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Ericsson traz para Portugal centros de I&D se Madrid aplicar ‘taxa Google’

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Governo espanhol admitiu estar a estudar taxa sobre tecnológicas. Ericsson ameaça trazer dois centros de I&D para Portugal

A Ericsson Espanha ameaça trazer para Portugal os centros de I&D que tem no país caso Madrid avance com a ‘taxa Google’, um imposto adicional sobre as tecnológicas que está a ser estudado pelo Governo espanhol e em março proposto por Bruxelas.

“Amanhã cobram-me 3% sobre as receitas. Perceba que os centros que tenho de I&D, consolido receitas aqui, fecho-os amanhã. Levo-os todos para Portugal, mas todos. Não hesito nem um dia em tomar a decisão”, disse José Antonio López, presidente e conselheiro delegado da Ericsson Espanha em entrevista à agência Efe, citado pelo Expánsion.

O responsável da tecnológica pelos mercados ibéricos e Marrocos reagia assim à admissão das Finanças espanholas de que poderia recuperar um projeto do antigo ministro, Cristóbal Montoro, de aplicar um agravamento fiscal às empresas tecnológicas que não têm sede fiscal no país e declaram receitas em outros países conhecido como a ‘taxa Google’.

José Antonio López pede “clareza” ao Governo espanhol sobre os seus planos para o sector, dando a entender que a aplicação generalizada de um imposto com estas características pode levar empresas a sair do país. “Se o Governo decidir ‘vamos a cobrar a todos’, quanto mais cedo soubermos melhor. Logo se verá quem vai fechar sede e quem não irá fechar”, diz.

Em Espanha, a empresa filandesa dá emprego a 2500 pessoas, dos quais 700 trabalham nos dois centros de I&D que tem em Madrid (520 pessoas) e em Málaga (180).

A avançar, o Governo espanhol vai ao encontro ao proposto em março por Bruxelas visando trazer para os cofres europeus novas receitas fiscais. A Comissão anunciou a intenção de começar a cobrar a gigantes tecnológicos como o Google, Facebook, Apple ou a Amazon um imposto temporário adicional de 3% sobre as suas receitas.

A proposta previa ainda que os Estados membros pudessem taxar as empresas que obtenham receitas com a venda de publicidade online ou com os dados dos clientes no seu território, mesmo que não tenham presença física no país. Portugal, por exemplo, pode taxar as receitas angariadas no país. A previsão é de que 5 mil milhões de euros anuais entrem nos cofres dos países da UE.

Mas para avançar a proposta de Bruxelas terá de ultrapassar uma série de obstáculos: obter luz verde do Conselho e do Parlamento Europeu, bem como dos 28 países da UE

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