% no valor total dos imóveis vendidos pela empresa, mais precisamente 80 milhões de euros.

Neste momento, dos 120 mil imóveis que tem em carteira, 16 mil são da banca e dois terços são não residenciais, ou seja, não são casas, mas sim lojas, armazéns, garagens, pequenas indústrias ou mesmo edifícios de escritórios.

Açores foi o distrito que mais cresceu em 2015

Lisboa continua a ser o distrito que mais pesa na faturação da mediadora, precisamente 37,87%, seguido do Porto, com 19,91% e de Faro, com 8,45%. Mas onde a faturação mais cresceu de 2014 para 2015 – 57,55% – foi no distrito de São Miguel, nos Açores.

Para o diretor-geral da Era não há uma explicação clara para este aumento, mas o arranque das viagens low cost terá sido uma delas.

O segundo distrito onde a faturação mais cresceu foi Lisboa – 44,16% – o que se justifica quase exclusivamente com o investimento estrangeiro. Seguiu-se Leiria, onde a faturação da Era subiu 43,85% e depois Braga, onde aumentou 41,13%.

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