ERC. Rendimentos das empresas de media em Portugal caíram 0,9% em 2019

A dispersão da publicidade, nomeadamente na Internet, e a redução do seu preço mantêm-se tendência setorial, alerta a ERC.

Os rendimentos das empresas de media em Portugal caíram 0,9% em 2019, "um fenómeno transversal a todos os segmentos", de acordo com um estudo de análise económico-financeira da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), hoje divulgado.

"De acordo com os dados comunicados pelos regulados na Plataforma da Transparência dos Media da ERC, os rendimentos das empresas de comunicação social contraíram-se mais uma vez, em cerca de 0,9%, um fenómeno transversal a todos os segmentos e dimensões de empresas", refere o regulador.

"No entanto, a contração de 2019 foi menor do que a registada em 2018, que se situou em 3,6%", refere o estudo da ERC.

"Um total de 52% das empresas apresentou crescimento durante o ano, valor superior ao ano anterior", acrescenta, referindo que "no grupo composto pelas maiores e mais representativas empresas do setor, apenas o segmento dos operadores de televisão e a agência noticiosa registaram crescimento médio das receitas de exploração, na ordem dos 5%".

Os restantes segmentos - televisão por subscrição, conglomerados media, publicações periódicas e rádio - "viram as receitas diminuir cerca de 3% em 2019".

A ERC refere que "verificou que, em geral, o setor como um todo foi rentável, mas o panorama tem vindo a deteriorar-se".

Cerca de dois terços das empresas de media "apresentaram resultados líquidos positivos, abaixo dos 69% registados em 2018".

Aponta ainda que 69% tiveram resultados operacionais ou resultado antes de impostos, juros, amortizações e depreciações (EBITDA) positivos, abaixo dos 74% de 2018.

"Entre as maiores e mais representativas, 66% apresentaram EBITDA positivo, em termos de resultados líquidos e 59% do total apresentaram lucro em 2019", lê-se no comunicado da ERC.

"Quando se observa o passivo constata-se que o setor continua bastante alavancado. Além da dívida financeira, outro tipo de dívidas, a fornecedores, Estado, entre outros, suportam os media", refere.

"Para o setor como um todo, a proporção de capitais próprios em relação aos ativos situou-se abaixo dos 50% na grande maioria das empresas. Esta evidência é mais flagrante quando se autonomiza o grupo das maiores e mais representativas empresas do setor, onde a proporção de capitais próprios no ativo médio foi de 30%", salienta a ERC, no comunicado.

Em termos de rentabilidade dos capitais próprios (ROE), excluindo empresas com capitais próprios negativos e/ou resultados líquidos negativos, "observou-se que atingiu os 15,4% nesta amostra das maiores empresas" e "para o setor como um todo foi de cerca de 19%".

O regulador "reconhece que são vários os desafios com que se deparam as empresas de comunicação social, resultado da consolidação de novas formas de consumo e distribuição de conteúdos, suportadas pelo desenvolvimento da infraestrutura digital, fixa, móvel e convergente, e das novas tecnologias 'over-the-top' (OTT)".

Por outro lado, a dispersão da publicidade, nomeadamente na Internet, e a redução do seu preço mantêm-se tendência setorial.

No final do ano passado, existiam no setor 1.725 publicações periódicas ativas, 309 empresas jornalísticas, 286 operadores de radiodifusão, 109 serviços de programas distribuídos exclusivamente pela internet, 25 operadores televisivos, 10 operadores de distribuição de televisão (STVS) e duas empresas noticiosas.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de